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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nesse 2011, seja um Gladiador!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Na Umbanda não há doutores


                                 

Em meio às atividades espírito materiais de alguns terreiros que pregam a igualdade, a fraternidade, o amor e a caridade, um fato, dentre os muitos que nos deixam perplexos, tem nos chamado à atenção. Por isto mesmo, merece uma análise mais profunda e esclarecedora por parte daqueles que querem ver o movimento umbandista mais forte e coeso.
Estamos falando da ostentação de títulos de ordem honorífica ou profissional como instrumento de aspiração ao poder e também como meio de dominação, subjugação e humilhação frente a terceiros.
A Umbanda, assim como outros agrupamentos religiosos, é formada por pessoas das mais diferentes classes econômico-sociais e étnicas, que, justapostas, formam o que se denomina de meio religioso intercorrente.
Também é de conhecimento geral que, não obstante as pessoas terem profissões ou ofícios diferentes, todos deverão estar ali, naquele espaço de caridade, imbuídas da mesma finalidade: auxílio espiritual e material aos necessitados. Faz-se então necessário traçar uma linha divisória entre o status que algumas pessoas possam ter em sociedade e o trabalho espiritual exercido pelas mesmas. Todos, independentemente dos títulos honoríficos ou profissionais que possam Ter, deverão estar irmanados com aqueles que não puderam alcançar um estágio intelectual ou cultural mais elevado, no sentido de juntos, poderem dar sua cota de sacrifício e suor em prol de nossa religião.
Com pesar, observamos que algumas pessoas ainda julgam a existência de bondade, de caridade e altruísmo pela riqueza material ou intelectual que alguns detêm. Não que bens ou Cultura sejam nocivos; muito pelo contrário, se bem utilizados, são de grande valia para o progresso da humanidade.
Refiro-me a alguns médiuns que tratam de maneira diferente abastados e pobres; que tratam com pompa os que possuem títulos universitários, desprezando aqueles que possuem quando muito o primeiro grau; que dão atenção e mantém diálogos somente com aqueles que têm automóvel novo e sucesso econômico.
Refiro-me também àqueles que desejando fazer parte ou já estando no corpo de médiuns ou assistentes, fazem tremenda e irrevogável questão de serem conhecidos e chamados como Doutor Fulano, médico; Doutor Beltrano, Engenheiro; Doutora Fulana, Advogada etc. Que fazem absoluta questão de alcançarem cargos ou funções que os façam importantes e admirados, dentro da coletividade religiosa.
Temos assistido alguns destes "doutores" reclamarem, apresentando seus diplomas, um lugar de destaque ou maior envergadura dentro das atividades de um templo de Umbanda. Pressionam para que aqueles que têm alguma função ou responsabilidade dentro de um terreiro, fruto de méritos espirituais, morais, éticos e caritativos, sejam substituídos, asseverando:
"Eu sou formado, sou doutor, logo sou melhor e não posso obedecer a ordens ou estar em posição inferior em relação àquele que não é instruído ou formado". A soberba, a vaidade, o orgulho, a ganância, o egocentrismo e a ambição doentia não deixam ver a estas pessoas que o que importa na Umbanda é o SER, vale dizer, ser honesto, ser dedicado à religião, ser simples, ser humilde, e não o TER, ter títulos profissionais, carrões último tipo, mansões suntuosas, e um belo saldo bancário.
A religião jamais poderá ser utilizada como ferramenta de projeção social, bem como em complemento de sucesso profissional. A Umbanda, nossa querida e elevada religião, foi plasmada do plano astral trazendo como carro-chefe os espíritos de índios e negros, duas das raças mais martirizadas do globo terrestre, e que, em última análise, representa a humildade, a dignidade, à sinceridade e oi alto grau de espiritualidade, sentimentos e virtudes ainda ausentes em muitos corações.
Em nossa religião não há lugar para ostentações terrenas, não há lugar para títulos materiais, tanto para espíritos quanto para médiuns e assistentes. Na Umbanda não se manifestam espíritos com o rótulo de "doutores" ou "mestres", mas sim os esforçados e trabalhadores Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Crianças etc. que, seguindo as diretrizes da espiritualidade superior, não medem esforços no sentido de auxiliarem os habitantes da Terra, encarnados ou não, a progredirem espiritualmente.
Que esta simples dissertação possa de alguma forma contribuir para que alguns irmãos umbandistas, ainda impressionados com títulos e posses terrenos, alcancem o verdadeiro sentido da palavra IGUALDADE, e assim colaborem para que cada vez mais a Umbanda possa se tornar, não uma religião de ricos e pobres; de doutores e proletários, mas sim em segmento religioso de irmãos, unidos por laços de amor e fraternidade.
É o que deseja nosso Pai Orixalá.

Artigo retirado da comunidade Umbanda Somente Umbanda de autoria do nosso irmão Carlos Piqueira

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Orixá do Ano 2011 Mamãe Oxum - Ano também dos Pretos Velhos

                     
 Ano de Mamãe Oxum, é Ano também dos Pais e Mães Velhas, é ano de tratar o idoso com os devidos merecimentos.Os espíritos trabalhadores, designados de pretos velhos, nos repassam constantemente uma lógica que infelizmente, nós encarnados ainda estamos demorando em aplicar. Dizem eles, com sua maneira peculiar e simples de expressão, que no “mundo dos mortos” não existe raça, cor ou credo que diferencie as almas ou crie fronteiras, o que existe é o homem de bem e o homem que desaprendeu de ser bom. Baseado nisso, nos falam das lágrimas que insistem em cair de seus olhos, pela arrogância dos homens e de suas religiões que acabam se distanciando de Deus, pela pretensão de se adonar d’Ele, impondo a “sua” verdade. As religiões ou os credos em geral, ainda existem por necessidade de nossos espíritos que se diferenciam na escala evolutiva, encontrando dentro de cada uma delas a melhor adaptação de “religar-se” ao Criador. O que fica desvalorizado aos olhos da Espiritualidade Superior é o combate que se trava entre os homens por questões religiosas como se vivessem em eterna disputa, chegando ao absurdo das ditas “guerras santas”. Por enquanto a humanidade percorre vários caminhos em busca dessa verdade, mas chegará o dia em que o Universalismo será pleno, então haverá um só rebanho para um só pastor. E como acontece no “andar de cima”, formaremos uma única corrente de trabalho, auxiliando a quem necessita, mostrando que a ferramenta mediunidade tem um só objetivo: - a caridade! Fora isso, tudo o mais fica por conta de nosso Ego.

O que colocar no barquinho de Yemanjá

                     

Muitas pessoas adorariam fazer seu barquinho, mas não sabem o que oferecer a Mãe Yemanja, o que colocar no barco é uma pergunta comum, vamos dar algumas dicas:

1- Compre um barquinho e coloque um pouco de alfazema nas mãos, passe em torne dele e faça uma oração, após a oração, coloque-o em um lugar alto, até o dia da entrega.
2- Monte seu barquinho em um lugar que você possa fazer com carinho sem ser atrapalhado por ninguém, faça orações ao colocar cada objeto ou rosa.
3- Algumas coisas são adoradas por Mamãe Yemanjá, tais como espelho, pente,perfume de alfazema, as flores são de qualquer cor, escolha aquelas que você esta precisando no momento, ou seja, amor, vermelha, branca união em geral, amarelas dinheiro.
4- Após montar o barquinho coloque seus pedidos escritos em pedaços de papel, pode colocar também pedidos de outras pessoas ou mesmo objetos e flores.
5- Ajeite tudo de forma harmoniosa, distribua o peso por igual, pode usar fita colante para segurar.
6- Após estar pronto, coloque um pouco de talco de alfazema nas palmas de suas mãos, assopre sobre o barquinho e não esqueça de falar algo a Mamãe Yemanja.
7- Coloque o barco na agua do mar, após sete ondas e deixe ser levado, se por acaso o barco virar, não pegue de volta, deixe como está, o seu pedido foi aceito e Mamãe ira lhe ajudar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Orixá de 2011 Mamãe Oxum

                        


O ano de 2011 será regido pelo Orixá Oxum, no sincretismo Nossa Senhora, promete ser um ano dotado de intuição e doçura, isso à Orixá Oxum que será a regente durante todo o ano.
A cor predominante para ser usado é a amarela ou dourada, pode ser uma peça da roupa ou mesmo uma fita.
As flores de decoração devem ser amarelas, e melhor ainda se forem lírios brancos ou amarelos.
As aguas doce são para esta Orixá sua fonte de energia renovadora, no banho deixe cair sobre seu corpo e peça a ela muita proteção.
Para atrair o poder dessa Orixá para a sua vida, melhorando também seus aspectos financeiros, aconselhamos que quando for fazer algo que necessite sua proteção utilize durante o ano roupas com uma tonalidade de amarelo.
Para as mulheres além das peças em amarelo, vocês podem usar as bijuterias na cor cobre com muito brilho.
A noite da virada é a noite das oferendas, além das oferendas (coloque uma fruta doce cortada, uma flor e um copo de agua em um canto da casa), e tenha em sua mesa abacaxi e muitas flores amarelas.
Acima de tudo 2011 será um ano de libertação, o emocional envolto de liberdade dessa Orixá clama por um espírito mais leve. Acima de tudo será um ano em que as mudanças estarão ao seu favor, caso deseje mudar nos diversos setores, só tenha cautela para que o emocional não influencie em escolhas erradas.
Quando o ano é de Mamãe Oxum, é ano de maternidade, é ano de familia unida, a força das Mamãe neste ano é predominante, a intuição oferecida a todas mães faz o ano ser harmonioso, então não deixe de se aconselhar com uma mamãe para tomar qualquer decisão importante.
Para este ano, deverá ocorrer mudanças que produzam dinheiro, ou seja é ano de começar estudos, mudar de trabalho, criar fontes de renda, mas lembre-se muita cautela e reflexão, pois as aguas de Mamãe Oxum trazem o positivo e levam o negativo, mas sem a fé e a força interior a mudança do curso é inevitável.
O Brasil deverá passar por uma grande mudança social, o crescimento será somente percebido após o segundo semestre, deverá ser associado a compra de imóveis, pois Mamãe Oxum deverá amparar com um teto a todos filhos devotos.
No amor, Mamãe Oxum estará ajudando a encontrar sua cara metade, mas você deverá procura-lo em locais que se sinta bem, que seu coração esteja feliz, use a cor amarela quando sair pra procurar seu amor.
As aguas da cachoeira é o reino de Mamãe Oxum, um ótimo lugar para fazer seus pedidos, e colocar flores e moedas como oferenda.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

As diferenças entre religião e espiritualidade

                               
A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.
A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que
fazer, querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.
A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: “aprende com o erro”.
A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e portanto é Deus.
A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.
A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.
A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.
A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.
A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualide nos faz Transcender.
A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.
A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.
A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.
A religião promete para depois da morte.

A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida e noutro plano também!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Como ajudar filhos de pais separados

                                  
Por: Vânia Machado

Por pior que esteja a situação entre os pais, brigas, frieza e até agressões, é muito difícil aceitar que as duas pessoas que nos trouxeram ao mundo, e que iriam acompanhar nosso desenvolvimento, não vão estar mais juntas. Infelizmente, de cada três casamentos um termina em divórcio, e na maioria das vezes, isso acontece com famílias que têm filhos. Nem as famílias cristãs escapam.
Para o casal, o divórcio pode significar admitir publicamente o fracasso em manter uma relação, e isso gera culpa. Eles também podem sentir tristeza, choque, medo do futuro, ressentimentos, frustrações, autopiedade e raiva. O envolvimento do casal com a situação é grande: quem fica com os filhos, quem vai ficar com o quê, onde morar...
A dor dos filhos com certeza não é menor que a deles.
Com o divórcio muitas coisas mudam. Você pode não estar mais com ambos os pais, pode ter que mudar de casa ou até de cidade e vivenciar problemas financeiros. Se a mãe não trabalhava, talvez agora tenha que trabalhar. Você pode ter vergonha do que estar acontecendo em casa e distanciar dos seus amigos para que eles não saibam; muitos parentes podem sentir pena de você e esse sentimento é ruim. Os pais podem falar mal um do outro e até pedir que você se coloque ao lado de um deles.
Em muitos casos, com medo de assumir a responsabilidade da separação, os pais empurram para os filhos a decisão, fugindo da responsabilidade que é exclusivamente deles. Diante da crise dos pais é inevitável que os filhos questionem e tenham as próprias opiniões sobre o porquê do problema. Fica mais complicado quando o filho se sente responsável pela felicidade dos pais, seja através da reconciliação do casal ou pela idéia de mantê-los separados.
Com freqüência, os filhos adolescentes costumam controlar suas próprias emoções ao tentar entender o que levou os pais à separação. Apesar de já serem capazes de formar uma opinião própria sobre o que está acontecendo, quase sempre ficam divididos entre o pai e a mãe. Mesmo quando são levados a tomar partido por um ou por outro, preferem não revelar o que sentem com medo de machucar ainda mais os pais e até de perder o amor deles.
Um dos problemas mais difíceis para os filhos é como agir com os pais separados. O filho não sabe se deve rejeitar quem provocou a separação, se deve mostrar maior preferência por um, ou se pode amá-los do mesmo jeito. Isso piora quando os pais querem que os filhos façam uma escolha entre eles ou quando os usam como “pombo-correio” na nova relação que se estabelece entre eles. Não importa o que você faça vai haver dor.
Gostaria de deixar algumas dicas para você filho:
-Na medida do possível tente manter contato com ambos.
- Você pode estar sentindo muita raiva por um deles ou pelos dois. Isso é compreensível, pois você gostaria que seus pais vivessem sempre bem. Essa raiva não resolvida vai acabar por fazer mais mal a você do que aos seus pais. Lembre-se de I João 1:9 “Se confessar os vossos pecados, Ele é fiel e justo para vos perdoar os pecados e vos purificar de toda a injustiça”. Que pecado é esse? A raiva, que possivelmente você já permitiu brotar em seu coração em relação aos seus pais. Isto se transforma numa angústia. É por isso que encontramos tanto crente “cabisbaixo”, mesmo tendo um dia aceitado a Jesus Cristo como o seu Salvador, não tiveram a coragem de confessar este mal ao Senhor.
- O amor dos pais pelos filhos tem muito a ver com o desenvolvimento da auto-estima. Se o filho se afasta ou se nega a receber o amor de um de seus pais, isso pode atrapalhar o desenvolvimento de sua personalidade.
_Não importa como seus pais se tratem mutuamente, tente manter aberto o canal de comunicação entre vocês.
-Tente não achar culpados pelo divórcio. O que pode parecer uma causa verdadeira pode ser apenas a gota d’água de uma série de questões mais profundas.
-O melhor que você pode fazer é tentar manter fora do conflito deles e não tomar partido.
- Alguns tentam se vingar dos pais causando problemas na escola.
-Você não é culpado pelos problemas de seus pais.
-Você não é uma pessoa inferior por causa da separação de seus pais. Muitos adolescentes sentem vergonha de assumir que seus pais estão separados, sentem inferiorizados e temem o preconceito dos outros.
Lembre-se que a separação se deu entre marido e mulher e não entre pais e filhos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Técnicas de Curas Espirituais


                         

Lembre-se em primeiro lugar a cura espiritual está ligado primeiramente e Fé, esta é a maior ferramenta mediúnica que um doente pode ter em suas mãos.
Para colaborar no processo de obtenção da cura para muitas enfermidades, decorrentes principalmente de desequilíbrios interiores, o Espiritismo em prega técnicas variadas: aconselhamento espiritual, evangelização, oração, passe magnético, água fluidificada, desobsessão e operação espiritual.
Estas técnicas devem ser aplicadas somente após uma avaliação prévia e precisa da situação e problemas do paciente. Elas não dispensam, evidentemente, o uso simultâneo dos amplos recursos desenvolvidos e empregados pelas ciências médicas e pelas escolas e correntes alternativas de apoio fraterno às pessoas doentes.
O domínio e o emprego daquelas técnicas de cura espiritual são bastante comuns nos Centros Espíritas, com exceção das operações espirituais, que exigem médiuns e ambientes especiais.
Os pontos que caracterizam os processos de curas no Espiritismo são o total desinteresse financeiro; o amor cristão, do qual a caridade é filha; a estreita integração entre os espíritos encarnados e desencarnados, atuando em conjunto e de forma harmônica, visando o bem, a saúde e a felicidade dos enfermos; e a participação ativa dos pacientes no processo de cura. ' Para obter sucesso no emprego dessas técnicas de cura, cabe-nos sempre atentar para os seguintes aspectos:

ACONSELHAMENTO ESPIRITUAL. Esta técnica pode ser empregada de forma individualizada, dialogando-se com o paciente sobre seus problemas específicos, ou em grupo de pessoas, tratando abertamente das dificuldades e dos desequilíbrios maiores que afetam os indivíduos. Em ambos os casos, não existe uma regra padrão para se relacionar com os pacientes. Mas, a exigência é que as soluções propostas e os conselhos espirituais, em quaisquer casos, sejam dados, rigorosamente e exclusivamente, baseados nos ensinamentos dos espíritos superiores. Neste processo de cura, destacam-se duas atribuições: a) ao orientador espírita cabe os trabalhos de conscientização para as realidades da vida do espírito eterno, de levantamento das causas reais das doenças, e de apresentação dos conselhos que implicam em mudar para melhor as causas para conter os efeitos doentios; b) ao paciente cabe ter disposição e vontade firme para se reequilibrar e pôr em prática os conselhos que concretizarão a desejada cura.

EVANGELIZAÇÃO. Muitas pessoas ficam doentes por ignorarem completamente os ensinamentos de Jesus, contidos no Evangelho.
Elas deixam de amar a Deus e aos semelhantes; não confiam no Pai e na sua justiça; esquecem a humildade; relutam em não servir ao próximo; anseiam em tomar sempre o primeiro lugar; não valorizam a simplicidade e a pureza no coração; vivem inquietos com o presente e com o amanhã; fazem o bem com ostentação; cometem adultérios; entram pela porta larga da perdição; deixam sair pela boca coisas más contidas no coração; provocam escândalos; vivem em cólera contra os irmãos; recusam-se a perdoar e a reconciliar com os adversários; julgam e condenam os outros sem misericórdia; atiram a primeira pedra mesmo tendo pecados; não amam os inimigos, não fazem o bem aos que os odeiam e nem oram pelos que os perseguem e os caluniam; afadigam-se pela posse do ouro, da prata e das moedas; não se preservam da avareza; acumulam tesouros só na Terra e não no Céu; não convidam para o festim os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos; não dão aos mais pequeninos nem de comer, nem de beber, nem hospedagem, nem vestimenta e nem os visitam quando doentes ou presos; resistem ao mal, não apresentam a outra face ante a agressão, não entregam a túnica e o manto, nem caminham além do exigido sob coação, não dão aos que pedem e repelem os que querem emprestado; não tratam os semelhantes como gostariam de ser tratados.
A evangelização é eficiente meio de cura para as conseqüências doentias desses comportamentos. E o Evangelho Segundo o Espiritismo, norteando o trabalho de evangelização nos Centros Espíritas e o culto do Evangelho no lar, deve ser o instrumento de transformação íntima dos doentes da alma.

ORAÇÃO. Quando estamos aflitos, desequilibrados emocionalmente ou enfermos, devemos orar a Deus, a Jesus e aos bons espíritos rogando a paz interior, o reequilíbrio e a cura.
Sempre haverá uma resposta à nossa súplica, pois todas as preces são ouvidas, selecionadas, analisadas e atendidas, fraternalmente, da melhor maneira, pelos espíritos de diversas esferas espirituais de acordo com os nossos merecimentos e necessidades.
O poder de nossa prece está na vontade, nos pensamentos e sentimentos sinceros e elevados e não nos gestos e formalidades exteriores e o nosso sofrimento decorre de excessos, vícios, crimes e faltas cometidas, a prece propiciará coragem, força moral, paciência e resignação, mas não dispensará o arrependimento sincero, a reparação necessária e o retorno às sendas do amor, do bem e das virtudes, que garantem o restabelecimento físico, moral e emocional duradouro.
A oração, por imunizar-nos contra o mal pelo halo de proteção que forma; por atrair ajuda espiritual; por evitar a irritação, a angústia, o ressentimento, a depressão e outras desvirtudes da alma que levam a muitos males e enfermidades; por ser valioso recurso no reequilíbrio interior, na mudança de um estado doentio da consciência e na cura do corpo, deve estar, de modo permanente, incorporada em nossos hábitos diários.

PASSE MAGNÉTICO.
Com base na ampla literatura espírita, eis alguns pontos que devem ser conhecidos e rigorosamente observados durante a aplicação e a recepção do passe, tanto pelos passistas como pelos pacientes, para sua maior eficácia no reestímulo dos centros vitais dos corpos espiritual e físico e no processo de cura espiritual: a) Deveres do passista: Preparar-se previamente para o trabalho mantendo domínio sobre si mesmo, equilíbrio nas emoções e sentimentos, amor pelos semelhantes e confiança no poder divino e na faculdade de curar. Cuidar-se para manter sempre um bom estado de saúde. Não cometer excessos na alimentação e dispensar o álcool, tóxicos e cigarros.
Preparar o ambiente com preces, leituras e comentários evangélicos e doutrinários de paz, alegria e otimismo. Manter sempre um padrão moral, mental e sentimental elevado para facilitar a sintonia com os espíritos magnetizadores e técnicos em auxílio magnético. Respeitar o dia e o horário do serviço de socorro magnético. Colocar as mãos sobre os enfermos para doar os recursos magnéticos.
Não tocar no paciente, pois a energia fluídica penetra o corpo e é assimilada pelo sangue, provocando mudanças salutares nos órgãos.
Dispensar roupas especiais, gesticulações, respiração ofegante, bocejos, estalidos dos dedos, tremores, etc. Pode-se diminuir a iluminação para facilitar a concentração no trabalho de assistência magnética. Manter uma postura descontraída, para melhor fluir as irradiações magnéticas. Esta, convencido de que está na força mental o poder de harmonizar-se com os bons espíritos, controlar c fluido magnético e transformá-lo em recursos estimulantes e benéficos. Estar ciente de que constitui-se apenas em instrumento de socorro do plano espiritual ao transmitir, em conjunto com os espíritos, fluidos bons, salutares e curadores. Estai consciente de que a vontade de ajudar e o desejo e o pensamento de reequilibrar e beneficiar o paciente atuam sobre os fluidos espirituais à volta. Estar convicto que sua energia magnética será harmonizada, modificada e intensificada pelos bons espíritos de acordo com as necessidades e méritos dos pacientes.
b) Deveres do paciente: Assimilar as instruções contidas nos ensinamentos espíritas buscando a própria tranqüilidade, o reequilíbrio interior, a superação das aflições, dores e angústias, o entendimento das leis que regem a vida, o conhecimento de si mesmo, das causas dos desequilíbrios e das mudanças necessárias para curar-se. Pedir, humildemente, em prece, a ajuda de
Deus e dos bons espíritos. Confiar na intervenção e socorro do plano espiritual superior e na conquista da cura. Tornar-se receptivo aos benefícios do passe magnético pela aceitação, recolhimento, respeito, vontade de sarar, fé e confiança na obtenção da cura. Estar consciente de que a ajuda divina e o merecimento da cura decorrem da vontade sincera de reparar excessos, vícios, crimes e desvirtudes e de conquistar aprimoramento pessoal.

ÁGUA FLUIDIFICADA. A água potável, por absorver facilmente as partículas magnéticas sutis que lhe são projetadas pelo pensamento em prece, pelos sentimentos de amor, bondade e confiança e pelo desejo de se harmonizar com os bons espíritos e servir o próximo, pode ser fluidificada, isto é, receber energias magnéticas e fluídicas e medicação do Céu, adquirindo grande valor terapêutico. Por isso nos recomenda Emmanuel, através de Chico Xavier: "Se desejas o concurso dos Amigos Espirituais, na solução de tuas necessidades fisiológicas ou dos problemas de saúde e equilíbrio dos companheiros, coloca o teu recipiente de água cristalina à frente de tuas orações, espera e confia.
O orvalho do Plano Divino magnetizará o líquido, com raios de amor, em forma de bênção, e estarás, então, consagrando o sublime ensinamento do copo de água pura, abençoado nos Céus."

DESOBSESSAO.
A influência perniciosa de espíritos ainda inferiores, sobas formas de obsessão, fascinação e subjugação, leva certas pessoas a
terem sintomas doentios e a adotarem atitudes extravagantes. A desobsessão é o processo de cura indicado para esses casos, quando comprovados. Como não existe lesão orgânica, o afastamento do espírito mau elimina a influência estranha, promovendo naturalmente a cura.
O espírito ainda imperfeito exerce sua influência em função da similitude de inclinações, intenções e disposições; do idêntico grau de moralidade; da fraqueza na vontade própria do obsidiado; da pouca resistência às sugestões inoportunas; do prazer que o espírito obsessor sente em atormentar a pessoa; do propósito de desforra e vingança por débitos, ódios e cumplicidades em delinqüências gravados em vida passada; da fácil combinação de fluidos entre os perispíritos do encarnado e do desencarnado, permitindo o envolvimento e a ação do espírito obsessor.
Para se obter sucesso pleno no trabalho de desobsessão, torna-se imprescindível: a) fornecer ao paciente, através de passe magnético, recursos fluídicos de natureza elevada e contrária à do espírito obsessor, visando cortar as ligações mentais telepáticas ou hipnóticas; b) utilizar a prece para atrair a ajuda de Deus e dos bons espíritos, para elevar o padrão vibratório da vítima e para sensibilizar o espírito mau para a mudança de propósitos e de sentimentos; c) contar com o auxílio e o trabalho dos bons espíritos no plano espiritual; d) evocar o espírito obsessor para, numa conversa fraterna e franca, procurar aconselhá-lo para o bem e convencê-lo das conseqüências da prática do mal e da importância do perdão e da renúncia aos maus propósitos; ei que a pessoa atormentada tenha força de vontade para opor resistências às más sugestões e se renove moralmente para afastar o obsessor e eliminar os fluidos malsãos que a envolvem; f) que o orientador dos trabalhos tenha amor, paciência, fé, perseverança, modéstia e completo desinteresse moral e material; g) que o espírito obsessor se afaste espontaneamente pela renúncia do mau propósito, pela transformação em amigo e pelo desejo de moralizar-se e de mudar para melhor os sentimentos e as imperfeições.

OPERAÇÕES ESPIRITUAIS.
As cirurgias feitas por espíritos abrangem quatro tipos:
a) Operações e aplicações de recursos do magnetismo curador no perispírito, com reflexos patentes, imediatos ou não, nos órgãos doentios do corpo físico, sem a presença de um médium no loca1. Essas intervenções se dão na própria residência ou local de internação do paciente, enquanto geralmente este dorme. Elas decorrem do merecimento, da fé e das preces do próprio doente ou dos dirigentes de Centros Espíritas ou de outros cultos religiosos. A presença dos bons espíritos, às vezes, é sentida pelo doente. Estas são as conhecidas curas à distância.
b) Operações no corpo espiritual e aplicações de recursos energéticos curadores sutis, com o espírito de um médico incorporado em um médium.
A cura dos órgãos doentes é imediata ou a médio prazo. O médico espiritual faz o diagnóstico, a intervenção no perispírito, a aplicação de passes magnéticos, e dá as orientações necessárias à concretização da cura. Este tipo de operação está se tornando comum nos Centros Espíritas.
c) Operações com o uso de instrumentos cirúrgicos para realizar raspagens, cortes e extrações de órgãos doentes do corpo material. O espírito do médico utiliza-se de um médium inconsciente para evitar interferências. O controle pleno está com os seres espirituais que tomam decisões quanto a anestesia, o tipo e o modo de operação e os cuidados pós-operatórios. O exemplo mais expressivo foi o do médium Arigó (José Pedro de Freitas), cujo trabalho foi estudado pelo professor José Herculano Pires e publicado pela Edicel em 1966. Atualmente, alguns médiuns servem de instrumento para a realização de trabalhos idênticos.
d) Operações, na presença de um médium em transe que fornece uma substância chamada ectoplasma, feitas pelo espírito de um médico materializado. A intervenção cirúrgica é feita com materiais e instrumentos materializados sob o controle do plano espiritual. Um caso típico, de grande repercussão, encontra-se documentado no livro "Operações Espirituais" de autoria de Urbano Pereira, reeditado pelo (IDE de Araras-SP).

CONCLUSÃO: Cada paciente apresenta-se com particularidades próprias. Portanto, só a avaliação caso a caso pode indicar a melhor técnica de terapia. Mas, o restabelecimento da saúde física não depende só da precisão do diagnóstico e do emprego da técnica de cura mais apropriada; depende também do poder das energias curadoras atuarem nos corpos espiritual e material sob o comando dos dirigentes, médiuns e espíritos socorristas; das mudanças para melhor que o doente consegue realizar nos sentimentos, pensamentos e atitudes; da reabilitação íntima, do reequilíbrio, da renovação interior por parte da pessoa enferma pela eliminação das tendências infelizes, pela prática do amor e pela construção do bem de todos; das provas, expiações, experiências e resgates de débitos passados que o paciente tem que passar nesta vida; e das concessões da misericórdia divina decorrentes dos méritos e das conquistas espirituais do enfermo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sabedoria do Silêncio

                    

Fale simplesmente quando for necessário. Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair a palavra pela boca, deixa sair, ao mesmo tempo, parte da sua vitalidade. Desenvolva a arte de falar sem perder a energia.
Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe e não utilize em seu vocabulário palavras que projetem imagens negativas, porque isto produzirá ao teu redor tudo o que criou com suas palavras carregadas de Chi (energia criadora).
Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor se calar e não dizer nada.
Aprenda a ser como um espelho; observe e reflita a energia.
Se você se identifica com o fracasso, terá fracasso. Se você se identifica com o êxito, terá êxito. Assim podemos observar que as circunstâncias que vivemos são, simplesmente, manifestações externas do conteúdo de nossa conversa interna.
Não se dê muita importância. Seja humilde, porque quanto mais se mostrar superior, inteligente e prepotente, mais se tornará prisioneiro de sua própria imagem, e viverá num mundo de tensões e ilusões.
Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta maneira você se libera da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente.
Ajude os outros perceberem suas qualidades, suas virtudes e a brilhar.
Não entre em competição com os demais; torne-se como a terra que nos nutre, que nos dá o necessário. O espírito competitivo faz com que o ego cresça, nos separa e cria conflitos, inevitavelmente.
Tenha confiança em si mesmo, preserve sua paz interna evitando entrar em provocações e nas trapaças dos outros.
Não se comprometa facilmente. Se agir de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação, vai acabar criando complicações.
Tome um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta a ti, e só então tome uma decisão. Assim desenvolverás a confiança em ti mesmo e a sabedoria.
Se realmente há algo que não sabe, ou não tenha a resposta a uma pergunta que tenham feito, aceite o fato.
O fato de não saber é muito incômodo para o ego porque ele gosta de saber tudo, sempre ter razão e sempre dar sua opinião muito pessoal.
Evite o hábito de julgar e criticar as pessoas. Cada vez que você julga alguém, a única coisa que faz é expressar sua opinião, e isso é uma perda de energia, é puro barulho.
Julgar, é uma maneira de esconder suas próprias fraquezas.O sábio a tudo tolera, sem dizer uma palavra.
Recorde que tudo que te incomoda nos outros é uma projeção de tudo que não venceu em si mesmo.Deixe que cada um resolva seus problemas e concentre sua energia em sua própria vida.
Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando você tenta se defender, na realidade está dando demasiada importância às palavras dos outros, dando mais força à agressão deles.
Pratique a arte do não falar. Tome um dia da semana para abster-se de falar. Ou, pelo menos, algumas horas no dia, segundo permitir a sua organização pessoal.
Graças a essa força, atrairá para si tudo que necessita para sua própria realização e completa liberação.
Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre. O poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio.
Se teu ego se impõe e abusa desse poder, o mesmo poder se converterá em um veneno, e todo seu ser se envenenará rapidamente.
Respeite a vida dos demais e de tudo que existe no mundo.
Não force, manipule ou controle o próximo.
Converta-se em seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que são, ou o que têm a capacidade de ser.
Dizendo em outras palavras, viva seguindo a vida sagrada do TAO.

(Texto Taoísta)

São necessários apenas dois anos para que o ser humano aprenda a falar
e toda uma vida para que ele aprenda a ficar em silêncio .

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Axé através da Mediunidade

              
Axé é o fluido cósmico universal.
Tudo tem axé:
os minerais, as matas, as folhas, os frutos, a terra, os rios, os mares, o ar, o fogo.
Todos nós, seres vivos, animamos um corpo físico que é energia condensada, e que também pode ser definido como "uma usina de fluido animal" (um tipo específico de axé), pois estamos em constante metabolismo energético para a sustentação biológica da vida, que é amparada por um emaranhado de órgãos, nervos e músculos, os quais liberam, durante o trabalho de quebra de proteína realizado no interior de suas células, uma substância etéreo-física de que os mentores espirituais se utilizam em forma de ectoplasma.
Durante a manifestação mediúnica no terreiro, são liberadas grandes quantidades de ectoplasma, decorrentes do próprio metabolismo orgânico dos médiuns e da multiplicação celular realizada em nível de plasma sanguíneo (na verdade, uma variedade de axé).
Portanto, estamos sempre produzindo novas matrizes celulares, e a cada sete anos, em média, temos um corpo físico "novo". Nossa fisiologia é sensível à produção de um manancial fluídico consistente e necessário, uma espécie de "combustível" indispensável às curas, desmanchos de magias e outras atividades espirituais que ocorrem nas sessões mediúnicas, inclusive as cirurgias astrais.
Essa força fluídica que em tudo está é da natureza universal, independentemente do nome que queiramos designá-la.
Os orientais a definem como prana.
Numa linguagem mais esotérica, é fruto de variações, no plano etéreo-físico, da energia primordial que sustenta o Cosmo, em maior ou menor nível de condensação, para se manifestar no meio materializado afim. Existe uma natural, permanente e constante permuta de axé entre os planos vibratórios e as dimensões.
Liberam axé processos químicos do tipo:
decomposição orgânica, evaporação, volatização e corrosão de certos elementos.
É possível a liberação de axé do plano físico para o éter espiritual intencionalmente, por meio da queima de ervas e macerações, ou nas oferendas rituais com frutas, perfumes, água, bebidas e folhas.
O axé é importantíssimo para a realização de todos os trabalhos mediúnicos.
Na umbanda, o método de movimentação dessa substância difere dos utilizados em outros cultos aos orixás, já que a mediunidade é sua ferramenta propulsora e condutora.
É por meio da força mental do médium, potencializada pelos espíritos-guias, que são feitos os deslocamentos de axé-fluido-energia.
Os elementos materiais também podem ser utilizados, e então funcionam como potentes condensadores energéticos. Mas não são indispensáveis, pois deve prevalecer o mediunismo, e precisam ser encarados como importantes elementos de apoio, sem que deles criemos uma dependência psicológica ritualística
Entendemos que o equilíbrio na movimentação de axé se deve ao fato de que são utilizadas quantidades precisas e necessárias à caridade, não existindo excesso ou carência.
Sejam os fluidos liberados pelos elementos materiais manipulados, ou pelo axé trazido pelos guias das matas e do plano astral, associado ao fornecido pelos médiuns, não há nenhum excesso. Há de se considerar que uma parcela da assistência é doadora natural de axé positivo, o que se dá em virtude da fé, da veneração e da confiança no congá e nos guias espirituais.
Toda a movimentação de axé é potencializada pelos espíritos que atuam na umbanda, falangeiros dos orixás que têm o poder mental para deslocar o axé relacionado com cada orixá e seu sítio vibracional correspondente na natureza. Todos esses procedimentos de atração e movimentação de axé não são baseados em trocas, obrigações, barganhas, "toma lá da cá", e sim na caridade desinteressada.
Falar em movimentação de axé sem citar exu é como andar de sapatos sem solas: um faz parte do outro. É exu, enquanto vibração, que desloca o axé entre os planos vibratórios; ele é o elemento dinâmico de comunicação dos orixás que se expressa quando o canal mediunidade é ativado.
Como o axé é o sustentáculo da prática litúrgica umbandista, precisa ser regularmente realimentado, pois tudo o que entra sai, o que sobe desce, o que abre fecha, o que vitaliza se desvitaliza, para haver um perfeito equilíbrio magístico entre a dimensão concreta (física) e a rarefeita (espiritual).
Sendo assim, mesmo que não manifestado pelo mecanismo da incorporação, pois existem terreiros que não permitem a manifestação dessa vibratória no psiquismo de seus médiuns, exu é o elo de ligação indispensável no ritual de umbanda. Por isso, não é necessário usar o axé do sangue nos trabalhos, hábito atávico que permanece em outros cultos, os quais respeitamos, sem emitir quaisquer julgamentos, pois não somos juízes de nenhuma religião, embora nossa consciência não aceite a prática de tais atos litúrgicos, mesmo com fins "sagrados".
Na umbanda, o aparelho mediúnico é o meio vitalizador do ciclo cósmico de movimentação do axé, retro-alimentando-o. Sendo usina viva de protoplasma sanguíneo (ectoplasma específico gerado a partir do citoplasma das células), a cada batida do seu coração a energia vital circula em sua aura, através do corpo etérico, repercutindo em extratos vibratórios nos corpos mais sutis, e volatilizando no plano astral.
Assim, os espíritos mentores, quais pastores de ovelha tosquiando a lã nas quantidades exatas que se renovarão, apóiam-se nos médiuns que fornecem a energia vital indispensável aos trabalhos caritativos.
Entendemos que o amor dos guias espirituais, enviados dos orixás na prática da caridade umbandista, não combina com a imolação de um animal ou o sacrifício de uma vida para elaboração de uma oferenda votiva com a intenção de estabelecer o intercâmbio com o "divino", objetivando uma troca de axé, ou para atender pedidos pessoais acionados por trabalhos pagos.
Existem espíritos mistificadores, muitos dos quais fazendo-se passar por verdadeiros guias da umbanda, que pedem sacrifícios e comidas, a fim de vampirizar esses fluídos. Estes são dignos de amparo e socorro, que é o que fazem as falanges de umbanda.

fonte: livro Umbanda Pé no chão

Fundamentos de um Templo de Umbanda

                            
 Queridos irmãos, nada pode ser escondido do Grande Criador, nada acontece sem seu consentimento, não cai uma folhinha de uma árvore se não for por obra de Oxalá.

Todo terreiro de Umbanda, ou melhor, todo templo religioso, deve ser fundamentado sobre algumas diretrizes e princípios dos quais todos os demais ensinamentos, ações e expressões devem sair.
Assim manter público e sempre exposto os princípios e fundamentos do terreiro deixarão claro como são os trabalhos, como dedicamos nossas vidas a nossa Umbanda e como procedemos os trabalhos de caridade. Acima de tudo tentamos manter vivos os ensinamentos de Jesus Cristo, o código moral e ético da casa está sedimentado na vida e obra desse grande mestre da espiritualidade o nosso Senhor Jesus Cristo.
 São os fundamentos dos Templos, Casas, Terreiros de Umbanda.

      - A caridade - Ama a teu próximo como a ti mesmo
      - A gratuidade de todos os atendimentos e trabalhos
      - A não utilização de sangue ou de sacrifício animal
      - Não é realizado nenhum trabalho para o prejuízo de alguém
      - Recepção com amor a todos, sem qualquer preconceito ou discriminação, seja pela condição social, condição financeira, pela cor da pela, ou pela raça, pelo sexo ou pela opção sexual ou pela religião
      - A crença em um único Deus (Umbanda é monoteísta)
      - A crença nos Orixás como emanações do próprio Criador
      - A sobrevivência do espírito (alma) após a morte carnal
      - A lei das reencarnações
      - A manifestação dos espíritos desencarnados no mundo material por meio dos médiuns
      - A lei de ação e reação ou lei kármica
      - Um ritual como forma de disciplina e orientação
      - Que a Umbanda é uma religião mediúnica e alquímica (ou magística)

Uma descrição completa sobre os fundamentos de uma Casa de Umbanda

      - desse mais importante fundamento extrai-se:
      - Daí de graça o que de graças recebestes. Não se aceita a cobrança por qualquer trabalho ou atendimento, seja por meio de moeda ou equivalentes, não vendais seus princípios em troca de favores aos mais abastardos;
      - Amar e aceitar todos os que ao terreiro recorrerem, encarnados ou desencarnados, sem preconceito seja ele social, saúde, racial, religioso ou de opção sexual;
      - A não aceitação e assim muito menos a prática de qualquer ato que produza, mesmo que indiretamente, o mal. Desta forma não são praticados atos que burlem, interrompam ou desviam a lei de ação e reação, tais como amarrações, prejuízos a outrem, ou punição a inimigos.

      1. a prática da caridade (caridade entendido como o amor mais puro e desprendido a exemplo de Jesus Cristo), o que se exalta: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”;
      2. A crença em um Deus-uno (monoteísmo) cujo nome varia podendo ser chamado de Deus, Olorum, Zambi, e assim por diante. O único ser incriado que emana de Si toda a criação;
      3. A crença nos Orixás como emanações de Deus, como a própria manifestação do Criador, os Orixás são o “hálito de Deus”
      4. Na vida após a morte, na vida espiritual e na sucessivas encarnações (crê-se nas reencarnações) e que a liberdade verdadeira, e a felicidade verdadeira só serão alcançadas quando encerrarmos o ciclo de reencarnações;
      5. Que todo espírito é filho de Deus e assim dos Orixás e merece nosso respeito, amor, dedicação e atenção. Para aqueles que tiverem que ensinar, aprenderemos, para aqueles que necessitarem de luz e amor, serviremos de instrumento para a força (axé) dos Orixás por meio de seus mensageiros;
      6. Que os espíritos podem se comunicar com o mundo material por meio dos encarnados no fenômeno natural conhecido como mediunidade;
      7. Que a mediunidade não é um Dom divino e sim uma faculdade que devemos zelar, proteger e desenvolver para dela fazermos a vontade do Pai;
      8. Que os Orixás por serem a própria manifestação e essência divina não podem se manifestar diretamente nos terreiros de Umbanda. Assim o fazem por meio de espíritos de luz, os chamados guias, que se apresentam em formas, em roupagens fluídicas que denominamos forma-apresentação;
      9. Um ritual como forma de disciplina e orientação, bem como de condução e concentração dos processos mediúnicos;
      10. A lei de Ação e Reação, ou também conhecida como lei Kármica, que diz que toda ação, ou omissão que fazemos teremos um retorno. Somos hoje o reflexo de nossas ações no passado, quem magoamos, quem ajudamos. Assim o futuro de nossas vidas será o reflexo de nossas ações e omissão no momento atual. E que essa lei não é punitiva e sim educativa, por meio dela é que alcançaremos a iluminação e a felicidade;
      11. Que a Umbanda é uma religião mediúnica e alquímica (ou magística). Isso significa que a Umbanda pode transmutar estados, sejam eles mentais, espirituais ou físicos.
      12. A não utilização de qualquer sacrifício animal, bem como a proibição da utilização de qualquer elemento que contenha sangue (sangue, vísceras e a própria carne);
      13. O Pai espiritual (Pai ou Mãe de Santo), deve tratar a todos médiuns, filhos da casa, consulentes, e quem quer que venha a casa de caridade com o mesmo propósito digno humano, a fim de não haver conflitos de interesses, cabe ao pai da casa manter a harmonia entre todos, dispor por igual suas atitudes, não descriminar nenhum filho de Deus, pois quem descrimina será descriminado perante seu julgamento final.
                            

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Chega de viver a história, vamos fazer história!!!

                          

Estamos no final do ano, mais um grito de esperança surgirá dentro de nós e mais uma vez o milagre da fé brotará em nossos corações.
Percebam como é importante essa época do ano em vários aspectos, é uma correria danada, são inúmeros projetos de vida, várias mensagens e vibrações recebidas e dadas por nós, não é mesmo? E ainda temos, entre tantas coisas, as festas de encerramento nas empresas, amigos secretos, reuniões familiares, uma infinidade de presentes, surgimento de novas prestações, uma quantidade absurda de desperdício, um consumismo desenfreado, valores e alegrias relacionados ao presente… Uma loucura! E em algumas situações uma loucura de tristeza e de falta de valores.
Pois bem, além dessas situações, nessa época as lembranças e as reflexões também se acentuam e, muitas vezes, pela nossa predisposição ao caos e ao vitimismo esses pensamentos são direcionados aos momentos de fracassos, perdas, dores e tristezas, quase nunca se percebe o lado positivo da ‘coisa’ e as oportunidades, as conquistas e os movimentos decorridos desses momentos são esquecidos completamente, restando apenas a angústia pela insatisfação e pela lamentação.
Portanto, precisamos ficar atentos com essa intensa vibração emocional que paira deliberadamente sobre todos nós, criando uma expressiva “forma pensamento” que nos alimenta por questões de afinidade e ao mesmo tempo se alimenta de nós por questões viciosas, tudo em uma perfeita e doentia simbiose.
É FATO que todos passam por situações difíceis, que todos têm seus aprendizados e experiências próprias. É FATO que ninguém pode “passar” pelo outro e que ninguém tem aquilo que não é de seu merecimento. É FATO que não existem coincidências. É FATO que a Lei de Ação e Reação age justamente em nossas vidas.  É FATO que NUNCA estamos sozinhos, portanto, a questão é: qual o valor que vamos dar a cada momento? O que estamos alimentando e vivenciando? Com o que estamos nos afinizando e comungando? O que queremos, ou melhor, como queremos viver???
Agradeceremos ou lamentaremos?
Choraremos ou sorriremos?
Perceberemos as oportunidades, o novo e a vida, seja ela em qualquer situação ou dimensão, ou lamuriaremos a água passada, o tremor da terra, o vento forte e o fogo quente???
Reflitam, a água passa MESMO, a terra treme MESMO, o vento é forte MESMO, o fogo é quente MESMO, assim como as coisas que acontecem diariamente na vida de todos, assim como a dor, a doença, a perda… portanto a questão não é vivenciar o fato, mas pensar nos atos.
Ou seja, quais estão sendo nossos atos em relação a qualquer fato? Mesmo porque, fato é já um Fato, o que podemos fazer é “apenas” mudar a relação, a concepção e a aceitação daquilo que não podemos mudar, daquilo que é natural.
As escolhas são nossas, a vida é nossa, as oportunidades são dadas a nós, não temos  como contestar esse fato, ou seja, a escolha é nossa.
Portanto vamos aproveitar as reflexões, pensamentos e …..  vamos ser felizes!
Vamos perceber que o importante é o caminho e o caminhar e não necessariamente o chegar.
Vamos insistir, persistir e ser felizes.
Vamos aproveitar, vamos agradecer cada oportunidade, cada experiência, cada momento, deixando pra lá o mau humor, a tristeza, a lamentação, afinal temos uma Luz dentro de nós e essa Luz só ilumina através de nós. Essa Luz depende só de nós e de nosso olhar e de nosso acreditar, assim como a felicidade também depende somente de nós, de nosso espírito, de nossa visão e aceitação de vida e da vida.
Se é momento de pensar, refletir, planejar…Pois bem, que sejam momentos Divinos, de puro agradecimento, mesmo porque nada aconteceu na hora errada e de forma errada.
Que seja um momento de olhar para frente e de fazer a história. Chega de viver a história, vamos fazer história!
Vamos plantar dentro de nós os lírios mais brancos e iluminados que alguém já viu. Vamos cultivar esses lírios alimentando-os  com nosso trabalho, com nosso sorriso, nossa esperança e nossa persistência e vamos, quem sabe, levá-los às águas de Iemanjá, levá-los aos Orixás em forma de Corpo e Alma, em energia de Paz e Amor e em manifesto de Fé e Determinação.
Vamos olhar ao próximo com olhar de criança, com olhar de esperança, com olhar de Amor.
Vamos agradecer, agradecer e agradecer, afinal se criamos, alimentamos e somos alimentados por “formas pensamentos”, então que essas sejam as mais Divinas, as mais Alegres e as mais Esperançosas que o Astral já tenha visto e sentido.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Umbandista, estudar é preciso!

                         
Antes de tecermos comentários sobre o presente tema, exporemos três situações, a título exemplificativo, que serão de grande valia para um cabal entendimento do assunto a ser abordado.

CASO 1:
Mário, rapaz dotado de aflorada sensibilidade físico-espiritual que em tese poderá levá-lo a tornar-se um bom instrumento (médium) de interação entre o plano astral e o terreno, é levado por parentes umbandistas a um Templo. Detectada sua capacidade mediúnica pela direção daquele espaço de caridade, é convidado a ingressar no corpo sacerdotal da casa pouco tempo depois. Aceita o convite. Em determinada sessão é apresentado aos partícipes como novo membro do terreiro, no nível de iniciante. Porém, é "jogado" dentro da corrente de trabalhos espirituais sem os conhecimentos elementares sobre as bases, características, diretrizes, atributos, história da religião etc.
Mario vê-se confuso diante de uma série de fatos para ele desconhecidos. Sem convicção religiosa e consciência daquilo que faz e acontece a sua volta, procura esclarecer-se com os integrantes da Instituição, sem, contudo encontrar respostas ou apoio. Desestimulado, solicita exclusão do grupo mediúnico meses depois.

CASO 2:
Tereza é umbandista há 20 anos. Labora mediunicamente com grande seriedade e satisfação. Orgulhosa, costuma dizer que se realiza com a religião que abraçou. Em determinado encontro social onde estavam presentes pessoas de outros segmentos religiosos, Tereza vê-se diante de inúmeras perguntas que lhe são dirigidas, umas por curiosidade, outras para tentar ridicularizar a Umbanda. Nada pode fazer. Apesar de tantos anos de religião falta-se a doutrina, o estudo, ferramentas poderosas para enfrentar situações como a que está passando. Sente-se desacreditada e desrespeitada em sua atividade religiosa. Como defender a religião se não tenho os instrumentos básicos para tal? - pensa ela. Observa então que tempo de labor mediúnico, a serenidade, a disciplina, e as práticas de terreiro não são suficientes naquele momento para deixar a imagem da Umbanda imaculada. A tristeza lhe invade a alma.

CASO 3:

Rogério, homem de meia-idade é médium ativo de um Templo Umbandista há 15 anos. Por meio de inspiração é informado por seu Guia Espiritual para preparar-se, pois era chegada a hora de se fundar um terreiro. Sem tempo a perder e com base apenas na prática que absorveu ao longo dos anos, edifica uma pequena casa e convida alguns companheiros da religião para a grande empreitada caritativa. O tempo passa e o número de médiuns chega a uma quantidade considerável. Ao lado de seus antigos companheiros co-fundadores, Rogério observa agora médiuns novos, de diferentes idades e nível intelecto-cultural elevado. Desejosos em conhecer os aspectos doutrinários e litúrgicos pertinentes a Umbanda, solicitam explicações. Em situação constrangedora, o dirigente não sabe o que dizer. Falta-se o estudo, faltam-se conceitos, falta-se à base. Pouco a pouco alguns médiuns se afastam da casa, alguns em silêncio, outros comentando que não poderiam continuar a fazer parte de uma instituição religiosa de Umbanda onde o diretor material de culto, principal referencial de segurança e esclarecimentos, não sabe elucidar o que acontece dentro do próprio terreiro.
Os casos acima narrados, além de outros, força-nos de maneira inequívoca a apontarmos uma triste realidade dentro do Movimento Umbandista. A deficiência doutrinária de expressiva parte dos médiuns que compõem as diversas correntes templárias. E esta precariedade (ou ausência) de conhecimentos relativos à nossa religião está diretamente ligada à falta de núcleos de estudos dentro dos terrenos de Umbanda.
Não fazemos estas afirmações com intuito de ferirmos suscetibilidades ou condenarmos por omissão fulano ou beltrano. Deixemos que a própria consciência daqueles que podiam ou podem mudar tal estado de coisas seja seu julgador.
Preocupa-nos tão somente os efeitos que tal omissão tem ocasionado na formação doutrinária dos médiuns umbandistas e dos reflexos advindos frente às atividades mediúnico-espirituais. Porque quanto mais bem preparado for o médium em quesitos tais como moral, caráter, doutrina etc. mais se constituirá em eficiente instrumento para o trabalho do mundo espiritual. Ao contrário daqueles que se eximem de suas responsabilidades, transferindo os encargos que lhes são próprios para a Espiritualidade, somos de opinião que o melhor caminho a seguir é assumirmos os nossos deveres e externarmos nosso amor e fidelidade à Umbanda, estruturando e fomentando o estudo, o debate construtivo, a formulação de teses, seminários, e ações similares dentro dos templos de nossa religião.
Não é demais lembrarmos que materialmente falando o grande corpo religioso nominado Umbanda é a resultante da atividade de micro células denominadas médiuns, que em conjunto formam as macro células, vale dizer, os Templos. Desta forma, quanto mais bem preparados forem os médiuns de uma Casa Umbandista, mais esta Instituição terá respeitabilidade e credibilidade em nossa sociedade.
E se mais e mais Templos Umbandistas alcançarem tais qualificativos, mais a Umbanda se conceituará em religião séria que é. Neste sentido, é crucial que alguns dirigentes deixem em plano secundário ou eliminem de suas vidas a vaidade destrutiva, o receio por novos projetos, e, sobretudo, joguem fora a idéia de que por serem presidentes ou diretores de culto, ou ainda terem 40, 50, ou 60 anos de Umbanda, detêm todos os conhecimentos litúrgicos, doutrinários e magísticos, não necessitando o auxilio de terceiros, ou de estudos para atividades religiosas práticas.
Os que assim pensam estão caminhando na direção contrária do progresso, do aperfeiçoamento, da evolução. Invariavelmente a cada sessão ou gira, a cada estudo, a cada permuta de idéias, a cada formulação de teorias, a cada observação, aprendemos um pouco mais.
Uns se tornam mais esclarecidos que outros, mas ninguém é detentor de todas as informações. A implantação de Escolas Doutrinárias, de Iniciação, são instrumentos de grande valor para a capacitação instrucional daqueles que desejam atuar como médiuns umbandistas.
Além disto, são nestes núcleos de formação doutrinária que se poderá avaliar o interesse, a intenção, o caráter, a moral, e a seriedade do candidato ao corpo mediúnico. E é aí também que o aluno começará seu processo de consciência religiosa em relação à Umbanda, fazendo cair por terra eventuais conceitos errôneos atribuídos à religião; terá as informações básicas a respeito do funcionamento da Instituição, sua ritualística, sua liturgia etc. que o proporcionará entrar no espaço de caridade de forma tranqüila e segura, ciente de seu procedimento e do que acontece em seu redor.
Por conta da maioria dos terreiros ainda não terem estruturado tais escolas, o que se observa é a facilidade com que muitos candidatos ao sacerdócio umbandista se integram a corrente mediúnica de uma Casa.
Não há um substancial cuidado em se avaliar se a pessoa é realmente médium ou se está passando apenas por problemas obsessivos; se é uma pessoa com bons propósitos ou se está a procura de diversão, aconchegos e conchavos; se quer ser um digno intermediário entre o mundo espiritual e o físico ou apenas deseja espaço para servir de passarela para sua vaidade e o seu egocentrismo. E dizemos mais. O estudo não deve se restringir somente aos iniciantes na religião. Deve alcançar também aqueles indivíduos já integrados ao colegiado mediúnico, não importando seu tempo de casa.
Reciclagem e aprendizado periódicos serão sempre de grande relevância para o aperfeiçoamento dos médiuns de uma coletividade umbandista.
Esperamos com estas abordagens que os responsáveis pela direção material dos terreiros e demais médiuns que compõem a classe sacerdotal da Umbanda se sensibilizem e sejam impelidos por suas consciências a implantarem ou solicitarem a implantação de Escolas Doutrinárias dentro dos espaços religiosos umbandistas.
Diga SIM ao estudo! Salve a Umbanda!

fonte:Umbanda para todos

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fundamentos da Reforma Íntima

                                    
Quando pensamos em REFORMA ÍNTIMA sempre devemos começar com um estudo relativo autocrítica e à conscientização dela decorrente, sempre devemos nos lembrar de Santo Agostinho. Cada pessoa, para estar motivada a se conhecer, admitindo erros ao menos para si mesma, precisa exercitar a força de vontade inerente a todo ser humano, mas muitas vezes adormecida.
A motivação nesse percurso nascerá do confronto da meditação com o cotidiano nem sempre ideal que muitos adotam. Unindo, pois, a teoria à prática, tendo por finalidade descortinar o ente cristão que há por trás das barreiras insensíveis que o materialismo impõe como regra geral na jornada terrena, o indivíduo sentir-se-á mais leve quando praticar a REFORMA ÍNTIMA.
É sabido que, na prática, mais fácil é ler e julgar entender os ensinamentos de Jesus, hoje estudados à luz da Doutrina Espírita, do que exercitá-los e realmente assimilá-los no dia-a-dia, consolidando posturas cristãs e aprimorando qualidades morais.
Nada de estranho nisso, pois sabe-se que nosso mundo é ainda de expiação e provas e, por isso mesmo, todo homem tem muitas imperfeições a sanar. Pessoas mais esclarecidas dos seus defeitos e melhor empenhadas no processo de reforma íntima conseguem conviver mais harmoniosamente entre si, alcançando maior êxito em suas realizações.
Do estudo da autocrítica passou-se à análise do que leva o ser humano a permanecer silente e impassível diante dos erros e desvios que até pode admitir que possui. Se sozinho não está conseguindo vislumbrar luz ao final do túnel, haveria condições de auxiliá-lo de algum modo eficaz? E a resposta resultou positiva bastando que houvesse interiorizado o impulso à melhora de caráter, à escorreita formação da personalidade e, fundamentalmente, existisse, forte e fiel, o desejo de seguir os passos de Jesus.
Descoberta a necessidade da autocrítica, encontrada a premissa de que há seres humanos inertes diante do óbvio, vale dizer, dos erros praticados, o degrau seguinte seria o estudo de formas a conduzir o indivíduo à reforma interior, tão essencial ao aprimoramento do ser. E mais: é certo que a maioria que estuda atentamente os livros espíritas, a partir da Codificação de Allan Kardec, que representa a base da Doutrina dos Espíritos, sente a necessidade de melhor se conhecer e pôr em prática a reforma íntima. Todavia, nem sempre sabe como agir nesse sentido.
Vamos tentar fornecer subsídios nessa direção proporcionando ao internauta interessado elementos de reflexão através dos quais possa, de forma voluntária e consciente, trabalhar os seus sentimentos e a sua razão, seja racionalizando sentimentos por intermédio do bom senso e da lógica, seja iluminando a inteligência e os pensamentos com as luzes dos bons sentimentos.
Temas de suma importância nesse campo: egoísmo, orgulho e seus derivados, materialismo, desvios de conduta e vícios, sexualidade, aids, aborto, pena de morte, eutanásia, entre outros. "POR QUE NÃO TENHO FÉ BASTANTE PARA VENCER TODOS OS PERCALÇOS QUE SURGEM À MINHA FRENTE?" É uma indagação que o encarnado habitualmente se faz ao entrar em choque com problemas do cotidiano, que o abalam profundamente.
A chave para esta questão pode ser encontrada no contexto desta obra, que poderá servir de manual auxiliar de reforma íntima para o internauta, contribuindo para o sucesso da sua EVOLUÇÃO ESPIRITUAL. A Reforma Íntima deve ser compreendida como a chave mestra para o sucesso de sua melhoria interior e, consequentemente, de sua felicidade exterior. O internauta pode notar que há mais vantagem em sacrificar-se no presente para que seu futuro seja efetivamente melhor, afinal a reforma íntima é temporária e serve à evolução do Espírito, imortal, permitindo-lhe o ingresso em planos espirituais mais elevados.
Lapidar os próprios sentimentos é tarefa árdua, mormente para o encarnado que não os têm em relativo desenvolvimento, nem tampouco em contínuo exercício. Reforma Íntima sem amor no coração é, no entanto, uma falácia. Aprender a cultivá-la verdadeiramente é um exercício significativo de abnegação e submissão a Deus.
O egoísmo, por seu lado, é a raiz de todos os males morais que existem no humano, fonte de todos os seus desvios e vícios de comportamento e causa primária das suas tendências negativas de toda ordem porque ele é a negativa do mandamento maior: "AMARÁ A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO."
Todos são capazes de vencer o mal que há no âmago individual e coletivo. O amor opera autênticas modificações positivas no ser humano e na humanidade. Portanto, ainda que não exista fórmula mágica para tal, há caminhos práticos a seguir. É justamente o objetivo nosso: demonstrá-los.
O processo de reforma íntima é, por certo, demorado e delicado. Necessita de determinação e interesse permanente daquele que o abraça para que alcance bons frutos. O saldo positivo exige exercício de paciência, tolerância, desprendimento, perdão, compreensão e amor nas relações humanas.
A reforma íntima e seus fundamentos representam verdadeira luz no ímo da alma a todo encarnado que pretende desenvolver-se espiritualmente ao longo da sua trilha pela crosta terrestre. Começar a reforma interior pelos problemas mais simples é uma das fórmulas indicadas. Depois, com naturalidade, os desvios mais complexos vão sendo enfrentados e vencidos, tudo a seu tempo e à sua hora. Sem precipitação mas com determinação o homem alcança seus objetivos.

Cairbar Schutel e sua equipe espiritual

domingo, 12 de dezembro de 2010

Nosso corpo, um templo

                                

A iniciação já não ocorre nos templos como antigamente, mas na vida do indivíduo no dia a dia.
Aquele que tem uma vida de vicissitudes, meio ao fumo e bebida, que leva uma vida totalmente desregrada, sem ritmo, aquele que se abandona à desordem afetiva e sexual, quase não pode evoluir espiritualmente.
Alguns religiosos, como por exemplo, crentes, católicos e umbandistas, passam a vida indo à igreja e templos espíritas, rezando ou até meditando, e não obtêm resultado algum. Os ateus deduzem então que o que os religiosos fazem não serve para nada, que tudo isso não passa de ilusão.
Para progredir cumpre evitar tudo o que pode ocasionar a destruição do corpo físico, mas isso não é tudo. Cumpre também exercer uma auto-vigilância para que o organismo não se exponha a choques inúteis: raiva, crises nervosas, dúvidas, angústias. Há, pois, todo um trabalho a fazer sobre si mesmo.
O cuidado com o corpo é bem característico para os médiuns umbandistas, onde o corpo é reverenciado principalmente antes das giras, onde o banho, a meditação e o preparo são fundamentais para os trabalhos mediúnicos.
Tenho o costume de me lembrar sempre da prece:
Tenhamos o coração puro como cristal
O intelecto luminoso como o sol
A alma vasta como o universo
O espírito poderoso como Deus e unido a Deus.
Vale lembrar também, meus irmãos leitores, muitos médiuns em desenvolvimento, que às vezes sem a orientação correta do sacerdote responsável pela evolução mediúnica, não orientam sobre o devido preparo antes das cerimônias. O “Antes” não se deve consistir em “horas antes” e sim em um contínuo preparo composto por horas, dias, semanas, meses e anos.
Só quando o ser deixa de passar por altos e baixos, quando deixa de sentir o desânimo, a tristeza, a raiva, a inveja ou o ódio, só então é que a hierarquia espiritual do planeta pode começar a empregá-lo. Tão desenvolvido e puro é o guia quanto o seu aparelho.
Então, são-lhe dadas as melhores condições para avançar a todo pano. Mas não antes. Porque, por analogia, a energia espiritual é de uma potência inimaginável. Essa energia é de dez mil volts que devem passar através de nós, quando não suportamos sequer uma corrente de 220 volts. Se a recepção desta energia for prematura, o corpo, literalmente, se desintegrará. Eis por que se faz mister trabalhar longa e regularmente para recomeçar a obter resultados realmente visíveis no plano físico.
Esta é uma das leis essenciais que se manifesta em nós, é para o nosso bem, porque não estamos prontos para isso. E para estarmos prontos, devemos fazer do nosso corpo um templo, um verdadeiro santuário composto dos materiais mais puros, com flores mais magníficas e as gemas mais cintilantes, para levar os que nos ultrapassam a visitá-los e depois a vir habitá-los, até que o próprio Cristo faça ali a sua morada.
Então meus irmãos, cuidem de seus corpos.
Da comida, da bebida, dos vícios e de seus sentimentos e pensamentos. Procurem a mais pura e sublime sintonia de si mesmo.

Que Deus esteja conosco.

fonte:religiões espiritas/umbanda

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Como ser um Médium?

                                 
Saber como iniciar seu desenvolvimento mediúnico é importante a todos médiuns, muitas vezes depara-se com dúvidas e incertezas, mas tem medo ou vergonha de perguntar, isto deve ser sempre tratado com muito carinho pelos dirigentes da casa, deveria ter sempre nas casas um tempo de estudos e nestes dias tirar as dúvidas dos médiuns iniciantes, e nunca se esqueça que todos ja passaram pelas dúvidas e aprendizados que você deve passar.
Sempre digo que o kardecismo é muito mais tolerante que a Umbanda. Na mesa um espírito incorpora, deixa uma linda mensagem de amor ou de advertência para os perigos mundanos sem a necessidade de dizer seu nome.
Na umbanda ele tem que incorporar no ponto de chamada, com a tipicidade da linha (caboclo, preto-velho ou criança), cumprir todas as ordens da hierarquia do terreiro, riscar o seu ponto individual, beber, fumar e dar seu nome, correndo o risco de, se não cumprir tudo, ser chamada a sua atenção. Claro que tudo será feito com cautela e tempo de treinamento. Para chegar a isso, o médium passa uma dificuldade de saber o que fazer dentro do terreiro. Ele está incorporado com o orixá, sentindo toda sua energia, mas ainda falta muito para dar o passo certo como cavalo bem domado, chegando mesmo em alguns momentos achar que o espírito se afastou, fato explicado pelo impulso mental do médium. Nessa parte quero chamar a atenção de um fato de grande importância. Dificilmente um médium é sonâmbulo (ou inconsciente, como alguns dizem), sendo o mais comum o médium consciente, aquele que sabe o que está acontecendo mas não tem o controle das palavras e dos gestos. É o que chamamos de terceira energia. Vejam como funciona: existe uma fusão do espírito do médium com o espírito comunicante, criando-se uma terceira energia. Gosto de dar exemplos. O café e o leite, separados, são puros. Misturados criam uma terceira bebida, podendo ser mais preto ou mais branco, conforme a quantidade das bebidas. Mas sempre, a união de ambos, terá uma terceira qualidade. É impossível a comunicação pura do espírito. O importante é a presença do espírito, com maior ou menor intensidade. Voltando ao médium perdido no terreiro, o seu impulso inicial é procurar alguém para lhe dar um passe ou tocar em sua testa. Muitos dirigentes não gostam desse procedimento e inibem o espírito de fazer isso, o que é um erro porque, talvez até mais que o próprio dirigente, é o espírito quem quer o desenvolvimento de seu cavalo escolhido. Recomendo para minha hierarquia deixar que isso aconteça, sem exageros, é claro. Com o decorrer do tempo esse médium ganha um charuto, cachimbo ou cigarro de palha, conforme a entidade, e é quando ele começa a se acalmar, até procurar um lugar para sentar. Daí para riscar o ponto é bem mais rápido. Quero anotar aqui, para conhecimento dos médiuns em desenvolvimento, alguns erros que atrapalham bastante a evolução da mediunidade:

          não procurar, sob nenhuma hipótese, tentar adivinhar o nome do espírito;
  •           não querer riscar o ponto sem antes estar bem assentado com a entidade;
  •           não tentar dar avisos e recomendações a ninguém;
  •           não ter ciúmes do espírito e não pensar que ele é seu, porque espírito não tem dono.

      1 - É comum o médium incorporado procurar um amigo seu para lhe dar um passe ou falar com ele, e isso não invalida a incorporação e não quer dizer que foi o médium que procurou e não o espírito, principalmente porque a entidade sabendo das dificuldades de seu cavalo tenta de todas as formas facilitar a incorporação. Alguém já me perguntou como o espírito sabe que a pessoa é amiga do médium. Respondi convicto: mais do que o guia ninguém conhece tanto os amigos de seu protegido, o médium deve sempre saber que existem uma evolução espiritual em sua alma, aceitando o compartilhamento de seu corpo, isso é gradativo, não se pode efetuar essa transição muito rápida, então inicie seu desenvolvimento com calma e clareza, o tempo estará a sua disposição e as entidades sabem o momento certo de qualquer execução espiritual.
  
      2 - É fundamental ao médium confiar nos dirigentes do terreiro. os estudos são muito importante para o médium, pois com a sabedoria da matéria os espíritos conduzem com mais facilidade os trabalhos, ou seja quanto mais se aprende mais o espírito utiliza o saber do médium, isso não quer dizer que os trabalhos estão sendo produzidos pelo conhecimento da matéria, mas sim concluídos com mais dedicação por ambos, sendo a dualidade na sintonia pura da alma, pois a alma de ambos estão em paralelo, nunca sua alma sai de seu corpo para dar lugar a uma entidade, isso é folclore.

      Procure sempre uma Casa comprometida com a caridade, saiba também que ser um médium exige muita disciplina e respeito ao próximo, terá que dispor de horas de trabalhos em proveito de seu semelhante, dar muita energia e também recarrega-las quando necessárias.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Incorporação - Modalidades Mediúnicas

                              

Sabemos, que há várias modalidades mediúnicas, analisemos agora de forma mais detalhada cada uma delas:

1) Mecânica de Incorporação
Esta é, sem dúvidas, é a modalidade mais popular pelos terreiros espalhados pelo Brasil.
A Incorporação, como é conhecida, é o que faz com que os terreiros recebam dezenas e centenas de pessoas na expectativa de escutarem uma mensagem de paz, amor, tranqüilidade das entidades.

INFELIZMENTE, INSISTEM EM TRATAR TAIS ENTIDADES (INFINITAMENTE MELHORES QUE NÓS), COMO ATENDENTES DE UM GRANDE BALCÃO, ONDE AS PESSOAS SERVEM-SE, RESOLVEM SEUS PROBLEMAS E NUNCA MAIS VOLTAM, SEQUER PARA AGRADECER.

Mas isso é um problema que está ligado ao grau consciencial de cada um, portanto...

Mas voltando a incorporação, apesar de ser o principal meio de comunicação com o Astral Superior, SÃO RARAS AS PESSOAS QUE CONHECEM OS PROCESSOS MAIS SUTIS DA MECÂNICA DE INCORPORAÇÃO. Alguns levam-na as raias do fanatismo, chegado até as raias do absurdo, com suas vagas idéias.

Agora, mas tentar acabar com os MITOS que a cercam:
- a mecânica de incorporação está dividida em duas partes:
- incorporação inconsciente
- incorporação semi-inconsciente

Alguns pregam uma terceira modalidade que seria a CONSCIENTE, porém nesta não ocorre o processo de incorporação propriamente dito. É o que chamamos de IRRADIAÇÃO INTUITIVA .

Obs.
Para haver incorporação a entidade atuante deve fazer uso de 3 partes fundamentais da constituição etéreo-física do médium:

Parte psíquica
Parte sensorial – sensitiva
Parte motora

Na irradiação intuitiva a entidade só faz uso da função psíquica do médium; portanto não é incorporação.

Na incorporação a entidade não entra no corpo do médium pela cabeça, como muitos dizem. Na verdade, a entidade incorporante apenas se liga magneticamente ao Corpo Astral do médium em algumas regiões chaves que são:

1ª REGIÃO – núcleos vibracionais superiores – região ENCEFÁLICA.
• 2ª REGIÃO – núcleos intermediários – região TORACO-ABDOMINAL.
• 3ª REGIÃO – núcleos vibracional genésico – região do CÓCCIX.

SEM LIGAR-SE A ESSES 3 PONTOS NO CORPO ASTRAL DO MÉDIUM, NÃO HÁ A INCORPORAÇÃO. CASO A ENTIDADE ACHE NECESSÁRIO ELA PODE ATUAR EM OUTROS 3 PONTOS DISTINTOS, MAS NO MÍNIMO EM 3 DELES.

Esse é o conceito básico para ocorrer o processo da incorporação.

Mecânica de incorporação INCONSCIENTE:
Como o próprio nome diz, há uma tomada total, deixando o médium completamente inconsciente, como se estivesse em sono profundo.
A passividade do médium é total, fazendo com que a entidade tenha plenos poderes sobre seu corpo físico, isto controlando toda sua parte psíquica, sensorial e motora.
O médium não tem consciência nenhuma, durante o transe mediúnico e nem lembranças após o mesmo.
Nos dias de hoje isso não é muito comum, isso era muito comum no inicio do Movimento Umbandista, onde os médiuns eram tomados pelas entidades quase a “força”, pois muitos não eram nada esclarecidos e isso dificultava de forma insistente o trabalho das entidades.
Suas vibrações mediúnicas eram muito LENTAS E LONGAS, facilitando a atuação das entidades, embora era muito fácil de serem LOGRADOS E LUDIBRIADOS POR ENTIDADES DAS SOMBRAS.
Hoje, tal incorporação restringe-se aos médiuns com uma sistemática evolutiva pouco trabalhada.

Para entendermos melhor:

1. O médium preparado para a incorporação inconsciente, tem abundância de energia VITAL em todos núcleos vibratórios.

2. A entidade incorporante enlaça o corpo Astral do médium e, com a mão direita emite certos fluidos na região da cabeça e com a mão esquerda emite fluidos na região genésica. Esse são os primeiros fluidos de contato, sendo que a manutenção dos mesmos é feita pela projeção energética do médium junto à entidade. As duas constituições astrais se unem como se fosse uma só e a entidade bloqueia certas regiões cerebrais, para que o médium não tenha consciência

3. O sistema nervoso central é totalmente controlado pela entidade, o mesmo acontecendo com os centros da memória. A zona neurosensitiva e mesmo as sensações também ficam sob o controle da entidade.

4. Tudo isso se reflete no corpo físico da seguinte forma:

a) No inicio do processo, há uma profusão de bocejos, visando oxigenar melhor o cérebro propiciando sua revitalização.
b) Atua também no cerebelo, onde irá controlar a memória, impedindo que este se lembre de alguma coisa após o transe. A entidade usa também os movimentos do médium.
c) O contato mediúnico faz com que ocorra um certo sacolejo no médium, em virtude do choque nervoso, mas logo é frenado e controlado pela entidade.
d) Controla a fonação e todas as funções endócrinas, mas principalmente a complexa rede nervosa cardíaca. Sendo todas essas mantidas com gasto mínimo de energia. O núcleo vibratório mais incitado é o cardíaco, devido à quantidade de energia necessária para deslocar o corpo astral do médium. O médium fica consciente astralmente, mas as lembranças no físico são completamente apagadas.

Esses são os principais aspectos, sem dúvidas não são todos, mas sim o suficiente para entendermos o processo de forma lógica.

Mecânica de incorporação SEMI – INCONSCIENTE:

É a modalidade mediúnica que prevalece no Movimento Umbandista da atualidade.
Na incorporação semi-inconsciente há perda relativa ou parcial, essa perda da consciência obedece a uma graduação, isto é temos em termo de porcentagem de inconsciência, o qual pode variar de 10% a 90% no máximo.

Mas por que ocorre tal variação nos graus de consciência?

• Normalmente a incorporação SEMI-INCONSCIENTE, liga-se a médiuns de karma probatório um pouco mais avançado passando para o evolutivo (a escala evolutiva destes médiuns varia), por isso a porcentagem de inconsciência também, de acordo com cada um).

• No inicio da mediunidade, varia sempre entre 5% e 10%, com o desenrolar do desenvolvimento, a porcentagem vai aumentando de nivel.

• Essa incorporação semi-inconsciente é destinada aos médiuns de graus evolutivos melhores, porque através da mediunidade, o médium aprende com a entidade:

a) Como ajudar as pessoas de forma mais adequada;
b) Ser mais caridoso;
c) Ser mais generoso e benevolente;
d) Atender todos sem distinção.

Esse é o real objetivo da mediunidade, ajudar os seres desenvolverem-se espiritualmente e deste modo caminharem mais rápido rumo a evolução.

Dependendo da vibração original da entidade (da linha), os pontos ou regiões atuadas podem VARIAR, provocando diferenças fundamentais nas incorporações, sendo que o médium mais experiente, só pelos fluídos saberá identificar a vibração (a linha), mas será atuada no mínimo 3 pontos.
De acordo com o trabalho realizado, o médium poderá ter mais ou menos recordações sobre a atuação do seu mentor.
Quando o médium está BEM INCORPORADO ele NÃO PENSA, portanto tudo que vê e ouve é o seu mentor atuando, isso varia de acordo com o percentual de cada médium.

Na incorporação semi-inconsciente POSITIVA, o médium quase não tem domínio de seus movimentos (pois seus sentidos são rebaixados e não passivo), sempre variando.

Quanto mais experiente for o médium, mais rápido se desliga, é mais fácil de ser atuado pela entidade, MAS SEU COMPLEXO MENTAL É FRENADO, NÃO PENSA. É como se sua mente parasse temporariamente de trabalhar, assim tudo que sai da sua boca é palavra da entidade, isso INFLUENCIA A FONAÇÃO COMPLETAMENTE.

A MEDIUNIDADE NUNCA É PERFEITA, SEMPRE HÁ O QUE MELHORAR, portanto O DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO É MUITO IMPORTANTE para a evolução do médium. Mas só isso não basta, não podemos nos esquecer da conduta MORAL ESPIRITUAL (não só a moral imposta pela sociedade, mas sim uma moral calcada nos NOBRES PRECEITOS DIVINOS).

Mediunidade = Afinidade
Exemplo:

Se o médium tiver uma conduta desleixada, fútil, se prendendo demais a valores materiais, esquecendo o objetivo da mediunidade (caridade e evolução espiritual) = se afinará só com espíritos de baixo calão vibratório = prejudicará seus complexo astro-físico = atrapalha MUITO sua evolução.

Portanto cuidado! Só depende de você!

                              

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O que é Clarividência

                   

Clarividência não significa nada mais do que "visão clara", e é uma palavra que tem sido muito mal-usada, e mesmo degradada por ser empregada para descrever a impostura dos charlatães dos shows de variedades. Mesmo em seu sentido mais restrito ela abarca um largo espectro de fenômenos, diferindo tão grandemente em caráter que não é fácil dar uma definição da palavra que ao mesmo tempo seja sucinta e precisa. Tem sido chamada de "visão espiritual", mas nenhuma interpretação poderia ser mais enganosa que esta, pois na vasta maioria dos casos não há nenhuma faculdade associada que mereça a honra de uma denominação tão elevada.
Antes que uma explanação detalhada da clarividência possa ser utilmente tentada, entretanto, será necessário devotarmo-nos brevemente a algumas considerações preliminares, a fim de que possamos ter claramente na mente alguns poucos fatos genéricos como os diferentes planos onde a visão clarividente pode ser exercitada, e as condições que tornam possível seu exercício.
É-nos constantemente assegurado na literatura Teosófica que todas essas faculdades superiores logo devem tornar-se a herança da humanidade em geral - que a capacidade para a clarividência, por exemplo, existe latente em todos nós, e aqueles em quem já se manifesta, neste particular simplesmente já estão um pouquinho mais avançados que o restante de nós. Agora, esta declaração é verdadeira, mesmo que pareça muito vaga e irreal para a maioria das pessoas, simplesmente porque consideram tal faculdade como algo absolutamente diferente de tudo que já experimentaram, e sentem-se bastante seguras de que elas próprias, de qualquer modo, não estão nem um pouco perto de desenvolvê-las.
Pode ajudar a dissipar este sentimento de irrealidade se tentarmos entender que a clarividência, como tantas outras coisas na Natureza, é principalmente uma questão de vibrações, e de fato não é nada além de uma extensão dos poderes que todos nós já usamos em todos os dias de nossas vidas. Vivemos todo o tempo rodeados de um vasto oceano de ar e éter misturados, este interpenetrando aquele, como o faz a toda matéria física; e é principalmente por meio das vibrações neste vasto mar de matéria que nos chegam impressões de fora. Isso tudo já sabemos, mas talvez jamais tenha ocorrido à maioria de nós que o número das vibrações a que somos capazes de responder é realmente quase insignificante.
Dentre as vibrações extremamente rápidas que afetam o éter há uma pequena faixa - uma faixa muitíssimo estreita - à qual a retina do olho humano é capaz de responder, e estas vibrações peculiares produzem em nós a sensação que chamamos de luz. Isto é, somos capazes de ver somente aqueles objetos dos quais luz daquele determinado tipo pode ser emitida ou refletida.
Exatamente do mesmo modo o tímpano do ouvido humano é capaz de responder a uma certa faixa muito estreita de vibrações comparativamente lentas - lentas o bastante para afetar o ar que nos cerca, e assim os únicos sons que podemos ouvir são aqueles produzidos por objetos que podem vibrar em alguma das freqüências dentro desta faixa especial.
Em ambos os casos é uma matéria perfeitamente bem conhecida pela ciência que há uma grande número de vibrações tanto acima quanto abaixo daquelas duas faixas, e que conseqüentemente há muita luz que não podemos ver, e há muitos sons a que nossos ouvidos são surdos. No caso da luz a ação destas vibrações mais altas e mais baixas é facilmente perceptível nos efeitos produzidos pelos raios actínicos [a luz ultravioleta. O chamado actinismo é o efeito químico produzido por esta freqüência de vibração luminosa sobre determinados compostos químicos - NT] numa das extremidades do espectro, e pelos raios de calor [a vibração, ou luz, infravermelha - NT] na outra extremidade.
É pacífico que existem vibrações de todos os graus concebíveis de rapidez, preenchendo todo o vasto intervalo entre as lentas ondas sonoras e as rapidíssimas ondas de luz; tampouco isso é tudo, pois existem indubitavelmente vibrações mais lentas que as do som, e toda uma infinidade delas são mais rápidas que as que conhecemos como luz. De modo que assim começamos a entender que as vibrações pelas quais vemos e ouvimos são apenas como dois pequeninos grupos de poucas cordas selecionadas de uma enorme harpa, de extensão praticamente infinita, e quando pensamos no quanto temos sido capazes de aprender e inferir pelo uso só destas diminutas porções, veríamos vagamente quais possibilidades poderiam estar à nossa frente se fôssemos habilitados a utilizar o vasto e maravilhoso todo.
Um outro fato que merece ser considerado nesta linha é que os diferentes seres humanos variam consideravelmente, ainda que relativamente dentro de estreitos limites, em suas capacidades de responder mesmo às pouquíssimas vibrações que estão dentro do alcance de nossos sentidos físicos. Não me refiro à acuidade visual ou auditiva que possibilita a um homem ver objetos menores ou ouvir sons mais tênues que um outro; não é afinal uma questão de força visual, mas de uma extensão na amplitude da sensibilidade.
Por exemplo, se alguém tomar um bom prisma de bissulfito de carbono, e por seu intermédio fizer projetar um espectro luminoso nítido sobre uma folha de papel branco, e então solicitar a diversas de pessoas para que assinalem no papel os limites extremos do espectro assim como lhe aparecem, quase certamente descobriria que seus poderes de visão diferem apreciavelmente. Alguns veriam o violeta se estendendo muito mais longe que a maioria; outros talvez vissem muito menos violeta que os demais, mas possuíssem uma correspondente extensão visual no lado do vermelho. Alguns poucos, talvez, pudessem ver mais longe que o normal em ambas as extremidades, e estes quase certamente seriam o que chamamos de pessoas sensitivas - sensíveis de fato a uma amplitude maior de vibrações do que o são a maioria dos homens de hoje.
Na audição a mesma diferença pode ser testada tomando-se um som apenas alto o suficiente para ser quase audível - nas margens da audibilidade - e descobrindo quantas pessoas dentre um certo grupo seriam capazes de ouvi-lo. Os guinchos do morcego são um exemplo familiar de tal som, e a experiência mostrará que num anoitecer de verão, quando todo o ar está repleto dos gritos agudos e penetrantes destes animaizinhos, a grande maioria dos homens estará absolutamente inconsciente deles, e incapaz de ouvir qualquer coisa.
Assim estes exemplos claramente demonstram que não há limite imutável no poder de resposta humana seja a vibrações etéricas seja às aéreas, mas que alguns dentre nós já têm este poder em maior extensão que outros; e mesmo veremos que a capacidade do mesmo homem varia em diferentes ocasiões. Não é portanto difícil para nós imaginar que seria possível para um homem desenvolver este poder, e assim no devido tempo aprender a ver muito do que é invisível a seus semelhantes, e ouvir muito do que lhes é inaudível, já que sabemos perfeitamente bem que imenso número destas vibrações extras existem, e estão simplesmente, de fato, esperando reconhecimento.
As experiências com os Raios-X nos dão um exemplo dos assombrosos resultados que são produzidos quando mesmo um pequeno número dessas vibrações são trazidas para dentro do alcance humano, e a transparência, a estes raios, de muitas substâncias até então consideradas opacas, de imediato nos mostra pelo menos uma via pela qual podemos explicar esta clarividência elementar que está envolvida na leitura de uma carta dentro de uma caixa fechada, ou na descrição das pessoas presentes em alguma sala contígua. Aprender a ver através dos Raios-X em acréscimo àqueles ordinariamente empregados será o bastante para habilitar qualquer um a executar um feito de mágica deste tipo.
Fomos tão longe assim na imaginação tratando apenas de uma extensão dos sentidos puramente físicos do homem; e quando lembramos que o corpo etérico do homem é na realidade meramente a parte mais rarefeita de sua moldura física, e que portanto todos os seus órgãos dos sentidos contêm uma grande quantidade de matéria etérica de vários graus de densidade, cujas capacidades estão ainda, na prática, só latentes na maioria de nós, veremos que mesmo se nos limitarmos a esta linha apenas de desenvolvimento já há enormes possibilidades de todos os tipos se abrindo diante de nós.
Mas ao lado e além disso tudo sabemos que o homem possui um corpo astral e um mental, cada um dos quais podem no decurso do tempo ser despertados para a atividade, e responderão por sua vez à matéria de seus próprios planos, abrindo assim diante do Ego, ao aprendermos a atuar através destes veículos, dois inteiramente novos e larguíssimos mundos de conhecimento e poder. Agora, estes dois mundos novos, ainda que estejam todos à nossa volta e livremente interpenetrem um ao outro, não devem ser pensados como distintos e inteiramente separados em substância, mas antes mesclando-se um no outro, o astral inferior formando uma seqüência direta com o físico mais elevado, assim como o mental inferior forma uma seqüência direta com o astral superior. Não somos instados a pensar neles para imaginar algum tipo novo e estranho de matéria, mas simplesmente a pensar na do tipo físico normal como se rarefeita tão mais finamente e vibrando tão mais rápido que nos introduz a condições e qualidades inteiramente novas.
Portanto não nos é difícil captar a possibilidade de constante e progressiva extensão de nossos sentidos, de modo que tanto pela visão como pela audição possamos ser capazes de apreciar vibrações muitíssimo mais elevadas e muitíssimo mais baixas do que aquelas que comumente são reconhecidas. Um amplo leque destas vibrações adicionais ainda pertencerá ao plano físico, e meramente nos capacitará a obter impressões da parte etérica daquele plano, que no presente nos é como um livro fechado. Tais impressões ainda serão recebidas pela retina do olho; é claro que afetarão sua matéria etérica antes que a sólida, mas poderemos não obstante considerá-las ainda se valendo de um órgão especializado para recebê-las, e não de toda a superfície do corpo etérico.
Há alguns casos anormais, entretanto, nos quais outras partes do corpo etérico respondem a estas vibrações adicionais tão rapidamente, ou mesmo mais, do que o olho. Tais aberrações são explicáveis de várias maneiras, mas principalmente decorrem de algum desenvolvimento astral parcial, pois será visto que as partes mais sensíveis do corpo quase invariavelmente correspondem a um ou outro dos chakrams, ou centros de vitalidade no corpo astral. Destarte, se a consciência astral ainda não estiver desenvolvida em seu próprio plano, estes centros podem não ser acessíveis em seu próprio plano, mas mesmo assim seriam fortes o bastante para estimular em mais aguçada atividade a matéria etérica que eles interpenetram.
Quando passamos a tratar dos sentidos astrais propriamente ditos os métodos de trabalho são muito diversos. O corpo astral não possui nenhum órgão sensório especializado - um fato que talvez necessite alguma explanação, uma vez que muitos estudantes que estão tentando compreender sua fisiologia parecem ter dificuldade de reconciliar-se com as declarações que têm sido feitas sobre a perfeita interpenetração do corpo físico pela matéria astral, a exata correspondência entre os dois veículos e o fato de que cada objeto físico tem necessariamente sua contraparte astral.
Porém todas estas declarações são verdadeiras, e ainda é bastante possível para as pessoas que normalmente não vêem o astral interpretá-las erroneamente. Cada tipo de matéria física tem sua ordem correspondente de matéria astral em constante associação a ela - não sendo separável exceto pela aplicação de considerável força oculta, e mesmo então somente para ser mantida à parte dela apenas enquanto a força estiver sendo definidamente exercida para esta finalidade. Mas de qualquer modo a relação das partículas astrais entre si é muito mais frouxa do que no caso de suas correspondentes físicas.
Numa barra de ferro, por exemplo, temos uma massa de moléculas físicas em estado sólido - isto é, capazes de comparativamente pouca alteração em suas posições relativas, ainda que cada uma vibre com imensa rapidez em sua própria esfera. A contraparte astral disso consiste no que muitas vezes chamamos de matéria astral sólida - isto é, matéria do subplano mais baixo e mais denso do astral; mas de qualquer maneira suas partículas estão constante e rapidamente trocando suas posições relativas, movendo-se entre si tão facilmente como aquelas de um líquido no plano físico poderiam fazer. De modo que não há nenhuma associação permanente entre qualquer partícula física e aquela quantidade de matéria astral que em qualquer momento dado estiver atuando como sua contraparte.
Isto é verdade também no que concerne ao corpo astral humano, que para o nosso propósito atual podemos considerar como consistindo de duas partes - a agregação mais densa que ocupa a posição exata do corpo físico, e a nuvem de matéria astral mais rarefeita que rodeia aquela agregação. Em ambas as partes, e entre ambas, está havendo durante todo o tempo a rápida intercirculação das partículas que foram descritas, de modo que se alguém observa o movimento das moléculas no corpo astral lembra-se da aparência da água em plena fervura.
Sendo assim, deverá ser rapidamente compreendido que ainda que qualquer órgão do corpo físico deva sempre ter como sua contraparte uma certa quantidade de matéria astral, não retém as mesmas partículas por mais de poucos segundos a cada vez, e conseqüentemente não há nada correspondendo à especialização da matéria física nervosa dentro dos nervos ópticos ou auditivos, e assim por diante. De modo que mesmo que o olho ou ouvido físicos tenham indubitavelmente sempre sua contraparte de matéria astral, aquele fragmento particular de matéria astral não é mais (nem menos) capaz de responder às vibrações que produzem visão ou audição astrais do que qualquer outra parte do veículo.
Jamais deve ser esquecido que mesmo que constantemente tenhamos que falar de "visão astral" ou "audição astral" a fim de fazermo-nos compreender, tudo o que queremos significar com estas expressões é a faculdade de responder a tais vibrações para levá-las à consciência do homem, quando ele está atuando em seu corpo astral, informação do mesmo caráter da que lhe é veiculada por seus olhos e ouvidos enquanto está em seu corpo físico. Mas nas condições inteiramente diferentes do astral, órgãos especializados não são necessários para atingir-se este resultado; há matéria em todas as partes do corpo astral que são capazes de tal resposta, e conseqüentemente o homem atuando naquele veículo vê igualmente bem objetos atrás, abaixo e acima dele, sem precisar voltar sua cabeça.
Existe, porém, um outro ponto que dificilmente deixaríamos de tratar, e é a questão dos chakrams referida acima.
Estudantes Teosóficos estão familiarizados com a idéia da existência, tanto no corpo astral do homem como no etérico, de certos centros de força que por sua vez devem ser vivificados pelo fogo serpentino à medida que o homem avança na evolução. Ainda que não possam ser descritos como órgãos no sentido comum da palavra, uma vez que não é através deles que o homem vê e ouve, como o faz na vida física através dos olhos e ouvidos, o poder de exercer estes sentidos astrais em grande medida depende da sua vivificação, e cada um deles ao se desenvolver dá a todo o corpo astral o poder de responder a uma nova gama de vibrações.
Tampouco estes centros possuem, contudo, qualquer coleção de matéria astral permanentemente ligada a eles. Eles são simplesmente vórtices na matéria do corpo - vórtices através dos quais todas estas partículas passam em vezes alternadas, talvez, à medida que forças mais elevadas de planos superiores pressionem o corpo astral. Mesmo esta descrição só dá uma idéia muito parcial de sua aparência, pois eles na verdade são vórtices quadridimensionais, de modo que a força que vem através deles e é a causa de sua existência parece provir de lugar nenhum. Mas de toda maneira, já que todas as partículas passam por sua vez por cada um deles, ficará claro que isso é possível para cada um alternadamente evocar em todas as partículas do corpo o poder de receptividade a certo espectro de vibrações, sendo que todos os sentidos astrais são igualmente ativos em todas as partes do corpo.
A visão do plano mental é também totalmente distinta, pois neste caso já não podemos falar em sentidos separados tais como visão e audição, mas antes temos de postular um sentido geral que responde tão integralmente às vibrações que lhe chegam que, quando qualquer objeto entra em seu campo cognitivo, de imediato compreende-o completamente, e é como se o visse, o ouvisse, o sentisse, e conhecesse tudo o que há para conhecer sobre ele numa única operação instantânea. Mas mesmo esta maravilhosa faculdade difere em grau somente, e não em espécie, daquelas que estão sob nosso comando no presente; no plano mental, exatamente como no físico, impressões ainda são veiculadas por meio de vibrações que viajam do objeto visto até quem o vê.
No plano búdico nos deparamos pela primeira vez com uma faculdade absolutamente nova que não tem nada em comum com aquelas de que já falamos, pois lá um homem conhece qualquer objeto através de um método inteiramente diverso, do qual já não fazem parte vibrações externas. O objeto se torna parte de si, e ele o estuda de dentro ao invés de fora. Mas com este poder a clarividência comum não tem nada a ver.
O desenvolvimento, seja integral seja parcial, de qualquer uma destas faculdades entraria em nossa definição de clarividência - o poder de ver o que está oculto à visão física ordinária. Mas essas faculdades podem ser desenvolvidas de várias formas, e será bom dizer umas poucas palavras sobre estas diferentes linhas.
Podemos presumir que se fosse possível para um homem durante sua evolução isolar-se de tudo exceto das mais amenas influências exteriores, e desenvolver-se desde o início de modo perfeitamente regular e normal, provavelmente ele desenvolveria seus sentidos também numa sucessão regular. Ele veria seus sentidos físicos gradualmente estendendo sua amplitude até que respondessem a todas as vibrações físicas, da matéria etérica bem como da mais densa; Então em seqüência ordenada surgiria a sensibilidade à parte mais grosseira do plano astral, e logo a parte mais sutil também seria incluída, até que no devido tempo a faculdade do plano mental por sua vez despontasse.
Na vida real, contudo, um desenvolvimento assim tão regular dificilmente será alguma vez conhecido, e muitos homens têm lampejos ocasionais de consciência astral sem nenhum despertar da visão etérica. E esta irregularidade de desenvolvimento é uma das principais causas da extraordinária suscetibilidade do homem para o erro em matéria de clarividência - uma suscetibilidade para a qual não há escapatória exceto com um longo curso de cuidadoso treinamento sob um instrutor qualificado.
Os estudantes da literatura Teosófica estão bem cientes de que tais instrutores existem - e que mesmo neste materialista século XIX o antigo ditado é verdadeiro, de que "quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece", e que "no vestíbulo do aprendizado, quando é capaz de lá entrar, o discípulo sempre encontrará seu Mestre". Eles estão também bastante cientes de que somente sob tal direção é que um homem pode desenvolver seus poderes latentes com segurança e confiabilidade, uma vez que sabem o quão fatalmente fácil é para o clarividente destreinado iludir-se quanto ao significado e valor do que vê, ou mesmo absolutamente distorcer sua visão completamente ao trazê-la para sua consciência física.
Não se segue disto que mesmo o discípulo que esteja recebendo instrução regular no uso de seus poderes ocultos os verá se desdobrando exatamente na ordem regular que foi sugerida antes como um ideal. Seu progresso prévio pode não ter sido de modo a tornar este o caminho mais fácil ou o mais desejável; mas de qualquer maneira ele está nas mãos de alguém que é perfeitamente competente para ser seu guia no desenvolvimento espiritual, e ele fica perfeitamente seguro de que o caminho que está tomando será o melhor para si.
Uma outra grande vantagem que ele ganha é que quaisquer faculdades que possa adquirir ficam definitivamente sob seu controle e podem ser usadas plena e constantemente quando precisar delas para seu serviço Teosófico; enquanto que no caso do homem destreinado tais poderes freqüentemente se manifestam só muito parcial e espasmodicamente, e parecem ir e vir, como se ao seu bel-prazer.
Pode ser objetado, com certa razão, que se a faculdade clarividente é, como foi dito, uma parte do desenvolvimento oculto do homem, e assim um sinal de certo nível de progresso ao longo daquela linha, parece estranho que freqüentemente seja possuída por pessoas primitivas, ou pelos ignorantes e incultos de nossa raça - pessoas que são obviamente muito subdesenvolvidas, de qualquer ponto de vista que as consideremos. Sem dúvida isso parece muito estranho à primeira vista; mas o fato é que a sensitividade do selvagem ou do grosseiro e vulgar europeu ignorante não é realmente em nada a mesma coisa que a faculdade de seu irmão treinado adequadamente, nem é atingida pelo mesmo caminho.
Uma explanação exata e detalhada da diferença nos conduziria a minúcias técnicas, mas talvez a idéia geral da distinção entre as duas possa ser captada a partir de um exemplo tirado do plano de clarividência mais baixo de todos, em estreito contato com o físico mais denso. O duplo etérico no homem está em uma relação extremamente íntima com seu sistema nervoso, e qualquer tipo de ação sobre um deles rapidamente reage sobre o outro. Mas na aparição esporádica de visão etérica no selvagem, seja da África Central seja da Europa Ocidental, tem sido observado que a correspondente perturbação nervosa está quase toda no sistema simpático, e que tudo está praticamente fora do controle do homem - de fato é uma espécie de sensação massiva pertencendo vagamente a todo o corpo etérico, antes do que uma sensopercepção exata e definida comunicada através de um órgão especializado.
Como nas raças mais novas, e a par do desenvolvimento superior, a força do homem esteja mais e mais direcionada para a evolução de suas faculdades mentais, esta vaga sensitividade usualmente desaparece; mas ainda mais tarde, quando o homem espiritual começa a desabrochar, recupera seu poder clarividente. A esta altura, entretanto, a faculdade é precisa e exata, está sob o controle da vontade do homem, e é exercida através de um órgão sensorial definido; e é digno de nota que qualquer ação nervosa desencadeada por ela em ressonância está quase toda restrita ao sistema cérebro-espinhal.
Sobre este assunto a Srª. Besant escreveu: "As formas inferiores de psiquismo são mais freqüentes em animais e seres humanos muito obtusos do que em homens e mulheres em quem os poderes intelectuais são desenvolvidos. Eles parecem estar conectados ao sistema simpático, não com o cérebro-espinhal. As grandes células nucleadas ganglionares neste sistema contêm uma enorme proporção de matéria etérica, e por isso são mais facilmente afetadas pelas vibrações astrais mais rudes do que o são as células cuja proporção é menor. À medida que o sistema cérebro-espinhal se desenvolve, e o cérebro se torna mais e mais altamente evoluído, o sistema simpático passa para uma posição subordinada, e a sensibilidade a vibrações psíquicas é dominada pelas vibrações mais fortes e ativas do sistema nervoso superior. É verdade que numa fase mais tardia da evolução a sensitividade psíquica reaparece, mas é então desenvolvida em conexão com os centros cérebro-espinhais, e é trazida sob o controle da vontade. Mas o psiquismo histérico e mal-regulado de que vemos tantos exemplos lamentáveis é devido ao escasso desenvolvimento do cérebro e à dominância do sistema simpático".
Lampejos de clarividência ocasionais, contudo, realmente ocorrem ao homem altamente culto e espiritualmente orientado, mesmo que ele jamais possa ter ouvido falar da possibilidade de treinar tal faculdade. Neste caso tais vislumbres usualmente significam que ele está se aproximando do estágio em sua evolução quando estes poderes naturalmente começarão a se manifestar, e sua aparição deveria servir como um estímulo adicional para ele esforçar-se na manutenção daquele alto padrão de pureza moral e equilíbrio mental sem o que a clarividência é uma maldição e não uma bênção a seu possuidor.
Entre os que são inteiramente não-impressionáveis e aqueles que estão em plena posse do poder clarividente há muitos estágios intermediários. Um dos que valeria a pena darmos uma rápida olhada é o estágio em que o homem, ainda que não tenha nenhuma faculdade clarividente em sua vida comum, já a exibe mais ou menos completa sob a influência do hipnotismo. Este é um caso em que a natureza psíquica já é sensitiva, mas a consciência ainda não é capaz de atuar nela entre as múltiplas distrações da vida física. Ela precisa ser libertada pela suspensão temporária dos outros sentidos no transe hipnótico, antes que possa utilizar as divinas faculdades que estão apenas começando a despertar dentro de si. Mas é claro que mesmo no transe hipnótico há inumeráveis graus de lucidez, desde o paciente comum que é bastante obtuso até o homem cujo poder de visão está completamente sob o controle do operador, e pode ser dirigido conforme queira, ou nos estágios mais avançados nos quais, quando a consciência é libertada, escapa também do controle do magnetizador, e paira em campos de visão exaltada que estão inteiramente além de seu alcance.
Um outro passo ao longo da mesma estrada é aquele onde a supressão perfeita do físico como a que ocorre no transe hipnótico já não é necessária, mas o poder de visão supranormal, ainda que fora de alcance durante a vida desperta, se torna disponível quando o corpo é mantido nos laços do sono normal. Neste estágio de desenvolvimento estavam muitos dos profetas e videntes sobre quem lemos, que foram "avisados por Deus em sonho", ou comungaram com seres muito superiores a si mesmos nas silentes vigílias da noite.
A maioria das pessoas cultas das raças superiores do mundo têm esse desenvolvimento em alguma extensão: isto é, os sentidos de seus corpos astrais estão em ordem plena e atuante, e são perfeitamente capazes de receber impressões de objetos e entidades de seu próprio plano. Mas para torná-los de fato de alguma valia para elas aqui em baixo no corpo físico, duas alterações usualmente são necessárias: primeiro, o Ego deve ser despertado para as realidades do plano astral, e induzido a emergir da crisálida formada por seu próprios pensamentos gerados quando desperto, e olhar em torno para observar e aprender; e segundo, que a consciência deve ser mantida durante o retorno do Ego ao seu corpo físico, de modo a ser capaz de imprimir sobre o cérebro físico a lembrança do que tiver visto ou aprendido.

Se a primeira destas mudanças tiver lugar, a segunda é de somenos importância, uma vez que o Ego, o homem real, será capaz de aproveitar a informação obtida naquele plano, mesmo que ele não tenha a satisfação de trazer qualquer lembrança disso para sua vida desperta aqui embaixo.
Estudantes muitas vezes perguntam como esta faculdade clarividente primeiro se manifestará neles - como eles podem saber quando chegaram ao estágio no qual seus primeiros tênues prenúncios estiverem começando a ser visíveis. Os casos diferem tão amplamente que é impossível dar a esta pergunta qualquer resposta que seja aplicável universalmente.
Algumas pessoas começam de um salto, como se diz, e sob algum estímulo incomum se tornam capazes de ver uma única vez alguma espantosa visão; e muito freqüentemente em tal caso, porque a experiência não se repete, com o tempo o vidente passa acreditar que naquela ocasião estava sendo vítima de alguma alucinação. Outros começam por se tornar intermitentemente cônscios das brilhantes cores e vibrações da aura humana; já outros se acham com crescente freqüência vendo e ouvindo algo a que os que o rodeiam são cegos e surdos; outros, também, vêem rostos, paisagens, ou nuvens coloridas flutuando diante de seus olhos no escuro antes de mergulharem no sono; enquanto talvez a experiência mais comum de todas é aquela dos que começam a lembrar com mais e mais clareza o que vêem e ouvem nos outros planos durante o sono.
Tendo agora clareado em alguma extensão nosso terreno, podemos proceder à consideração dos vários fenômenos da clarividência.
Eles diferem tão amplamente em caráter e em grau que não é muito fácil decidir como podem ser satisfatoriamente classificados. Poderíamos, por exemplo, arranjá-los de acordo com o tipo de visão empregada - seja a metal, astral, ou meramente etérica. Poderíamos dividi-los de acordo com a capacidade do clarividente, levando em conta se é treinado ou não; se sua visão é regular e está sob seu comando, ou se é esporádica e independente de sua volição; se pode exercê-la só por influência hipnótica, ou se tal assistência é desnecessária para ele; se é capaz de usar sua faculdade quando desperto no corpo físico, ou se está disponível somente quando está temporariamente fora do corpo, dormindo ou em transe.
Todas estas distinções são importantes, e teremos de levá-las todas em conta à medida que prosseguirmos, mas talvez no conjunto a classificação mais útil seja nas linhas adotadas pelo Sr. Sinnett em seu trabalho Rational of Mesmerism (Uma Análise do Mesmerismo) - um livro, diga-se, que todos os estudantes da clarividência deveriam ler. Tratando dos fenômenos, então, os arranjaremos antes de acordo com a capacidade da visão empregada do que com o plano onde é exercida, de modo que podemos agrupar os exemplos de clarividência sob as seguintes classes:

1. Clarividência simples - isto é, uma mera abertura da visão, capacitando seu possuidor a ver entidades etéricas ou astrais que porventura estejam em seu redor, mas não incluindo o poder de observar lugares distantes ou cenas pertencentes a qualquer outro tempo que não o presente.

2. Clarividência espacial - a capacidade de ver cenas ou eventos distantes do observador no espaço, e ainda distantes demais para a observação comum ou ocultos por objetos interpostos.

3. Clarividência temporal - isto é, a capacidade de ver objetos ou eventos que estão distantes do vidente no tempo, ou, noutras palavras, o poder de ver o passado ou o futuro.

CAPÍTULO 2 CLARIVIDÊNCIA SIMPLES: INTEGRAL

Nós definimos esta como uma mera abertura da visão etérica ou astral, que possibilita ao seu possuidor ver o que quer que esteja presente em seu entorno nos níveis correspondentes, mas que não é usualmente acompanhada do poder de ver qualquer coisa a grande distância ou de ler seja o passado seja o futuro. É dificilmente possível excluir também estas últimas faculdades, pois a visão astral necessariamente tem uma extensão consideravelmente maior do que a física, e imagens fragmentárias do passado e do futuro são amiúde visíveis mesmo aos clarividentes que não sabem como buscar especialmente por elas; mas de qualquer forma existe uma distinção muito real entre estes vislumbres incidentais e o definido poder de projeção da visão seja no espaço ou no tempo.
Encontramos entre pessoas sensitivas todos os graus deste tipo de clarividência, desde aquele do homem que tem uma vaga impressão que dificilmente merece o nome de visão, até a integral posse da visão etérica e astral respectivamente. Talvez para nós o método mais simples seja começarmos pela descrição do que seria visível no caso do completo desenvolvimento deste poder, e os casos de desenvolvimento parcial então encontrariam naturalmente seus lugares.
Tomemos primeiramente a visão etérica. Esta consiste simplesmente, como já foi dito, na sensibilidade a faixas mais largas de vibrações físicas do que o normal, mas de qualquer maneira sua posse traz à visão muito do que é invisível para a maioria da humanidade. Consideremos que alterações sua aquisição produz no aspecto dos objetos familiares, animados e inanimados, e então vejamos a que fatores inteiramente novos ela nos introduz. Mas deve ser lembrado que o que estou prestes a escrever é o resultado exclusivamente da plena e perfeitamente controlada posse da faculdade, e que a maioria dos exemplos que encontramos na vida real serão bem mais acanhados em uma direção ou outra.
A mais impressionante mudança produzida na aparência dos objetos inanimados pela aquisição desta faculdade é que a maioria deles se torna quase transparente, devido à diferença no comprimento de onda de algumas das vibrações às quais o homem agora começa a tornar-se sensível. Ele se descobre capaz de realizar com a maior facilidade o ditado "ver através das paredes", pois para sua visão recém-adquirida as paredes de alvenaria parecem não ter uma consistência maior do que uma névoa tênue. Portanto ele vê o que está acontecendo numa sala contígua quase como se não houvesse nenhuma parede no caminho; ele pode descrever com precisão os conteúdos de uma caixa fechada, ou ler uma carta lacrada; com uma pequena prática ele poderá encontrar uma passagem específica num livro fechado. Este último feito, ainda que perfeitamente fácil para a visão astral, representa uma dificuldade considerável para alguém usando a visão etérica, por causa do fato de que então cada página tem que ser olhada através de todas que estiverem por cima dela.
Então perguntamos se sob tais circunstâncias um homem vê sempre com esta visão incomum, ou somente quando o deseja fazer. A resposta é que se a faculdade está perfeitamente desenvolvida estará inteiramente sob seu controle, e ele poderá usar esta, ou a sua visão mais comum, à vontade. Ele passa de uma para outra tão pronta e naturalmente quanto nós agora mudamos o foco de nossos olhos quando os desviamos de nosso livro para seguir os movimentos de algum objeto a um quilômetro de distância. É como se fosse uma focalização da consciência em um ou outro aspecto do que é visto: e ainda que o homem tivesse muito claramente sob a visão o aspecto sobre o qual sua atenção estiver fixada no momento, ele sempre estaria vagamente consciente do outro aspecto também, exatamente como quando fixamos nossa vista sobre qualquer objeto seguro em nossas mãos e ainda percebemos vagamente a parede oposta da sala como um pano de fundo.
Uma outra curiosa alteração, que deriva da posse desta visão, é que o chão sólido sobre o qual o homem caminha se torna em certa medida transparente para ele, de modo que é capaz de ver terra adentro até considerável profundidade, muito como quando vemos através de uma água muito límpida. Isto o capacita a observar alguma criatura escavando no subsolo, a distinguir um veio de carvão ou de metal se não estiver muito distante da superfície, e assim por diante.
O limite da visão etérica quando observamos através da matéria sólida parece ser análogo àquele imposto quando olhamos através da névoa ou da água. Não podemos ver além de certa distância, porque o meio através de que estamos vendo não é perfeitamente transparente.
A aparência dos objetos animados é também consideravelmente alterada para o homem que expandiu até este grau o seu poder visual. Para ele os corpos dos homens e animais são quase transparentes, de modo que ele pode observar a ação dos vários órgãos internos, e em alguma extensão diagnosticar algumas de suas doenças.
A visão estendida também o habilita ver, mais ou menos claramente, várias classes de criaturas, elementais ou outras, cujos corpos não são capazes de refletir quaisquer dos raios dentro do limite do espectro ordinariamente percebido. Entre as entidades vistas assim estarão algumas das ordens mais baixas de espíritos da natureza - cujos corpos são compostos de matéria etérica mais densa. A esta classe pertencem quase todas as fadas, gnomos e brownies, sobre os quais ainda existem tantas histórias nas montanhas da Escócia e Irlanda e nos lugares remotos de todo o mundo.
O vasto reino dos espíritos da natureza está principalmente no reino astral, mas ainda ali existe uma grande seção que pertence à parte etérica do plano físico, e esta seção, é claro, é muito mais passível de chegar ao alcance das pessoas comuns do que as outras. Na verdade, ao ler as histórias comuns de fadas freqüentemente encontramos nítidas indicações de que é com esta classe que estamos lidando. Qualquer estudante do amor das fadas lembrará quão amiúde é feita menção a uma misteriosa unção ou droga, que quando aplicada ao olho humano o habilita a ver membros da comunidade das fadas sempre que lhe ocorrer de os encontrar.
A história desta aplicação e seu resultado ocorre tão constantemente e nos chega de partes tão diversas do mundo que deve haver alguma verdade por detrás dela, como sempre acontece no caso de tradições populares realmente universais. Agora, nenhuma unção dos olhos sozinha poderia de modo algum abrir a visão astral do homem, ainda que certo ungüento friccionado por sobre todo o corpo auxilie em muito o corpo astral para que deixe o físico em plena consciência - um fato cujo conhecimento parece ter sobrevivido desde os tempos medievais, como se vê por algumas evidências deixadas em processos por feitiçaria. Mas a aplicação no olho físico poderia mui facilmente estimular sua sensitividade a ponto de torná-lo sensível a algumas vibrações etéricas.
A história freqüentemente prossegue relatando como o ser humano em quem foi usada esta unção mística usa sua visão expandida para ver alguma fada, e esta lhe golpeia ou perfura o olho, privando-o assim não só da visão etérica, mas também da do plano físico mais denso (Vide The Science of Fairy Tales - A Ciência dos Contos de Fada - de E. S. Hartlane, na série Contemporary Science - A Ciência Contemporânea - ou na verdade quase em qualquer coleção abrangente de histórias de fadas). Se a visão adquirida for a astral, tal procedimento seria inteiramente ineficaz, pois nenhum ferimento no aparato físico poderia afetar uma faculdade astral; mas se a visão produzida pela unção fosse etérica, a destruição do olho físico na maioria dos casos de imediato a interromperia, pois ele é o meio pelo qual ela funciona.
Qualquer um possuindo a visão de que estamos falando também seria capaz de perceber o duplo etérico humano; mas uma vez que este é quase idêntico ao físico em tamanho, dificilmente chamaria sua atenção, a menos que fosse parcialmente projetado em transe ou sob influência de anestésicos. Após a morte, quando ele se retira inteiramente do corpo denso, seria claramente visível, e seria freqüentemente visto pairando sobre túmulos recém-ocupados se o homem passasse por um campo santo ou cemitério. Se ele fosse assistir a uma sessão espírita veria a matéria etérica extravasando pelo lado do médium, e poderia observar as várias maneiras pelas quais as entidades comunicantes o utilizam.
Um outro fato que dificilmente não seria logo notado seria a extensão de sua percepção de cores. Ele se encontraria capaz de ver diversas cores inteiramente novas, sequer semelhantes a quaisquer das que formam o espectro como hoje o vemos, e portanto de todo indescritíveis por quaisquer termos que possuímos. E não somente veria objetos novos que seriam todos destas cores novas, mas também descobriria que modificações teriam sido introduzidas na cor de muitos objetos que lhe eram bem familiares, podendo ter ou não alguns tons novos misturados aos antigos. De modo que duas superfícies de cor que aos olhos comuns pareceriam se harmonizar perfeitamente, freqüentemente apresentariam nuanças diferentes à sua visão mais aguçada.
Agora tocamos em uma das principais alterações que seriam introduzidas no mundo do homem quando este adquirisse a visão etérica; e deve ser lembrado sempre que na maioria dos casos uma mudança correspondente ocorreria ao mesmo tempo também em seus outros sentidos, de modo que se tornaria capaz de ouvir, e talvez mesmo sentir, mais que a maioria dos outros em à sua volta. Agora, supondo que em adição a isso ele obtivesse a visão do plano astral, que mudanças adicionais ele observaria? Bem, elas seriam muitas e grandes; de fato, todo um mundo novo se abriria aos seus olhos. Consideremos brevemente suas maravilhas na mesma ordem de antes, e vejamos primeiro que diferença haveria na aparência dos objetos inanimados. Neste ponto eu poderia citar uma recente e abalizada resposta dada em The Vahan:
"Há uma diferença nítida entre visão etérica e visão astral, e é esta última que parece corresponder à quarta dimensão.
"O modo mais simples de entender a diferença é tomar um exemplo. Se você olhar para um homem por sua vez com ambas as visões, você veria os botões na parte de trás de seu casaco em ambos os casos; mas se você usasse a visão etérica, você os veria através do homem, e veria o lado de trás dos botões como se estivessem mais perto de você, mas se você olhasse astralmente, veria não só assim, mas também como se você mesmo estivesse atrás do homem.
"Ou se você estivesse olhando etericamente para um cubo de madeira com inscrições em todos os seus lados, seria como se o cubo fosse de vidro, de modo que você poderia ver através, e veria o escrito no lado oposto de trás para diante, enquanto que os escritos dos lados direito e esquerdo não ficariam claros exceto se você se movesse, por causa do ângulo de visão tangencial. Mas se o olhasse astralmente, veria todos os lados de uma só vez, e todos na posição "certa", como se todo o cubo tivesse sido achatado diante de você, e você veria cada partícula do interior também - não através umas das outras, mas todas planificadas umas ao lado das outras diante de você. Você estaria olhando para ele a partir de uma certa direção, mas seria como se todas as faces que conhecemos estivessem de frente para você.
"Se você olhasse etericamente para o verso de um relógio, veria através de todas as engrenagens, e a frente através delas todas, mas invertida; se você o olhasse astralmente, veria a frente direito e todas as engrenagens estando separadas, mas nenhuma por cima uma da outra."
Aqui temos logo a nota-chave, o principal fator de diferença; o homem está olhando para tudo de um ponto de vista absolutamente novo, inteiramente fora de tudo que jamais imaginou antes. Ele já não tem a mais leve dificuldade em ler qualquer página de um livro fechado, porque agora ele não a estaria vendo através de todas as páginas da frente ou de trás, mas estaria olhando direto para ela como se fosse a única página a ser vista. A profundidade em que um veio de metal ou de carvão pudesse jazer já não seria uma barreira à visão dele, porque agora já não vê através de toda a camada intermediária de terra. A espessura de uma parede, ou o número de paredes entre o observador e o objeto, fariam uma grande diferença para a clareza da visão etérica; isso não faria, porém, diferença nenhuma à visão astral, porque no plano astral eles não se interporiam entre o observador e o objeto. É claro que soa paradoxal e impossível, e é bastante inexplicável para uma mente não especialmente treinada para captar a idéia; não obstante, é absolutamente verdadeiro.
Isso nos leva direto ao cerne da polêmica questão da quarta dimensão - uma questão do mais profundo interesse, ainda que não a pretendamos discutir no espaço à nossa disposição. Aos que a quiserem estudar como merece recomendamos iniciar com Scientific Romances (Romances Científicos) de C. H. Hinton ou Another World (Um Outro Mundo), do Dr. A. T. Schofield, e então acompanhar o primeiro autor em um trabalho maior, A New Era of Thought (Uma Nova Era do Pensamento). O Sr. Hinton não só afirma ser capaz de captar mentalmente algumas da figuras quadridimensionais mais simples, mas também assegura que qualquer um que se der ao trabalho de seguir suas orientações pode também com perseverança adquirir aquela capacidade mental. Não estou certo de que o poder de fazer isso esteja ao alcance de todos, como ele imagina, pois parece-me requerer considerável habilidade matemática; mas posso de qualquer modo testemunhar que o tesseract ou cubo quadridimensional que ele descreve é uma realidade, pois é uma figura familiaríssima no plano astral. Ele agora aperfeiçoou um novo método de representar as diversas dimensões através de cores em vez de por símbolos escritos arbitrários. Ele coloca que deseja simplificar muito o estudo, como o leitor será capaz de distinguir instantaneamente pela vista qualquer parte ou característica do tesseract. Diz que uma descrição completa deste novo método, com ilustrações, está pronta para a impressão, e deve sair em um ano, desse modo pretendendo que estudantes deste assunto fascinante poderiam fazer bem em esperar sua publicação.
Sei que Madame Blavatsky, aludindo à teoria da quarta dimensão, expressou uma opinião que é só uma exposição tosca da idéia da inteira permeabilidade da matéria, e que W. S. Stead seguiu ao longo das mesmas linhas, apresentando esta concepção a seus leitores sob a denominação de pervasividade. Investigação cuidadosa, reiterada e detalhada, entretanto, parece mostrar muito conclusivamente que esta explanação não cobre todos os fatos. É uma perfeita descrição da visão etérica, mas a idéia ulterior e muito diferente da quarta dimensão como exposta pelo Sr. Hinton é a única que dá aqui algum tipo de explicação dos fatos constantemente observados da visão astral. Eu arriscaria respeitosamente sugerir que, quando Madame Blavatsky escreveu aquilo, tinha em mente a visão etérica e não a astral, e que a aplicabilidade estrita da frase a esta outra e mais elevada faculdade, na qual não estava cogitando no momento, não ocorreu a ela.
A posse deste poder extraordinário e escassamente descritível, então, deve ser tida em mente através de tudo o que se segue. Ele deixa cada ponto no interior de todo o corpo sólido absolutamente aberto à visão do vidente, exatamente como cada ponto no interior de um círculo está aberto à visão do homem que o observa.
Mas mesmo isto não é de modo nenhum tudo o que concede a seu possuidor. Ele vê não apenas o interior e o exterior de cada objeto, mas também sua contraparte astral. Cada átomo e molécula de matéria física tem seus átomos e moléculas astrais correspondentes, e a massa que surge disso é claramente visível ao nosso clarividente. Usualmente a parte astral de qualquer objeto projeta-se um pouco além de sua parte física, e assim os metais, pedras e outras coisas são vistos rodeados de uma aura astral.
Será visto prontamente que mesmo no estudo da matéria inorgânica um homem ganha imensamente pela aquisição desta visão. Não só ele vê a parte astral do objeto para o qual olha, e que antes lhe estava totalmente oculta; não só ele vê muito mais de sua constituição física do que via antes, mas mesmo o que antes lhe era visível agora é visto com muito maior clareza e verdade. Uma breve reflexão mostrará que sua nova visão o aproxima muito mais da verdadeira percepção do que o faz a vista física. Por exemplo, se ele olhar astralmente para um cubo de vidro, todos os seus lados parecerão iguais, como realmente o são, enquanto que no plano físico ele vê os outros lados em perspectiva - isto é, parecem menores do que o lado mais próximo, o que é, evidentemente, uma mera ilusão devida às limitações físicas.
Quando passamos a considerar as facilidades adicionais que isso oferece na observação dos objeto animados, vemos ainda mais claramente as vantagens da visão astral. Ela exibe ao clarividente a aura das plantas e animais, e assim, no caso destes, seus desejos e emoções, e quaisquer pensamentos que possam ter, estão todos nitidamente expostos diante de seus olhos.
Mas é no trato com seres humanos que ele mais apreciará o valor desta faculdade, pois ele freqüentemente será capaz de ajudá-los muito mais efetivamente quando se guiar pela informação que ela lhe der.
Ele será capaz de ver a aura tanto quanto o corpo astral, e ainda que deixe toda a parte superior do homem ainda escondida de seus olhos, de qualquer modo ele achará possível aprender muito sobre a parte mais elevada que está ao seu alcance. Sua capacidade de examinar o duplo etérico lhe dará vantagem considerável na localização e classificação de qualquer defeito ou doença do sistema nervoso, enquanto que pela aparência do corpo astral ele de imediato se cientificará de todas as emoções, paixões, desejos e tendências do homem que estiver diante de si, e mesmo também de muitos de seus pensamentos.
Ao olhar para uma pessoa a verá rodeada pela névoa luminosa da aura astral, resplandecendo com todos os tipos de cores brilhantes, e constantemente alterando os tons e fulgor de acordo com cada variação de sentimentos e pensamentos da pessoa. Ele verá esta aura inundada com o belo rosa da afeição pura, o rico azul do sentimento devoto, o embaçado e escuro marrom do egoísmo, o escarlate profundo da raiva, o horrível vermelho berrante da sensualidade, o lívido cinza do medo, as nuvens negras do ódio e da malícia, ou qualquer das outras centenas de indicações tão facilmente lidas nela pelo olho treinado; e assim será impossível para quaisquer pessoas esconder dele o estado real de seus sentimentos sobre qualquer assunto.
Estas várias indicações da aura são por si um estudo do mais profundo interesse, mas aqui não tenho espaço suficiente para tratar disso em detalhe, Um relato muito mais completo, junto com ilustrações coloridas, será encontrado em meu trabalho Man, Visible and Invisible (O Homem Visível e Invisível).
Não só a aura astral lhe mostra o resultado temporário da emoção que perpassa nele naquele momento, mas também lhe dá, pelo arranjo e proporção de suas cores quando em condição de comparativo repouso, uma chave para a disposição e caráter gerais de seu possuidor. Pois o corpo astral é uma expressão do tanto do homem que pode ser manifestado naquele plano, de modo que do que é visto nele, muito mais - que pertence aos planos superiores - pode ser inferido com certeza considerável.
Neste julgamento do caráter nosso clarividente será muito ajudado pelo quanto dos pensamentos da pessoa se expressem no plano astral, e conseqüentemente entram no seu campo de percepção. O verdadeiro lar dos pensamentos é o plano mental, e todo o pensamento se manifesta primeiro lá como uma vibração do corpo mental. Mas se de alguma maneira for um pensamento egoísta, ou se for ligado de qualquer forma com uma emoção ou desejo, imediatamente ele desce para o plano astral, e assume uma forma visível de matéria astral.
No caso da maioria dos homens quase todo o pensamento recairá em uma ou outra destas categorias, de modo que praticamente todas as suas personalidades se apresentarão claramente diante da visão astral do amigo, uma vez que seus corpos astrais e as formas-pensamento constantemente se irradiando deles lhe serão como um livro aberto, no qual suas características estarão tão desnudadas quanto o puder lê-las quem as olha. Qualquer um que deseje obter alguma idéia de como as formas-pensamento se apresentam à visão clarividente pode satisfazer-se até certo ponto examinando as ilustrações que acompanham o assunto no valioso artigo de Annie Besant publicado no Lucifer de setembro de 1896.
Estivemos estudando algo da alteração na aparência tanto de objetos animados como inanimados, quando vistos por alguém possuidor de visão clarividente plena até onde interessa ao plano astral; passemos a considerar como os objetos inteiramente desconhecidos serão vistos. Ele estará consciente de uma pletora muito maior na Natureza, em muitos sentidos, mas sua atenção será atraída principalmente pelos habitantes vivos deste novo mundo. Nenhuma descrição detalhada deles pode ser tentada dentro do espaço de que dispomos; para isso o leitor deve reportar-se ao Manual Teosófico nº V. Aqui não podemos fazer muito mais que meramente enumerar só umas poucas classes da vasta legião dos habitantes astrais.
Ele ficará impressionado pelas formas mutantes da incansável maré da essência elemental, sempre rodopiando ao seu redor, muitas vezes ameaçadora, mas geralmente se retirando mediante um esforço determinado da vontade; ele ficará maravilhado com o enorme exército de entidades temporariamente chamadas à vida separada neste oceano pelos pensamentos e desejos dos homens, seja bons ou maus. Ele observará as variadas tribos de espíritos da natureza em seu trabalho ou folguedos; algumas vezes será capaz de estudar com deleite crescente a magnífica evolução de algumas ordens inferiores do glorioso reino dos Devas, que correspondem aproximadamente à hoste angélica da terminologia Cristã.
Mas talvez de interesse ainda maior do que todos para ele serão os habitantes humanos do mundo astral, e ele os encontrará distinguíveis em duas grandes classes - os que chamamos vivos, e os outros, a maioria dos quais infinitamente mais vivos, que tolamente chamamos de mortos. Entre os primeiros ele encontrará aqui e ali algum plenamente desperto e consciente, talvez, enviado para trazer-lhe alguma mensagem, ou examiná-lo com atenção para verificar que progresso ele está fazendo; enquanto que a maioria de seus vizinhos, quando fora de seus corpos físicos durante o sono, flutuarão a esmo, tão envolvidos em suas próprias cogitações que se tornam praticamente inconscientes do que está acontecendo ao seu redor.
Entre as grandes hostes dos mortos recentes encontrará todos os graus de consciência e inteligência, e todas as variedades de caráter - pois a morte, que nos parece uma mudança tão absoluta para nossa visão limitada, na realidade não altera nada no próprio homem. No dia depois de sua morte ele é precisamente o mesmo homem que era no dia anterior, com a mesma disposição, as mesmas qualidades, as mesmas virtudes e vícios, exceto que terá abandonado seu corpo físico; mas a sua perda jamais faz dele um homem diferente de alguma forma mais do que o faria o tirar um casaco. Assim entre os mortos nossos estudantes encontrarão homens inteligentes e estúpidos, bondosos e rabugentos, sérios e frívolos, espiritualmente orientados e sensualmente orientados, exatamente como entre os vivos.
Uma vez que ele pode não apenas ver os mortos, mas também falar-lhes, ele pode muitas vezes ser de grande valia para eles, e dar-lhes informações e orientação que lhes será do mais alto valor. Muitos deles estão em uma condição de grande surpresa e perplexidade, e algumas vezes mesmo de aguda aflição, porque para eles os fatos do novo mundo são tão diferentes das lendas infantis que são tudo o que todas as religiões populares no Ocidente têm a oferecer com respeito a este assunto transcendentalmente importante; e portanto um homem que entende este novo mundo e pode explicar questões é nitidamente um amigo na necessidade.
De muitas outras formas um homem que possua plenas faculdades pode ser de utilidade para os vivos e para os mortos; mas este aspecto do assunto eu já abordei em meu livreto Invisible Helpers (Auxiliares Invisíveis). Além das entidades astrais ele verá cadáveres astrais - sombras e cascões em todos os estágios de desintegração; mas estes aqui só precisam de uma menção, pois o leitor que desejar uma descrição mais completa deles a encontrará nos nossos manuais, terceiro (Death - and After? - O que Há Além da Morte?) e quinto (The Astral Plane - O Plano Astral).
Um outro maravilhoso resultado que o pleno uso da clarividência astral traz ao homem é que ele já não sofre nenhuma interrupção de consciência. Quando ele deita à noite, ele dá ao seu corpo físico o descanso que precisa, enquanto vai para seu trabalho no muito mais confortável veículo astral. De manhã ele retorna e reassume o corpo físico, mas sem qualquer perda de consciência ou memória entre os dois estados, e assim ele é capaz de viver como que uma vida dupla, que é uma só, e ser usado utilmente todo o tempo, em vez de perder um terço de sua existência na inconsciência vazia.
Um outro estranho poder que o homem se vê de posse (mesmo que seu controle pleno pertença antes a uma faculdade devachânica mais elevada) é o de magnificar à vontade a mais mínima partícula física ou astral para qualquer tamanho desejado, como se fosse num microscópio - ainda que nenhum microscópio jamais construído ou sequer passível de o ser possua sequer a milésima parte deste poder magnificante. Através dele os hipotéticos átomos e moléculas postulados pela ciência se tornam realidades visíveis e vivas para o estudante do oculto, e no seu exame minucioso ele os descobre muito mais complexos em sua estrutura do que o homem de ciência jamais os concebeu. Isso também o habilita a acompanhar com a maior atenção e o interesse mais vivo todos os tipos de ação elétrica, magnética e etérica; e quando alguns dos especialistas de algum destes ramos da ciência estiverem aptos a desenvolver o poder de ver as coisas sobre as quais escrevem com tamanha desenvoltura, algumas revelações muito maravilhosas e belas podem ser esperadas.
Este é um dos siddhis ou poderes descritos nos livros Orientais como surgindo no homem que se devota ao desenvolvimento espiritual, mesmo que o nome sob o qual é mencionado não possa ser reconhecível de imediato. É falado como sendo "o poder de fazer-se grande ou pequeno à vontade", e a razão por que a descrição aparece tão em sentido oposto ao fato é que na verdade o método pelo qual esta façanha é executada é precisamente aquele indicado pelos antigos livros. É pelo uso de um mecanismo visual temporário de inconcebível pequenez que o mundo do infinitamente pequeno é visto assim tão claramente; e do mesmo modo (ou antes do modo oposto) é por aumentar temporariamente o tamanho do mecanismo usado que é possível aumentar a amplitude da visão de alguém - tanto no sentido físico como, esperamos, no moral - muito para além de qualquer coisa que a ciência jamais sonhou possível para o homem. Assim a alteração no tamanho realmente se dá no veículo da consciência do estudante, e não em nada externo a si mesmo; e o velho livro oriental, no fim das contas, colocou a questão com maior precisão do que nós.
A psicometria e a segunda-visão in excelsis também estão entre as faculdades que nosso amigo terá sob seu comando; mas estas serão melhor abordadas em uma seção posterior, uma vez que quase todas as suas manifestações envolvem clarividência seja no espaço como no tempo.