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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Infância e família na visão espírita

                          


O cuidado com a saúde mental da criança é tão importante quanto o que devemos ter com a saúde física, pois tem por objetivo preparar e proteger o seu espírito para que se desenvolva e se mantenha em condições sadias e normais, nos planos físico e psico-sócio-espiritual.

Um dos princípios da Declaração dos Direitos da Criança, elaborada em Assembléia Geral das Nações Unidas, diz que: “A criança, para o desabrochar harmonioso de sua personalidade, tem necessidade de amor e de compreensão, dispensados principalmente pelos pais, proporcionando-lhe atmosfera de afeição e segurança”.

O Espiritismo vem ampliar essa orientação com numerosos e bem fundamentados argumentos, conscientizando os pais de suas responsabilidades para com os filhos, especialmente na infância e adolescência, pois muitos seres que nascem em determinados lares são criaturas com as quais foram assumidos compromissos reencarnatórios de reajustes ou resgates.

Daí a profunda necessidade de compreensão dos pais de que a proteção à criança não deve ser feita apenas no campo material (saúde, alimentação, educação, vestuário, habitação etc.), mas que, de igual ou maior importância é a orientação moral e espiritual, dando ao menor o apoio afetivo, a confiança, a compreensão e o equilíbrio emocional, baseados na ternura e na firmeza que só podem ser adquiridos pelo desenvolvimento de um dos mais preciosos sentimentos que enobrecem a alma humana: o amor.

Na criança, as doenças do espírito, isto é, as perturbações em seu desenvolvimento espiritual provocam grande variedade de sofrimentos corporais e psíquicos, tanto nela própria quanto em seus pais, por vê-la sofrer. Existe um processo de identificação dos pais com suas crianças, de forma que os mesmos participam de seus êxitos e fracassos, se aquecem aos reflexos de sua glória e se deprimem com suas derrotas. Vivenciam o sofrimento da criança como se fosse o seu próprio.

Assim, são freqüentes as manifestações de angústia, como birra, inapetência, tiques nervosos, agitações, alterações do sono, cólera, desobediência, medo e até distúrbios orgânicos, como cólica, sudorese noturna, vômito, prisão de ventre, diarréia, suores frios e muitos outros. “Os sofrimentos corporais, de origem psicológica, mostram que o espírito e o corpo estão intimamente unidos um ao outro”, diz o prof. Pedro de Alcântara, e, continua, “para bem assistir o corpo, é preciso bem assistir o espírito e vice-versa”.

A criança, de um modo geral, terá maior serenidade e seu desenvolvimento psicológico será tanto mais equilibrado, quanto menos estiver exposta a sofrimentos desnecessários nos seus primeiros anos de vida e quanto mais adequadamente for sendo habituada aos sofrimentos inevitáveis que a vida irá lhe impor.

Entra aqui o desempenho marcante da família, principalmente dos pais, contribuindo com a sua presença carinhosa para combater a angústia de seus filhos, colaborando para a sua higiene mental, tão importante quanto as suas diversas modalidades de higiene física.

Alertando os pais para que protejam a saúde mental da criança, aqui são mencionadas as principais formas de sofrimento a que ela costuma ser submetida, às vezes inadvertidamente por inexperiência de seus progenitores, que são as seguintes:

Desconforto físico

É determinado por fome, frio, febre, calor, sede, dor, excesso ou escassez de roupas, de luz, de ventilação, de umidade, de ruído, vestuários incômodos (apertados, engomados, muito grandes ou muito pequenos), fraldas molhadas trazendo conseqüências psicológicas tanto mais graves, quanto maior for a ausência dos pais e quanto menor o relacionamento entre pais e filhos.

O espírita deve ser alertado em não desviar excessivamente o seu tempo aos serviços profissionais e trabalhos assistenciais de seus núcleos religiosos, faltando à caridade maior, que, mais do que isso, é o seu dever: proporcionar sua presença amiga à companhia de seus filhos, com quem assumiu compromissos anteriores, com grande responsabilidade no trabalho educacional e afetivo.

Sofrimento reencarnatório


Muitos casos de agressividade e desajustes da criança no lar, de distúrbios orgânicos e psicológicos, são reflexos de problemas e desequilíbrios em reencarnações anteriores, que devem ser encarados com paciência e compreensão.

Diz-nos Emmanuel, em Na Era do Espírito, que: “as criaturas que enganamos no terreno afetivo em outras existências, habitualmente retornam até nós como “filhos-problemas”, reclamando-nos carinho e atenção constantes para o reajuste emocional que demandam; frustrações, conflitos, vinculações extremadas e aversões congênitas de hoje, são frutos dos desequilíbrios afetivos de ontem a nos pedirem trabalho e restauração”.

Mais uma vez, notamos que os pais espíritas são freqüentemente advertidos pelos ensinamentos da própria doutrina, pelas entidades espirituais orientadoras, pelas mensagens dos desencarnados sobre o seu dever, às vezes árduo, difícil, repleto de obstáculos e sacrifícios de prestarem assistência espiritual aos seus filhos, evitando-lhes a carência afetiva e procurando compreender seus problemas reencarnatórios. A omissão dos pais nesse sentido origina sofrimentos dolorosos, atuais ou futuros, e esse tempo perdido só poderá ser recuperado através de trabalhos mais penosos e situações mais difíceis que as de agora, pois a infância é tão rápida que, constantemente, observamos lamentações de desperdício de tempo dos pais que deixaram de prestar a seus filhos o auxílio de que necessitavam nos seus primeiros anos de vida.

Aqui repetimos com o Dr. Freitas Nobre, em seu trabalho Problemas de Delinqüência Juvenil, que “é indispensável à criança a assistência e o carinho do adulto, na ocasião em que a sua personalidade se desponta, com suas recordações atávicas e suas reminiscências, as influências do meio familiar e social, num complexo de elementos atuantes sobre a sua personalidade em formação”.

Os desajustamentos na área da sociabilidade observados nos jovens, refletem, geralmente, a inadeqüação dos padrões educativos e afetivos familiares na primeira infância, principalmente, já que a família é a primeira unidade grupal através da qual a criança é submetida a fatores socialmente determinados pelo grupo social, capaz de influenciar na sua conduta dentro desse grupo.

Distúrbios de comportamento

Diz André Luiz, em Conduta Espírita, que “a orientação da criança é a profilaxia do futuro” e que “educar é sublimar a humanidade”.

Mas, como educá-la e orientá-la se as suas reações reflexas ou voluntárias, adquiridas ou não, são, às vezes, tão contraditórias? Alguns autores, pelos estudos da hipnose e mediunidade, psicologia profunda e neurofisiologia admitem que a alma, tal como o átomo, longe de ser uma estrutura simples, é um sistema dinâmico formado por múltiplos elementos, que, por assim dizer, gravitam em torno de um núcleo central. Daí a necessidade da criança ser um contínuo motivo para estudo cuidadoso e adequado, tal como multiplicidade de fenômenos ambientais e reencarnatórios que podem contribuir para alterar a sua conduta normal, levando-a àquilo que chamamos de distúrbios de conduta ou de comportamento.

Entendemos por conduta normal da criança o conjunto de atitudes que correspondam ao seu grau de desenvolvimento, em coerência com suas condições ambientais de vida. Desde que apresente reações de comportamento não compatíveis com seu ambiente social e faixa etária, pode ser incluída entre as crianças que sofrem distúrbios de conduta.

Dentre os distúrbios de conduta originados por reações emotivas aos fatores ambientais, podemos auxiliar muito o restabelecimento do pequeno paciente procurando corrigir-lhe os erros educativos e as perturbações do equilíbrio familiar, proporcionando-lhe melhores condições sócio-econômicas e espirituais, tentando diminuir os traumas psicológicos a que constantemente está submetido. No Espiritismo, com freqüência, somos solicitados a opinar em casos como esses.

Cabe-nos aqui grande responsabilidade de estudo, de trabalho e, além disso, real conscientização do que seja o nosso dever no desempenho eficiente de orientar e encaminhar a criança, à qual estamos ligados na vida presente por fatores reencarnatórios. Faz-se necessário, portanto, diante desses casos, analisar a sua etiologia, (carência afetiva, carência psico-social, carência sensorial), estudar as suas origens, dentro das quais as mais importantes são as seguintes:

Erros Educativos

Podem ser determinados por:

Técnicas alimentares errôneas (excesso de agrados, ruídos e promessas para a criança comer); ameaças com castigos físicos e agressões, uso abusivo de programas excitantes de televisão, educação sexual errônea ou ausente, assim como o excesso de manifestações afetuosas; atendimento incoerente a todos os caprichos da criança ou atenção deficiente às suas necessidades orgânicas e emocionais.

São problemas relativamente fáceis de serem corrigidos, desde que os pais se conscientizem de sua responsabilidade em mudar de atitudes para com os seus filhos. E quem é perfeito, perguntaríamos? Se estamos em um mundo de expiações e provas é para executarmos tentativas de reforma íntima, de mudanças de conduta interior que venham a nos beneficiar e refletir positivamente sobre nossos filhos e sobre todos os que nos cercam.

Perturbações do equilíbrio familiar

Podem ser causadas por:

Excesso de autoridade ou de indulgência; desigualdades no julgamento dos pais das atitudes da criança;

preferência dos pais por determinado filho; humilhação por tentativas frustradas; exigência de perfeccionismo em seus afazeres; hostilidade, rejeição ou superproteção pelos próprios pais ou avós ou quaisquer familiares etc.

A desarmonia conjugal, as discussões freqüentes em presença da criança e a ausência contínua dos pais no lar levam o filho à carência afetiva, que refletirá sobre ele, mais tarde, sob a forma de distúrbios de conduta de maior ou menor gravidade, que podem aparecer a curto ou longo prazo.

A família pode ser vista como um grupo de personalidades interatuantes que se sustentam e alteram através dessas interações. O “clima emocional” ou “tônica emocional” do lar e o modo como os pais aceitam a criança e agem em relação a ela são fundamentais para seu desenvolvimento psíquico.

Muitas vezes, a criança, dentro do lar, assume o papel de “bode expiatório” da família, o que acarreta um prejuízo ou atraso no seu desenvolvimento. É bastante comum as crianças absorverem toda a tensão e conflitos familiares e terminarem manifestando algum distúrbio somático ou de conduta como forma de expressão sintomática da tensão familiar existente. Outras vezes, as crianças são tomadas, pelos pais, como elo de aproximação entre eles ou como peça na concretização de uma separação, nos casos em que os pais não vivenciam uma relação sadia e harmoniosa, o que logicamente também comprometerá o desenvolvimento emocional da criança.

Criança em idade escolar que não freqüenta a escola, não se alimenta e vive em ambiente anti-higiênico; que convive com marginais e viciados; que se vê desprezada ou rejeitada por motivos raciais, sociais e econômicos, revoltando-se contra a sociedade em que vive, torna-se instrumento fácil da delinqüência infanto-juvenil. Aqui, as atividades assistenciais, educacionais, sanitárias e evangelizadoras, desenvolvidas por núcleos civis e religiosos, podem favorecer bastante a recuperação do menor.

Traumas Psicológicos:
Este é também um problema delicado e de difícil solução. É freqüente em filhos de pais separados, de mães solteiras, pais muito enérgicos ou muito condescendentes, pais ou mães viciados e de má conduta.

Esses problemas precisam ser contornados com muita habilidade para que a criança possa minimizar as conseqüências futuras nos distúrbios de conduta. Recomenda-se a terapia familiar (psicológica e religiosa). Incluem-se aqui, ainda, os traumas produzidos por moléstias graves, acidentes, cirurgias, agressões sexuais etc.

Também neste campo, a orientação espírita mostra a razão de ser das ocorrências atuais, o seu correlacionamento com vidas passadas, auxiliando o preparo psicológico da criança para enfrentar os problemas com menos angústia e agressividade; auxilia os pais a abordá-los com maior compreensão e equilíbrio.

Fatores espirituais

Estes fatores acarretam problemas que podem apresentar, entre outros, alguns dos sintomas já referidos. É muito importante que os espíritas sejam orientados sobre esses assuntos para que não venham a atribuir todos os distúrbios de conduta às causas espirituais, principalmente as mediúnicas e obsessivas, confundindo-as com fenômenos de outra natureza, como a das etiologias citadas, prejudicando ou retardando o tratamento psicoterápico indispensável e adequado, que, quando feito inicialmente, tem muito mais possibilidades de ter êxito.

Por: Walter Oliveira Alves-site: Panorama Espírita
A educação, conforme entende o Espiritismo, é a arte de manejar caracteres, é a formação de hábitos, tendo por base a imortalidade da alma e os ensinos morais de Jesus, e essa educação deve fazer a reforma moral do homem, sua auto-educação, trazendo para o mundo um homem novo, consciente dos seus direitos e deveres.

... A criança é o Espírito que retorna, trazendo necessidades individuais e um programa de vida estabelecido durante sua preparação para reencarnar. Essencialmente, podemos afirmar que o Espírito se prepara tendo em vista suas necessidades básicas evolutivas, levando-se em conta:

- Sua bagagem evolutiva conquistada nos milênios anteriores, até o momento presente;
- O potencial futuro, passível de ser desenvolvido na próxima encarnação, a partir das conquistas atuais;
- Da bagagem do passado, destacam-se as qualidades apreciáveis conquistadas pelo Espírito, bem como os defeitos, erros e viciações amealhadas em seu livre-arbítrio.

Todo o seu passado servirá de base para as conquistas futuras. As conquistas anteriores, as tendências nobres, as qualidades superiores, servirão de ponto de partida para novas conquistas no campo intelectual e afetivo.

Temos, pois, na criança, um Espírito que reencarnou com um programa de vida, elaborado no Mundo Espiritual, que prevê as necessidades básicas evolutivas do reencarnante. É fácil perceber que as necessidades variam imensamente de Espírito para Espírito. Cada espírito, pois, renasce no meio mais propício ao seu desenvolvimento interior, com um programa de vida traçado no Mundo Espiritual.

Por mais fundo tenha entrado nos liames da inferioridade, o Espírito recomeçará daí sua escalada evolutiva. A evolução é determinista. Variam as formas e os meios, mas todos os seres, filhos de Deus, evoluem incessantemente, alguns mais rapidamente, outros muito lentamente, conforme o próprio livre-arbítrio, mas todos caminham para frente e para cima, embora possa parecer aos olhos dos menos avisados que a Humanidade possa regredir.

Amigos imaginários melhoram linguagem da criança.
da Reuters, em Wellington (Nova Zelândia)

Pais, não se preocupem: os amigos imaginários são bons para a capacidade linguística de seus filhos, podendo inclusive melhorar seu rendimento escolar, segundo um estudo neozelandês.

Gabriel Trionfi e Elaine Reese, da Universidade de Otago, investigaram a capacidade linguística de 48 meninos e meninas com cinco anos e meio de idade - 23 deles tinham amigos "invisíveis".

Os pesquisadores concluíram que as crianças que brincavam com esses amigos imaginários tinham habilidades narrativas mais avançadas do que as crianças que não mantinham esse tipo de atividade...

"Como a capacidade das crianças para contar histórias é um forte indicador da sua futura capacidade de leitura, essas diferenças podem ter mesmo repercussões positivas para o desempenho acadêmico das crianças", disse Reese em nota divulgada no site da universidade... Embora não houvesse diferenças significativas em termos de vocabulário, as crianças com amigos imaginários contavam com mais qualidade as histórias fictícias e reais.

"O mais importante é que as crianças com amigos imaginários adequavam suas histórias à tarefa. Para as histórias ficcionais, elas incluíam mais diálogos. Para as histórias realistas, elas forneciam mais informações sobre hora e lugar, em comparação com as crianças sem amigos imaginários", explicou Reese.

"Acreditamos que as crianças com amigos imaginários podem estar obtendo uma prática adicional no ato de contar histórias. Primeiro, podem estar criando histórias com seus amigos imaginários. Segundo, como seus amigos são invisíveis, as crianças podem relatar suas aventuras a adultos interessados", acrescentou.

O estudo foi publicado na mais recente edição da revista Child Development. Notícia publicada na Folha Online, em 12 de agosto de 2009.

Sonia Maria Ferreira da Rocha* comenta:
Um jornal americano publicou uma matéria que aponta que as crianças de até 7 anos de idade evoluem com ajuda de seus amigos e que alguns dos companheiros mais úteis podem ser os imaginários.

A psicologia do desenvolvimento explica que até essa faixa etária as crianças se encontram na fase mágica, da fantasia, é há procedimentos terapêuticos de algumas linhas psicológicas que se utilizam dessa fase para auxiliar a criança a controlar os esfíncteres, a vencer medos, a ganhar auto-estima e a sentir-se cada vez mais segura e confiante.

O percentual dos casos apurados em todo o mundo revela que o fato é mais comum do que se imagina, ou seja, seu número é muito grande. Principalmente, se a criança não dispõe da companhia de outra criança, dentro de casa, que possa trocar com ela sua realidade.

A dúvida que existe em relação a esse assunto é:os amigos, supostamente imaginários, são frutos da imaginação infantil ou seres reais que os adultos não veem, mas que as crianças veem e que com elas conversam como fazem com os amiguinhos encarnados?

À luz do Espiritismo, temos essa realidade vista pelo lado espiritual. A Doutrina Espírita, segundo os ensinamentos de Kardec, vem nos informar sobre esse processo de intercâmbio da vida espiritual para a vida corpórea mediante a faculdade mediúnica, entre outras, a da vidência.

Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, nos itens 100 e 190, detalha sobre a vidência mediúnica, que é assunto pacífico no campo da fenomenologia espírita. A existência da mediunidade de vidência, informam os Espíritos, foi a primeira de todas as faculdades dadas ao homem para se corresponder com o mundo invisível. Em todos os tempos e em todos os povos, as crenças religiosas se estabeleceram sobre revelações de visionários ou médiuns videntes.

Essa faculdade permite que alguns espíritos, desencarnados, se permitam ver em estado de vigília, logicamente, com a permissão da espiritualidade superior.

Assim, alguns se deixam ver e outros não, o que não significa que eles não estejam entre nós; ou seja, desencarnados habitualmente estão entre nós.

O codificador reconheceu que a mediunidade de crianças era muito comum e que não deixava de ser um cuidado da Providencia Divina:

“Ao sair da vida espiritual - explicou Kardec -, os guias da criança acabam de a conduzir ao porto de desembarque para o mundo terreno, como vêm buscá-la em seu retorno. A elas se mostram nos primeiros tempos, para que não haja transição muito brusca; depois se apagam pouco a pouco, à medida que a criança cresce e pode agir em virtude de seu livre-arbítrio... Então a deixam às suas próprias forças, desaparecendo aos seus olhos, mas sem perdê-la de vista. ” (Cf. Revista Espírita de 1866, pp. 286 e 287.)

Diante de situações em que não saibamos distinguir o que é fase mágica do que é mediunidade, o melhor a fazer é agir com naturalidade, sem levar a criança a um desenvolvimento precoce e nem supor que pelo fato de serem médiuns naturais terão no futuro missões grandiosas, mas, tão somente, tarefas abençoadas no campo da mediunidade com Jesus.

Vejamos o que nos diz O Livro dos Médiuns, cap. XVII, questão 221, item 6:

”Haverá inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças?
Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobre excitação. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas ideias, ou, quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das consequências morais.”

Até os sete anos de idade, o Espírito da criança encontra-se em fase de adaptação para a nova existência e ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica, fato que lhe permite emancipar-se e, eventualmente, ver vultos desencarnados que lhe faz companhia, o que nos permite deduzir que os amigos imaginários das nossas crianças só o são na aparência. Eles não são imaginários, mas, tão somente, invisíveis. Ninguém, pois, se assuste quando vir que seu filho anda a conversar com “amigos” que ele diz ver e que, no entanto, não vemos. * Sonia Maria Ferreira da Rocha reside em Angra dos Reis, RJ, estuda o Espiritismo há mais de 30 anos e é colaboradora regular do Espiritismo.net.

Para complementar na questão da mediunidade na infância diz no Livro dos Médiuns, cap XVIII:

221/7 Há, no entanto, crianças que são médiuns naturalmente, quer de efeitos físicos, quer de escrita e de visões. Apresenta isto o mesmo inconveniente?
"Não; quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso. O mesmo não acontece, quando é provocada e sobreexcitada. Nota que a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. Mais tarde, o fato lhe volta à memória e ela o explica facilmente, se conhece o Espiritismo."

221/8 Em que idade se pode ocupar, sem inconvenientes, de mediunidade?
"Não há idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas. Falo da mediunidade, em geral; porém, a de efeitos físicos é mais fatigante para o corpo; a da escrita tem outro inconveniente, derivado da inexperiência da criança, dado o caso de ela querer entregar-se a sós ao exercício da sua faculdade e fazer disso um brinquedo."

É preciso estudar os sentimentos das crianças e tentar perceber o que elas, muitas vezes, precisam nos falar. Muitas crianças tem vontade de falar o vêem, se vêem; o que sentem, mas os pais não as deixam a vontade porque dizem que tudo é fantasia, produto de suas mentes infantis... Na dúvida, melhor escutar primeiro o que a criança tem para falar antes de advertí-la ou criticá-la.

Caso a criança demonstre ter a medunidade, não se apavorem, mediunidade não é defeito e, se caso, a mediunidade não faça parte da crença dos pais, não tratem essas crianças como doentes mentais, emocionais... Trate-as com a dignidade que mereçam... Elevem seus pensamentos a Jesus e peça que Ele interceda por elas para que elas não sofram e as protejam mais do precoceito dos homens do que da inspiração dos espiritos

DIZ KARDEC...
A educação , convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejar as inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação(...) "(Livro dos Espíritos - Questão 917)

"Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho(...)"(Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XIV, item 9)

1. Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus. (S.Mateus, cap. V, v. 8.)

2. Apresentaram-lhe então algumas crianças, a fim de que ele as tocasse, e, como
seus discípulos afastassem com palavras ásperas os que lhas apresentavam, Jesus, vendo isso, zangou-se e lhes disse: “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se lhes assemelham. – Digo-vos, em verdade,que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará.” – E,depois de as abraçar, abençoou-as, impondo-lhes as mãos. (S. MARCOS, cap. X, v. 13a 16.)

Do livro – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

Todos nós buscamos o aperfeiçoamento espiritual. Diante da bondade Divina, nos é dado a possibilidade de várias reencarnações como oportunidade de aprendizado.

A pureza do coração infantil reflete a humildade e a simplicidade. Por isso Jesus utiliza-se da criança como símbolo da pureza, mostrando assim que o reino dos céus aguarda os virtuosos, puros de coração, ricos de humildade, de caridade, de amor ao próximo.

Olhamos hoje as crianças através de uma nova perspectiva, não mais como seres ingênuos e pobres de conhecimento.

Ao contrário, como seres com uma grande bagagem espiritual em uma nova roupagem terrena, tendo a oportunidade da renovação espiritual pelo adormecimento das paixões inferiores, enquanto crianças. Nesse período elas revelam as suas tendências, mas com muito amor, dedicação e perseverança, podemos auxiliá-las na sua mudança interior através da educação moral.

Esse é o momento de introduzirmos a doutrina espírita, a educação espiritual como proposta da grande renovação das nossas atitudes, educando assim as crianças no verdadeiro caminho que é a evolução espiritual, com isso ajudaremos a própria sociedade na formação de adultos melhores. Saberão administrar os seus conflitos, buscarão o verdadeiro objetivo da vida que são as alegrias futuras fruto do trabalho árduo no caminho do bem, na prática da caridade, do amor ao próximo, da benevolência, do perdão incondicional.

Vale lembrar que Jesus não disse que o reino dos céus pertence às criancinhas, mas sim “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se lhes assemelham. – Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará.”

Aquele que se assemelhar a pureza do coração de uma criança, entrará no reino dos céus, pois na verdade terá substituído o orgulho e o egoísmo, pai dos sentimentos inferiores, pelas virtudes enobrecedoras.

A responsabilidade dos pais é grande, corrigir as más tendências das crianças e dos jovens, através do exemplo de uma conduta de vida reta na moral cristã, denota empenho, perseverança e amor.

Conduto nem todos pensam assim, me surpreende os pais abandonarem prematuramente a responsabilidade assumida, deixando os sentimentos nobres da renuncia, da dedicação, da caridade e do amor em segundo plano vencendo assim os gozos terrenos envolvidos pela luxuria da vida moderna.

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 58.
                          

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