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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Defuma com as ervas da Jurema ….

Muitas pessoas nos escrevem fazendo perguntas ou pedindo referências literárias sobre fundamentos, rituais e práticas Umbandistas. Sei que é muito difícil praticar aquilo que não se entende e que é impossível amar aquilo que não se conhece. Pensando nisso e no fato de que só podemos ser bons médiuns se amarmos a Umbanda, resolvi iniciar hoje uma série de artigos que serão publicados de tempos em tempos visando o estudo e um maior conhecimento sobre os fundamentos básicos da Nossa Religião. Sendo assim, nada melhor do que começar pelo começo, não é mesmo? Então vamos hoje falar sobre defumação!
Nenhuma ação de limpeza ambiental é mais completa que uma boa defumação pois o ar concentrado de energias elementais entra e penetra em todos os cantos e brechas da casa envolvendo as paredes, o teto, o chão, os móveis, enfim, tudo. Além disso a defumação também descarrega o corpo mediúnico das pessoas e sutiliza suas vibrações tornando-as receptivas às energias de ordem positiva fazendo, assim, com que a comunicação com o Plano Astral Superior se torne mais fácil e em perfeita harmonia. Tudo isso facilita a imantação positiva que as Entidades de Luz irradiam sobre o nosso corpo físico, irradiação esta capaz de eliminar as doenças de fundo espiritual e material.
É comum o uso religioso das defumações pelos Sacerdotes pois um Terreiro, um Centro, um Templo e até uma Igreja são locais onde as pessoas vão para descarregar seus emocionais. Chegam da rua com pensamentos negativos, vibrações pesadas, sentimentos rancorosos e o forte magnetismo existente nesses recintos desagrega os acúmulos das auras das pessoas que ficam retidos no interior desses locais religiosos. Então a defumação torna-se necessária e até obrigatória pois ela visa purificar o ambiente e dissipar as condensações ali acumuladas, sem contar que quando queimamos incensos naturais nossos pensamentos ficam claros e de alguma maneira estamos agradecendo à Mãe Terra pelo ar fresco e ajudando a clarear o pensamento individual e planetário.
O segredo da defumação por parte das entidades espirituais que utilizam os cachimbos, os charutos e até cigarros são variados e dependem do caso em questão. É importante que fique bem claro que as entidades não fumam, isso quer dizer que não são viciadas nem viciam o médium como  muitos pensam. Eles apenas utilizam o charuto, por exemplo, como elemento concentrador vegetal do fumo acompanhado do seu sopro que pode ser quente, frio, desagregador, harmonizador ….. mas isso tudo é assunto para um outro artigo !
Infelizmente incensos comerciais raramente contêm resinas ou óleos naturais pois são feitos com essência sintética e derivados de petróleo que na verdade não trazem benefício algum. Portanto, para fazer uma boa defumação é preciso um turíbulo cheio de carvão em brasa sobre o qual vai se derramando ervas secas e resinas. Todas as janelas e portas deverão ser fechadas deixando apenas uma aberta para a saída de “todo o mal”. Manuseie seu defumador de maneira que a fumaça aromática envolva tudo: todas as pessoas da sua casa, os móveis, os armários (abrindo suas portas), as camas (embaixo e em cima), não esquecendo dos animais de estimação. É importante fazer a defumação sempre em oração podendo também cantar, afinal quem canta os males espanta! É sempre recomendado que as pessoas da casa tomem um banho de ervas depois da defumação afinal não basta somente limpar o ambiente temos que limpar também o nosso campo áurico.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Umbanda pede Amor !

A Umbanda deve crescer e ser praticada pelo conhecimento, divulgação e compreensão, tudo com bases sólidas na Lei Divina. Por isso, vamos mostrar a todos que o caminho da Umbanda é o do amor. Vamos fazer entender que não existem Umbandas, existe apenas uma que é a Umbanda da bondade, da caridade, do aprendizado, da seriedade para com a vida, do respeito ao próximo e à natureza. Vamos humildemente evoluir com a eterna busca da verdade pois somente ela pode fazer a mudança da vida, a mudança para o caminho do amor universal.
Vamos conhecer, falar e praticar a Umbanda com amor. Mas, como amar maltratando ou sacrificando animais? Como amar cobrando pela caridade, prejudicando o próximo ou interferindo na evolução? Como amar prejudicando a natureza, não praticando a verdade, abusando da vaidade ou incentivando o preconceito? Essas atitudes não fazem parte da Umbanda. Devemos estar sempre estudando e nos interessando pelos trabalhos espirituais, não devemos nos acomodar nas bases em que crescemos pois elas também mudam e evoluem. Nós devemos seguir essa evolução, mas sempre com os pés no chão e humildade.
A Umbanda não quer fé cega, ela quer fé sustentada pelo amor e só se pode amar aquilo que realmente se conhece. Saiba que tudo é amor: vida é o amor existencial, razão é o amor que pondera, estudo é o amor que analisa, ciência é o amor que investiga, verdade é o amor que se eterniza, ideal é o amor que se eleva, religião é o amor que busca Deus, fé é o amor que se transcede, esperança é o amor que sonha, caridade é o amor que auxilia, fraternidade é o amor que se expande, sacrifício é o amor que se esforça, renúncia é o amor que se depura, simpatia é o amor que sorri, altruísmo é o amor que se engrandece e trabalho é o amor que se constrói.
Assim como, em contrapartida: indiferença é o amor que se esconde, desespero é o amor que se desgoverna, paixão é o amor que se desequilibra, ciúme é o amor que se desvaira, egoísmo é o amor que se animaliza, orgulho é o amor que enlouquece, sensualismo é o amor que se envenena, vaidade é o amor que se embriaga e, finalmente, o ódio, que julgamos ser o oposto do amor, nada mais é que o próprio amor que adoeceu gravemente.
O amor não cobra, não exige e não pede. O amor dá! O amor transcende os vícios do ser humano e chaga ao Alto. O amor é dedicação, disciplina e cuidado. O amor é estado de espírito e assim deve ser sentido pelos Umbandistas, que não devem estar na Umbanda e sim SER Umbanda na grandeza do amor. Ser Umbanda é ser amor de corpo, mente e alma. É ser convicto das forças dos Orixás e ser abnegado às forças da Lei e da Justiça.
Não sejamos como os cometas que são lindos mas passageiros, apenas mostrando sua luz para aqueles que se dispuserem a olhar para o céu. Que possamos ser como as estrelas que são a luz do universo a atingir todas as pessoas, sem distinção de cor, credo ou tamanho do saldo bancário, mas com o calor que pode aquecer os corações de quem precisa da energia do amor!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Eu me sinto feliz de ser obstinadamente MÉDIUM!


Muitas pessoas estão pensando ou decidindo sua caminhada espiritual, pensando em desenvolver a mediunidade e em participar dos trabalhos espirituais de um Centro, ou seja, Vestir o Branco.
Esta fase é muito importante para qualquer um, normalmente fica-se morrendo de medo, preocupado com a responsabilidade, refletindo se vai dar conta, pensando o que e no que isso compromete, pensando no futuro, na ideia  de que é um caminho sem volta, como muitas vezes ouvimos,  e ao mesmo tempo cheio de ansiedade para fazer algo diferente, algo de bom, algo que faça a sua vida e a vida das pessoas mudarem…
Conclusão,  é um turbilhão de pensamentos e sentimentos, um turbilhão de perguntas que quando não se obtêm respostas claras e lógicas paralisam qualquer ação e qualquer boa intenção.
Pensando nisso gostaria de aproveitar esse espaço para tentar facilitar essa fase tão fundamental e importante para qualquer médium.
Vejam só, todos aqueles que sentem a ação do Alto ou do Embaixo, seja em forma de bênçãos ou de carga negativa, é Médium. Ser médium significa que se está no meio, que intermedia dois planos, que entende, percebe, recebe e sente a ação do céu e do inferno (como diriam os católicos). Portanto todos que se comunicam com Deus, anjos, santos, orixás, mentores… São Médiuns.
Claro que uns têm esse dom muito mais aflorado e outros menos, alguns inclusive tem missão, outros tem obrigação e outros ainda tem função, aí não adianta fugir, não adianta fingir, não dá para dizer que não existe e que não quer.
Nesses casos a necessidade é tão grande que quanto mais o médium recusar mais dor,  sofrimento e perdas ele sentirá e terá.
Afinal de contas foi ele que combinou com sua família espiritual!
Entendam, não é um castigo do Astral! Mas sim uma reação da própria ação do médium.
Os Guias Espirituais nesses casos tentam ajudar no que podem.
Falam, alertam, orientam, inspiram, no entanto, não surte efeito, não são ouvidos ou entendidos, a recusa é acentuada pois o campo de visão desses médiuns normalmente está totalmente focado nas necessidades materiais como trabalho, relação amorosa, saúde e em uma infinidade de outras situações e desejos que induzem à perda do real sentido da vida e o real sentido de estar aqui nesse plano. Infelizmente percebemos uma triste ação que inevitavelmente proporciona uma lamentável reação.
É fato, quanto mais recusar a vida em espírito, mas difícil ficará a vida na matéria! É a incontestável Lei da Ação e Reação agindo.
É fato, ninguém faz conosco o que não queremos ou o que não merecemos!
O pedido, o desejo, o acordo de ser médium foi e é NOSSO. Saibam que grandes acordos foram feitos no astral com os Guias Espirituais quando nos encontrávamos desencarnados, assim como grandes promessas são feitas diariamente aos Guias Espirituais pelos próprios médiuns aqui, enquanto encarnados e enquanto necessitam. No entanto, após tudo resolvido e com novas oportunidades as ideias mudam e as promessas são quebradas facilmente.
Saliento e afirmo com toda minha convicção que os Guias Espirituais respeitam o Livre Arbítrio e que não nos forçam a nada, nós é que muitas vezes somos volúveis demais e esquecemos muito rápido os compromissos, os chamados e as bênçãos recebidas. Quantas pessoas foram curadas pela espiritualidade e negam o compromisso da mediunidade, quantas pessoas tiveram suas vidas modificadas pela ação de um Exu e em pouco tempo viram as costas e ainda denigrem a imagem Exu na primeira oportunidade, quantas pessoas prometem, juram, afirmam o compromisso mediúnico em frente aos Guias e quando conseguem o que querem dizem que agora não é a hora, que agora não tem tempo, que não podem perder a oportunidade que receberam. Quantas pessoas prometem, prometem e prometem com tanta facilidade quanto esquecem.
Enfim, mediunidade é um Dom e não uma privação, castigo ou escolha, desenvolver a mediunidade só faz o bem, seja para o próprio médium, seja para o próximo. Aliás, tem uma frase muito inspiradora a todos aqueles que juram uma fé incondicional, mas não agem o Sentido da Fé: A FÉ, SE NÃO TIVER OBRAS, É MORTA EM SI MESMA. Tiago 2:17.
Desenvolver a mediunidade, Vestir o Branco, é entrar em equilíbrio com o próprio espírito, com a própria alma. É sair da agonia, da dor e do sofrimento e viver em Paz de Espírito. Não adianta, quem tem missão, função e obrigação tem que quebrar os tabus, os medos e fazer aquilo que TEM QUE FAZER.
Desenvolver a mediunidade, Vestir o Branco, só faz bem, só melhora e apura nossos sentidos, só engrandece nossa vida e favorece nosso estado de espírito.
Medo??? O medo quando não dominado só paralisa, endurece e estagna um movimento, consequentemente um crescimento. Medo? Medo de espíritos Bons, de energia pura, de fazer o bem? Não, não podemos deixar boas e importantes oportunidades passar. Não podemos alimentar esse tipo de sentimento tão denso e paralisante.
Preocupado com a responsabilidade? Se vai dar conta? Ora, olhe à sua volta, será que você já não deu conta de coisa muito pior, de coisa muito mais difícil que isso? Entenda, desenvolver a mediunidade cria em nós uma energia altamente positiva e Divina, portanto, não tem como não dar conta.
Pensando o que e no que isso compromete? Então saiba que isso só compromete Amor, Dedicação e Convicção. E tenho certeza que isso não é tão difícil assim.
Acha que esse é um caminho sem volta? Pois então compreenda que esse Não é um caminho sem volta, é um caminho de tanta Paz, de tanta Luz e de tanta Alegria que é VOCÊ que não vai mais querer sair desse caminho.
Sei que algumas pessoas passam por apuros no início desse desenvolver, mas nada que não seja de merecimento, que não seja para crescimento e para aperfeiçoamento. Sei que algumas pessoas já tiveram grandes desilusões, mas o que é isso perto da grandeza de sentir um Orixá em  nosso corpo, sentir a doçura de um Preto-velho, a clareza de um Caboclo, a pureza e alegria de um Erê e a sabedoria de um Exu.
Enfim, sei que esse assunto é longo, mas termino esse texto afirmando com toda minha convicção, fé e amor que não existe nada melhor, nada mais satisfatório e nada mais grandioso que ser um instrumento de Espíritos tão elevados, tão benevolentes e sábios.
Portanto, a cada nova oportunidade reafirmo a importância e o privilégio que é
SER MÉDIUM.

“Eu me sinto feliz de ser obstinadamente médium…
Eu gosto de ser médium, gosto dessa palavra…
Quero morrer médium…
É tudo o que eu sempre quis ser…”
Chico Xavier

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Os Espíritos resolvem nossos problemas?



Muita gente procura o centro espírita em busca de uma conversa direta com os guias espirituais. Talvez acreditem que, se tiverem oportunidade de conversar, chorar suas mágoas e defender suas idéias de auto-piedade, os espíritos se mobilizarão para auxiliá-los e destrinchar suas dificuldades com toda a urgência e facilidade. Meu Deus, como muitos amigos(as) estão equivocados!
Espírito nenhum resolve problemas de ninguém.
Esse definitivamente não é o objetivo nem o papel dos espíritos, meu filho(a). Se porventura você está em busca de uma solução simples e repentina para seus dramas e desafios, saiba que os espíritos desconhecem quimera capaz de cumprir esse intento.
No espiritismo, não se traz o amor de volta; ensina-se a amar mais e valorizar a vida, os sentimentos e as emoções, sem pretender controlar os sentimentos alheios ou transformar o outro em fantoche de nossas emoções desajustadas.
Os espíritos não estão aí para “desmanchar trabalhos” ou feitiçarias; é dever de cada um renovar os próprios pensamentos, procurar auxílio terapêutico para educar as emoções e aprender a viver com maior qualidade.
Até o momento, não encontramos uma varinha mágica ou uma lâmpada maravilhosa com um gênio que possa satisfazer anseios e desejos, resolvendo as questões de meus filhos(as). O máximo que podemos fazer é apontar certos caminhos e incentivar meus filhos(as) a caminhar e desenvolver, seguindo a rota do amor.
Não adianta falar com as entidades e os guias ou procurar o auxílio dos orixás, como muitos acreditam, pois tanto a solução como a gênese de todos os problemas está dentro de você, meu filho. Ao menos no espiritismo, a função dos espíritos é maior do que satisfazer caprichos e necessidades imediatas daqueles que concentram sua visão nas coisas do mundo. Não podemos perder nosso tempo com lamentações intermináveis nem com pranto que não produza renovação. Nosso campo de trabalho é a intimidade do ser humano, e a cientização de sua capacidade de trabalhar e investir no lado bom de todas as coisas. Nada mais.
Tem gente por aí se deixando levar pelas aparências de espiritualidade. A grande multidão ainda não despertou para as verdades espirituais e acha-se com os sentidos embriagados e as crenças arraigadas em formas mesquinhas e irreais de viver a vida espiritual. Persegue soluções que lhe sejam favoráveis, e, em geral, tais soluções dizem respeito a questões emocionais ou materiais que meus filhos(as) não se sentiram capazes de superar.
Ah! Como se enganam quanto à realidade do espírito.
O aprendizado da vida é longo, amplo e exige um esforço mental de tais proporções que não torna fácil romper com os velhos hábitos de barganhas espirituais aprendidos com as religiões do passado.
Fazem-se promessas, cumprem-se rituais na esperança de que os espíritos ou Deus concedam-lhes um favor qualquer em troca de seus esforços externos, que presumem sobrepor-se aos valores internos. Pensamentos assim resultam de uma educação religiosa deficiente e advêm de hábitos seculares que perduram nos dias atuais e carecem de uma análise mais profunda. Os indivíduos que agem com base nessas premissas evitam reconhecer sua responsabilidade nos acontecimentos que os atingem e pensam enganar a Deus com seu jeito leviano e irresponsável de tratar as questões espirituais. Fatalmente se decepcionam ao constatar que aquilo que queriam não se realizou e que as focas sublimes da vida não se dobraram aos seus caprichos pessoais.
Os problemas apresentados pela vida têm endereço certo, e não há como transferi-los para os espíritos resolverem. Se determinada luta ou dificuldade chega até você, compete a você vencê-la. Na sede de se livrar do processo educativo ministrado pela vida, meus filhos(as) esperam que , os espíritos, possam isentá-los de seus desafios. Isso é irreal. Não detém o poder de transferir de endereço a receita de reeducação que vem para cada um. Nenhum espírito minimamente esclarecido poderá prometer esse tipo de coisa sem comprometer o aprendizado individual.
Foram chamados pelo Pai para auxiliar meus filhos(as) apontando o caminho ou a direção mais provável para alcançarem êxito na construção de sua felicidade.
Vejam como exemplo a atuação do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo matando a sede e a fome de multidões, ele não arranjou emprego para ninguém. Curou e restabeleceu a saúde de muitos que nele acreditaram, mas não libertou ninguém das conseqüências de seus atos e escolhas.
Sabendo das dificuldades sociais da época, não tentou resolver questões que somente poderiam ser transpostas com o tempo e o amadurecimento daquele povo. Em momento algum o vimos a prescrever fórmulas para dar fim a desavenças de ordem familiar, socioeconômica nem tampouco emocional, recomendando meios de trazer o marido de volta ou fazer a pessoa amada retornar aos braços de quem deseja. Uma vez que ele é o Senhor de todos os espíritos e não promoveu coisas nesse nível, como podemos nós, seus seguidores, sequer cogitar realizá-las?
O que podemos deduzir das atitudes de Nosso Senhor, meus filhos(as), é que, se ele não se dispôs a realizar tais demandas, que na época certamente existiam, é porque a natureza de seu trabalho era outra. Mesmo debelando os males, prestando o socorro que podia, ele não eximiu a população de enfrentar seus desafios. Quem recebeu o pão voltou a ter fome e inevitavelmente teve de trabalhar para suprir as próprias necessidades; quem foi curado teve de aprender a valorizar a própria vida, pois outras enfermidades viriam mais tarde; quem Jesus ressuscitou dos mortos desencarnou mais adiante.
Em suma, o processo de reeducação a que conduzem os embates da vida é tarefa de cada um. Cristo Nosso Senhor apenas indicou a direção, mas cabe a cada seguidor palmilhar o caminho com suas próprias pernas, avançando com passos seguros e resolutos em seu aprendizado.
Através desse raciocínio, meu filho(a), você poderá compreender a razão pela qual não há proveito em recorrer aos espíritos para livrá-lo do sofrimento ou isentá-lo de dificuldades. Esse é o caminho do crescimento na Terra, e não há como fugir às próprias responsabilidades ou transferir o destino das tribulações.
A dívida acorda sempre com o devedor, não há como se furtar a essa realidade.


Capítulo do livro Pai João, da Casa dos Espíritos Editora.
(livro Alforria reeditado)

domingo, 26 de junho de 2011

Umbanda Branca? Umbanda Negra?

Existe uma "Umbanda-branca" e outra "Umbanda-negra"?
Não, claro que não, o que existe é apenas uma única Umbanda, que não possui cor: Branca ou negra.
Nós seres Humanos é que possuímos uma essência bipolar.O Homem com sua mente bipolar, que pode ser voltada para o Bem e o mal, não consegue conceber uma religião que cultue somente as Forças ditas do Bem. Desta forma necessita inventar algo que se contraponha ao Bem , isto é o mal e assim surge a idéia de Umbanda-branca, do bem e seu oposto, Umbanda-negra, do mal.
Os "feiticeiros" que não possuindo uma ética , dirigem certas forças para fins duvidosos e nem sempre condizentes com a boa prática religiosa e mágica.
Existem ainda alguns autores que confundem Umbanda-negra, com Quimbanda...outro absurdo!
Devemos nos lembrar que a quimbanda é uma religião que se assemelha em muito aos rituais e prática Xamânticas(trabalhos de cura).Os Xamâs são totalmente voltados para os trabalhos das curas. Esses trabalhos são muito valiosos, visto que trazem benefícios para aqueles que padecem de algum mal ou desequilíbrio energético.
Mas como seres humanos com características bipolares,alguns feiticeiros, de posse desse saber e dessas práticas, dirigiam seus rituais com fins não éticos, o que veio a degenerar todo o ritual Xamâs e fazendo mais uma vez surgir a idéia de uma prática denominada por alguns de "umbanda-negra": que nada tem à haver com nossa querida Umbanda e nem tão pouco com a Quimbanda.

sábado, 25 de junho de 2011

Por que a entidade não diz o nome?

Bem, o nome da Entidade não é o mais importante no início.
O importante realmente, é o trabalho que a Entidade irá realizar,e não o nome,até por que a Entidade poderá se identificar com o nome que quiser.
O ´medium em desenvolvimento de sua tarefa mediúnica,poderá captar várias Entidades, pois sua "antena" ainda não se encontra bem "ajustada".
Assim, nenhuma Entidade, irá dizer que se apropriou de seu corpo, de forma a não induzir, seu aparelho a canalizar somente sua vibração.
As Entidades são sábias e sabem a importância de todas as vibrações.
No processo inicial do desenvolvimento muitas Entidades de Luz se aproximam do médium ao mesmo tempo,aos pouquinhos o médium aprende a sintonizar cada uma delas, no devido tempo,com paciencia,estudo e dedicação.
Portanto,é natural médiuns novatos incorporarem bem suas Entidades, mas no entanto não saberem seu nome. O fato de dizer o nome da Entidade denota em sinal de avanço no processo de desenvolvimento, devendo ser natural, as coisas devem vir sempre ao seu tempo, sem pressa, não devendo ser antecipado, sobre a pena de atrapalhar todo desenvolvimento.
Nesse caso,a ansiedade,a pressa,e muitas vezes a vontade de se estar pronto para o atendimento,e na maioria das vezes por falhas dos próprios dirigentes,pmds, o médium se acha pronto,coloca sua Entidade acima de outras,que sua Entidade é a melhor,faz melhor,e acontece rápido, é nesse caso que acontece a derrocada do médium,pois a soberba dá início a sua derrota.
Nenhuma folha cai da àrvore sem que seja o momento certo!
Dedique-se,busque conhecimento,procure evoluir cada vez mais,pratique a reforma íntima,tenha comprometimento,amor e humildade para que seu nível eleve-se cada vez mais, e possa ser um trabalhador da ceara de Umbanda com transparencia,honestidade e simplicidade.

Levemos ao mundo inteiro a Bandeira de Oxalá!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Seja responsável e progrida

“Não pergunte pelo que o mundo precisa. Pergunte o que faz você sentir-se cheio de vida, e vá fazer isso. Porque o que o mundo precisa é de pessoas que estão cheias de vida.”
Quando descobrimos alguma coisa errada, temos duas escolhas:
-Podemos reclamar e culpar ou podemos mudar.

Eu aprendi a não me bater mais porque isto é uma vibração negativa, e dando atenção a esses erros, eu puxo mais disso em minha direção, com força magnética.
É muito mais produtivo perguntar, “O que eu aprendi? Como posso aplicar isso? O que farei de maneira diferente da próxima vez?” E então seguir em frente.
Agora, isto não significa que eu não me desculpo ou ajusto meu comportamento quando faço algo que magoa alguém. Isto é somente parte do ser responsável pelas suas ações. Parece tão simples, e mesmo assim não é norma para as pessoas tomar responsabilidade pessoal pelos seus resultados e pelas suas ações. Se fosse, o mundo iria mudar, não somente no nível pessoal, mas em todos os níveis, incluindo o governamental.
Todos estão sempre colocando a culpa em alguma coisa ou em alguém. Se cada pessoa ao redor do globo praticasse o tomar responsabilidade por suas ações - ser totalmente responsável pelos resultados que obtém - o mundo seria transformado.
Lembre-se, se você pensa que os problemas da sua vida estão lá fora, este mesmo pensamento é o problema pois você está desperdiçando o seu poder. Você está dizendo, “é o meu marido, é a minha esposa, é o meu chefe, é o meu ambiente, é o meu salário, é o meu governo”. É infinito.
Ser totalmente responsável não é uma mentalidade popular. Muitas vezes o caminho mais fácil, o caminho da vítima, é a escolha popular. É sempre mais fácil colocar a culpa em algo fora de si. Pelo menos no curto-prazo. À longo-prazo, brincar de vítima é enfraquecedor e o leva a nada no mundo dos resultados. Lembre-se que atenção é igual a amor. Quando você banca a vítima, você alimenta a vítima e o universo envia mais oportunidades para você ser uma.
o autor Wayne Dyer disse uma vez, “Se os nossos problemas fossem causados por outras pessoas, nós gastaríamos uma fortuna mandando-as ao psiquiatra”.
Meio bobo, não é? Outro exemplo simples disso é quando você escuta alguém reclamando de outra pessoa.
Quem ela está definindo? A outra pessoa? Eu acho que não.
Ser responsável necessita coragem. É necessário coragem para tomar responsabilidade por coisas que acontecem ao seu redor. Vamos falar em ser totalmente responsável por cada coisa em nossas vidas. Sim, você leu certo - tudo - mesmo quando não é nossa culpa. Porque você já deve saber a essa altura que a vida não tem nada a ver com culpa, certo? Tem a ver com resultados.
Você sempre irá experienciar os melhores resultados quando se tornar totalmente responsável. Somente quando você se tornar responsável por tudo em sua vida é que você poderá ser responsável para mudar qualquer coisa. Tudo é sua responsabilidade; nada é sua culpa.

texto do livro Harmonic Wealth (”Prosperidade Harmônica“)
de James A. Ray

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ajudemos os Médiuns



A expansão do Espiritismo multiplica a responsabilidade dos médiuns e dirigentes de casas espíritas. Há muito que joeirar, porque, muitos daqueles que procuram abrigo, nos redutos sempre hospitaleiros do Espiritismo, buscam alívio para as suas dores e aflições, sem, nos primeiros tempos, atentarem para a conveniência de fortalecerem a própria alma com os ensinamentos doutrinários e evangélicos.
A falta de conhecimento doutrinário faz que olhem para os médiuns como se estes fossem taumaturgos, fazedores de milagres, capazes de resolver, com as falanges de Espíritos, problemas materiais que os encarnados não destrinçam.
O médium deve ser tratado com respeito, como qualquer ser humano. Há pessoas, entretanto, que julgam preciso mimá-lo, envaidecendo-o com elogios, para merecer-lhe os "favores". Está errado. O que o médium faz, quando realmente sob ação mediúnica, não é seu, mas do Espírito que se vale do seu veículo físico.
O médium é apenas intermediário. O seu mérito está em agir conforme a Doutrina, sem, entretanto, supor que tudo quanto realiza, quando mediunizado, é fruto de seu mérito pessoal. Semelhante estado de espírito pode conduzir o médium desprevenido a dolorosas surpresas.
A melhor forma de agradecer ao médium qualquer benefício recebido por seu intermédio é o uso da prece em seu favor. Nada de elogios fáceis nem de palmadinhas nas costas. O médium consciente do seu papel deve até temer as louvaminhas e os agrados excessivos, porque, ao menor descuido, poderá ser envolvido pelas trevas e iniciar uma descida de conseqüências imprevisíveis.
A qualidade mais necessária ao médium é mesmo a humildade. Todo médium fiel à Doutrina Espírita e aos princípios evangélicos, será médium livre de influências negativas.
É preciso que todos ajudemos o médium a levar avante o seu abençoado trabalho. Consideremo-lo um irmão querido, mas não o estraguemos com atos bajulatórios, que lhe são perigosos. Nem foi por outra razão que Emmanuel alertou esses abnegados instrumentos da Espiritualidade, conclamando-os:
"Médiuns! a vossa tarefa deve ser encarada como um santo sacerdócio; a vossa responsabilidade é grande, pela fração de certeza que vos fui outorgada e muito se pedirá aos que muito receberam. Faz-se, portanto, necessário que busqueis cumprir, com severidade e nobreza, as vossas obrigações, mantendo a vossa consciência serena, se não quiserdes tombar na luta, o que seria crestar com as vossas próprias mãos as flores da esperança numa felicidade superior, que ainda não conseguimos alcançar.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

CAMBONOS – Os médiuns de sustentação

Ele zela pelo bom atendimento, ajuda a dinamizar as consultas, facilita o trabalho das entidades e serve também como intérprete destas. O seu trabalho dentro do Templo é tão importante quanto o dos demais médiuns e, mesmo sem estar incorporado, ele é parte integrante de todo o trabalho espiritual, pois os Guias Espirituais se utilizam dele para retirar as energias que serão utilizadas no atendimento aos consulentes.
O cambono deverá deixar preparado todos os apetrechos de trabalho que costumam ser utilizados pela entidade a qual irá cambonear evitando assim atrasos desnecessários durante as consultas. O cambono, na verdade, precisa ter conhecimento de todo o culto e de todas as entidades, precisando, então, prestar muita atenção à atuação delas durante as giras.
Sempre que solicitado, o cambono deve ajudar as entidades a se comunicarem com os consulentes, desde é claro, que seja treinado para isso e também que seja muito atento a tudo o que a entidade solicitar. Na verdade, o cambono, em alguns casos, poderá explicar de uma forma mais simples ou mesmo interpretar o que for dito para que o consulente não distorça as palavras das entidades.
O cambono, antes de qualquer coisa, é pessoa de extrema confiança do Pai ou Mãe da casa, assim como da entidade que estiver atendendo; portanto, caso perceba qualquer coisa estranha, qualquer coisa que não faça parte dos procedimentos normais, deve reportar-se ao Guia-chefe ou ao Pai ou Mãe da casa na mesma hora. É por isso que é tão importante, e necessário, que o cambono saiba todos os procedimentos de trabalho e todas as normas de conduta que entidades e médiuns devem ter dentro do Templo.
O fato de auxiliar nas consultas exige que o cambono seja discreto e mantenha sigilo sobre tudo o que ouvir, não se esquecendo de que ali estão sendo tratados assuntos particulares e que não dizem respeito a ninguém além da pessoa que estiver sendo atendida e da entidade. O sigilo é um juramento de confiança que todo o cambono deve ter e fazer.
Este não deve jamais confundir a entidade com a pessoa, isto é, ele é cambono do Guia Espiritual e não daquele médium, que é apenas um irmão dentro do Templo. O que ele pode, sim, é perguntar ao médium com o qual trabalha como deve proceder para prestar um melhor atendimento à entidade durante os trabalhos.
Uma prática útil e aconselhável dentro de um Templo é a troca de cambonos entre as entidades. Isto traz um maior aprendizado aos cambonos e também faz com que estes se habituem a tratar todas as entidades da mesma forma, sem criar laços afetivos exagerados. Desenvolver afeto pelas entidades é comum, mas a afinidade espiritual só é saudável se não conduzir à dependência; portanto, o chefe da casa poderá decidir-se pelo trabalho alternado e, nesse caso, deverá fazer com que todos saibam disso com antecedência.
De vez em quando, todos os médiuns, mesmo aqueles que incorporam, deveriam trabalhar como cambonos para poderem aprender mais e desenvolver a humildade, que é a característica mais importante que um médium deve ter.
É importante saber que todo o material de uso das entidades é de responsabilidade do médium que a incorpora e que o trabalho do cambono é estar atento para que este material não falte ou acabe, devendo comunicar o médium com antecedência quando o material estiver acabando.
Obs: O Cambono é um auxiliar do Templo e não um empregado dos médiuns. A educação e a lisura devem estar presentes a todo instante.

Alguns requisitos importantes para os médiuns de sustentação:

    RESPONSABILIDADE:
Tanto quanto o médium de incorporação, o médium cambono de sustentação precisa conhecer a mediunidade e tudo o que diz respeito ao trabalho com a espiritualidade e as energias humanas, a fim de poder auxiliar eficientemente o dirigente do trabalho e seus colegas, médiuns ou não.
    FIRMEZA MENTAL E EMOCIONAL: Como é o responsável pela manutenção do padrão vibratório durante o trabalho, o médium cambono de sustentação deve ter grande firmeza de pensamento e sentimento, a fim de evitar desequilíbrios emocionais e espirituais que poderiam pôr a perder a segurança do trabalho e dos outros trabalhadores.
    EQUILÍBRIO VIBRATÓRIO: Como trabalha principalmente com energias – que movimenta com os seus pensamentos e sentimentos, o cambono médium de sustentação deve ter um padrão vibratório médio elevado, a fim de poder se manter equilibrado em qualquer situação e poder ajudar o grupo quando necessário.
    COMPROMISSO COM A CASA, O GRUPO, OS GUIAS ESPIRITUAIS E OS ASSISTIDOS:
O cambono, médium de sustentação, deve lembrar-se de que, mesmo não tomando parte direta nas assistências, tem alguns compromissos a serem observados:

• Com a casa que trabalha: Conhecendo e observando os regulamentos internos a fim de segui-los. Explicá-los, quando necessário, e fazê-los cumprir, se for o caso; dando o exemplo na disciplina e na ordem dentro da casa; colaborando, sempre que possível, com as iniciativas e campanhas da instituição.

• Com o grupo de trabalhadores em que atua: Evitando faltar às reuniões sem motivos justos, ou faltar sem avisar o dirigente ou o seu coordenador; procurando ser sempre pontual nos trabalhos e atividades relativas; procurando colaborar com a ordem e o bom andamento do trabalho.

• Com os Guias Espirituais: Lembrando que eles contam também com os médiuns cambonos de sustentação para atuar no ambiente e nas energias necessárias aos trabalhos a serem realizados, e que, se há faltas, são obrigados a “improvisar” para cobrir a ausência. Os Guias Espirituais devem ser atendidos com presteza e respeito.

• Com os assistidos: Encarnados e desencarnados, que contam receber ajuda na Casa e não devem ser prejudicados pelo não comparecimento de trabalhadores. Todos deverão ser recebidos e tratados com esmero, dedicação, respeito e educação.

    AUSÊNCIA DE PRECONCEITO:
O cambono, médium de sustentação, não pode ter qualquer tipo de preconceito, seja com os assistidos encarnados ou desencarnados, seja com os dirigentes, mentores, etc. Ele não está ali para julgar ou criticar os casos que tem a oportunidade de observar, mas para colaborar para que sejam solucionados da melhor forma, de acordo com a sabedoria e a justiça de Deus.
    DISCRIÇÃO: O cambono, médium de sustentação, nunca deve relatar ou comentar, dentro ou fora da casa, as informações que ouve, os problemas dos quais fica sabendo e os casos que vê nos trabalhos de que participa. A discrição deve ser sempre observada, não só por respeito aos assistidos envolvidos, encarnados e desencarnados, como também por segurança, para que entidades envolvidas nos casos atendidos não venham a se ligar a trabalhadores, provocando desequilíbrios. Os comentários só devem acontecer esporadicamente, de forma impessoal, como meio de se esclarecer dúvidas e transmitir novas informações a todos os trabalhadores, e somente no âmbito do grupo, ao final dos trabalhos.
    COERÊNCIA: Tanto quanto o médium de incorporação, o cambono, médium de sustentação, deve manter conduta sadia e elevada, dentro e fora da casa em que trabalha, para que não seja alvo da cobrança de entidades desequilibradas, no intuito de nos desmascarar em nossas atitudes e pensamentos. Como vemos, as responsabilidades dos cambonos, médiuns de sustentação, são as mesmas que a dos médiuns ostensivos, e exigem deles o mesmo esforço, a mesma dedicação e a mesma responsabilidade.

CONCLUSÃO

Como vimos, não é tão fácil ser um cambono. Para ser um, é preciso aprender tudo sobre os Orixás, os Guias Espirituais, a Umbanda, o Templo e, principalmente, sobre a conduta que deve adotar para, depois, se for o caso, ser um bom médium de incorporação e alcançar a evolução espiritual até o Pai Maior.

Trechos retirados do livro: O ABC do Servidor Umbandista (no prelo)
de Pai Juruá

terça-feira, 21 de junho de 2011

Fumo e bebida na Umbanda, são bons exemplos?

 Muitos dizem que na Umbanda se usa o fumo porque o Preto-Velho Pai Antônio pediu um cachimbo na sua primeira manifestação no médium Zélio Fernandino de Moraes em 16 de novembro de 1908. Na verdade, olhando bem a história, notaremos que Pai Antônio, quando perguntado do que ele sentia falta da época em que estava na Terra (ou seja, no que ele ainda sentia necessidade) ele disse: “meu pito, que deixei no toco no momento da minha passagem” (daí vem o ponto cantado).
Observem que ele não pediu o cachimbo como elemento de trabalho, mas sim, para "matar" uma saudade dos tempos em que estava no corpo físico. Na verdade o primeiro elemento colocado por ele e que, aliás, foi o primeiro elemento material usado na Umbanda, foi uma guia de rosário.
Outros alegam que é uma tradição indígena, mas esquecem que apenas o pajé e seus poucos aprendizes eram os conhecedores da magia da fumaça e não todos os índios da tribo (nem todo caboclo que atua na Umbanda foi pajé).
Algum tempo atrás descobri que a Tenda São Jorge (uma das casas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas), não utilizava cachimbo e charuto em seus trabalhos e que mudou anos depois por influência de um novo sacerdote que assumiu a casa.
Isso deixa claro (na minha visão) que as entidades não necessitam desses artifícios para atingirem seus objetivos, e mais, que não é uma coisa recente, como eu mesmo acreditava (há tempos venho percebendo que o número de casas que estão deixando de utilizar esses elementos em seus rituais vem crescendo, sendo que em algumas, primeiro deixaram de adotar a bebida, em outras, o tabaco também).
O uso do fumo e principalmente da bebida alcoólica é, no mínimo, um péssimo exemplo para nossa juventude, principalmente num país em que o número de viciados jovens é cada vez maior.
Isso sem contar com a saúde. Muitos alegam que a entidade não é viciada e que ela não aspira, ou seja, não traga a fumaça do cigarro, pois apenas a utiliza como defumação. Mas essa defumação seria tão importante assim se todos são defumados previamente no terreiro? E o efeito dela, vale mais à pena do que o perigo exposto à saúde das pessoas?
Digo isso porque, mesmo não sendo tragada, a fumaça entra na boca do médium. Talvez poucos se atentem a isso, mas o câncer de boca (e esôfago) é um dos que mais matam no Brasil. E sabe qual é um dos principais desencadeadores do câncer de boca? O tabaco, principalmente quando associado ao uso de bebidas alcoólicas (corriqueiro na maioria das tendas).
Câncer de pulmão: índices elevadíssimos mostram que tanto quem fuma como quem respira (fumante passivo), correm riscos. Num ambiente fechado, como é uma tenda de Umbanda, como ficam aqueles que são obrigados a respirar aquela fumaça de tabaco?
Entendo que existem pessoas que defendem o uso do fumo e da bebida (essa, pra mim, pior ainda), mas em pleno século 21, muitos dizem que a Umbanda está evoluindo e se desprendendo dos elementos materiais; e se está, porque então não abolir esses costumes de vez, auxiliando assim muitos órgãos que lutam bravamente para acabar com esses vícios pelo mundo?
As entidades se adaptam rapidamente sem esses elementos, pois muitas vezes os utilizam, mais por necessidade do médium e até do consulente, que precisa de algo material para acreditar que ali tem mesmo um espírito atuante.
Lembro-me de uma vez em que o Exu da casa em que freqüento chegou muito chateado. Ele nos disse que havia visitado um outro terreiro e quando lá incorporou num médium, logo foi recebendo um charuto e um copo de cachaça (marafa). Quando o Exu (que é de Lei) avisou que não bebia e nem fumava, pois já havia entendido que não precisava disso para fazer caridade, foi vítima de risos, e falaram para ele que ele não era um Exu. Isso mostrou que a dificuldade para o umbandista aceitar um guia que não fuma e bebe ainda é muito grande (quando é um Exu ou um marinheiro ou baiano então, nem se fala).
Mas voltemos ao uso do fumo e de bebidas nos terreiros de Umbanda!
Entendemos que a tenda de Umbanda é um local sagrado, não é mesmo? Assim como outros templos religiosos. Então porque só a Umbanda abre espaço para usar esses elementos em suas “igrejas” (entenda igreja como local sagrado = casa de Deus). Até mesmo no Candomblé não existe a ingestão de bebida e fumo com o orixá manifestado (bolado) nos médiuns.
Os estudiosos da aura humana já escreveram vários artigos, entre os quais chamo atenção para o livro “Os Chakras”, escrito por C.W. Leadbeater, que alerta sobre a má influência do uso do cigarro, da bebida e das outras drogas sobre nossa tela protetora que recobre o perispírito e protege os chakras (essenciais para a prática da mediunidade).
A maioria dos terreiros solicita aos seus médiuns para que fumem menos e se abstenham da bebida alcoólica no dia dos trabalhos. Pra que? Tal solicitação não faz sentido, se no terreiro esses mesmos elementos são liberados (em alguns casos, até fora de controle, causando problemas mais sérios)? Certa vez presenciei isso numa festa de Iemanjá, no município de Praia Grande/SP, onde um dirigente chorava desesperado porque duas das suas filhas-de-santo haviam morrido afogadas e que teriam sido levadas pelas “Santas” para o mar – detalhe: o próprio dirigente tinha um forte cheiro de álcool na boca. Eu como umbandista fiquei chocado; imagine uma pessoa que não conhece a religião e acha que todo terreiro trabalha dessa forma!
E como fica uma pessoa que tem ojeriza ao cheiro do tabaco (e do álcool), ou mesmo alguém que sofre de asma e/ou bronquite? Não poderá ser umbandista? Eu mesmo já precisei sair mais cedo quando visitava um terreiro, porque não agüentava o cheiro forte e a fumaça que fazia me arder os olhos (quem tem problemas respiratórios, como uma simples rinite, sabe o que estou dizendo).
Algumas casas permitem que apenas médiuns desenvolvidos possam fumar e beber. Legal! Isso é importante, para não atrapalhar a psique do médium novato. Mas se durante anos o guia não precisou beber e fumar para trabalhar, porque precisará de uma hora para outra?
Outra questão importante é sobre o tratamento a pessoas viciadas. Todas as religiões possuem trabalhos importantes nesse sentido, e vemos constantemente pessoas que se livraram das drogas e do álcool através da religião. Mas como servir de exemplo a essas pessoas, se utilizamos tais elementos dentro do culto? Fica difícil convencer alguém através do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, não é mesmo?
E para completar, no final dos trabalhos, seria correto, elevar o pensamento a Deus, fazer preces e no dirigir às Esferas do Astral Superior (Aruanda), com um tremendo “bafo-de-cana” na boca? Muitas pessoas que defendem o uso do álcool alegam que o cheiro da bebida não altera o hálito do médium, porém sabemos que isso seria impossível. O que ocorre é que o mesmo é mascarado pela mistura do álcool com a fumaça do fumo.
Bom, eu poderia enumerar várias outras situações, mas paro por aqui. Não estou criticando quem usa, nem vou achar que uma entidade é de Luz ou não por usar o fumo, muito pelo contrário. Respeito todos, até porque, na casa que freqüento, por algum tempo também se usou o fumo e a bebida, porém essa prática foi abolida pelo mentor há mais de 25 anos. E sei também que maravilhas acontecem em todos os terreiros de Umbanda, independente do ritual utilizado.
Também não posso deixar de explicar que não sou contra o uso de bebidas em centros de segurança, pois sei que são fontes de energia e utilizadas para defesa da casa na firmeza de pontos especiais (como a tronqueira, por exemplo). Também sei que são utilizadas como componentes de determinados banhos especiais, assim como em certas oferendas. Além disso, entendo que tais elementos possam e muitas vezes devem ser utilizados como material de trabalho pela entidade manifestada, desde que não ocorra sua ingestão, pois sabemos que os espíritos precisam na verdade da parte etérea dos mesmos, e para isso, não é necessário que seja colocado uma gota de álcool no organismo do médium. Isso é claramente comprovado em muitas casas em que as bebidas ficam em copos ou “coités”, dentro do ponto firmado da entidade, sem a necessidade do espírito beber o líquido ali contido.
De qualquer forma, buscando plantar a semente de um debate democrático e respeitoso, acho que esse é um ponto que merece um momento para reflexão.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Receita contra o Egoísmo


1 – Procure esquecer o lado escuro da personalidade do próximo.

2 – Aprenda a ouvir com calma os longos apontamentos do seu irmão, sem o impulso de interromper-lhe a palavra.

3 – Olvide a ilusão de que seus parentes são as melhores pessoas do mundo e de que a sua casa deve merecer privilégios especiais.

4 – Não dispute a paternidade das idéias proveitosas, ainda mesmo que hajam atravessado o seu pensamento, de vez que a autoria de todos os serviços de elevação pertence, em seus alicerces, a Jesus, nosso Mestre e Senhor.

5 – Não cultive referências à sua própria pessoa, para que a vaidade não faça ninho em seu coração.

6 – Escute com serenidade e silêncio as observações ásperas ou amargas dos seus superiores hierárquicos e auxilie, com calma e bondade, aos companheiros ou subalternos, quando estiverem tocados pela nuvem da perturbação.

7 – Receba com carinho as pessoas neurastênicas ou desarvoradas, vacinando o seu fígado e a sua cabeça contra a intemperança mental.

8 – Abandone a toda espécie de crítica, compreendendo que você poderia estar no banco da reprovação.

9 – Habitue-se a respeitar as criaturas que adotem pontos de vista diferentes dos seus e que elegeram um gênero de felicidade diversa da sua, para viverem na Terra com o necessário equilíbrio.

10 – Honre a caridade em sua própria casa, ajudando, em primeiro lugar, aos seus próprios familiares, através do rigoroso desempenho de suas obrigações, para que você esteja realmente habilitado a servir ao Mundo e à Humanidade, hoje e sempre.

Livro: Marcas do Caminho
André Luiz & Francisco Cândido Xavier

domingo, 19 de junho de 2011

Pense Positivo


Você pode começar a sentir-se saudável,
você pode começar a sentir-se próspero,
você pode sentir o Amor que o cerca mesmo que ele não esteja lá.
E o que vai acontecer é que o Universo vai corresponder a natureza da sua alma.
O Universo vai corresponder a natureza dos seus sentimentos, e se manifestará porque é assim que você se sente.
E quando você começa a ter consciência disto,quando começa a guiar seus pensamentos baseado no que você sente.
E começa a perceber a correlação do que você sente e pensa e o que volta para você.
Antes de perceber, você vai ver que é o criador da sua realidade!
E aqueles que estão olhando de fora ficarão impressionados com a vida perfeita que você vive.
Você tem que se botar em concordância com o que você quer.
E quando isso acontece você se sente maravilhoso!
O que você sente é muito importante...Alegria, Entusiasmo, Apreciação.
Você pode começar do nada, e do nada, do impossível, o possível será construído!
O Universo faz tudo sem nenhum esforço, não há regras para o Universo.
O que você quer, quanto tempo vai levar depende de você, você fornece o sentimento de ter AGORA, e o Universo responderá!
Qualquer circunstância em que você esteja vivendo agora, é uma circunstância atual e pode ser mudada.
Quando você imagina, você materializa!
Aonde você esteve com a mente, você vai depois com o corpo!
Decida o que você quer, acredite que você pode ter.
Acredite que você merece, acredite que seja possível para você e agradeça tudo o que você já tem.

do filme O Segredo

sábado, 18 de junho de 2011

Auto-estima

 ”Auto-estima”, quantas vezes teremos ouvido essa palavra!
Ainda que a palavra que utilizamos agora seja nova, é um dos preceitos mais antigos da nossa cultura e um dos mais esquecidos. Está presente na sabedoria dos ditos populares como “A caridade bem entendida começa por si próprio” ou nas máximas que tantas vezes ouvimos:
“Ama o próximo como a ti mesmo”.
Porque é que então gostamos tão pouco de nós?
Porque é que nos fazemos tanto mal?
O pior de tudo é que muitas vezes colocamos em primeiro lugar o “bem” dos outros em vez do nosso próprio bem. Mas nenhum bem podemos fazer se vai em detrimento de nós próprios.
Proponho-vos que este seja um ano de auto-estima, que é o mesmo que propor um ano de Amor, mas de Amor bem entendido. Proponho um ano de ser conscientes de cada um dos nossos actos e das verdadeiras razões que nos conduzem a realizá-los.
Um dos grandes males dos nossos tempos é que cada vez há mais pessoas que padecem de falta de auto-estima.
Isto deve-se por um lado, a que a nossa sociedade está muito estereotipada e obriga os seus indivíduos a sugeitarem-se a umas normas de estética, de conduta, de pensamento, etc. e quando sais delas já não és bem visto; então, ou és uma pessoa transgressora por naturezsa ou podes sentir-te mal por não “dares confiança”.
Por outro lado também nos foi ensinado que não fossemos “egoístas”, porque “pensar em si próprio” não está correcto..
Não nos enganemos: ninguém pode dar de um cesto vazio. Quando te dás a ti próprio, estás dando aos outros, porque tu formas parte desses “outros”.
A Vida está cheia de magia, de amor de felicidade, mas a Vida és tu. Cada dia crias a tua própria vida com os teus pensamentos positivos e negativos. Acostuma-te a pensar em positivo; é só uma questão de hábito, e todo o hábito se adquire através da constância.
Tens um pensamento negativo a respeito de ti próprio: muda-o para um positivo. Alguém diz algo desagradável sobre ti: reflete para descobrires se existe algo de verdade nisso e se o podes melhorar, logo muda-o para positivo ou simplesmente esquece-o se estás seguro de que não é verdade. Toma-o como uma disciplina.
Os resultados serão surpreendentes.
A Vida apresentar-se-á a favor; deixarás de nadar em contra-corrente.
Se tu gostares de ti, os outros gostarão de ti e respeitar-te-ão e se não é assim, desaparecerão da tua vida. Não é que devas acreditar nisso porque te digo eu, senão pela Lei da Atração, a lei de que o semelhante atrai o semelhante. Esta lei, como todas as leis, é infalível, como a lei da gravidade.
Vive feliz e em paz contigo próprio, independentemente das tuas circunstâncias.
- Atua com sinceridade com os outros e sobretudo contigo próprio.
- Atua de maneira que se fosses morrer hoje mesmo pudesses fazê-lo sem lamentar nada, sem deixar nada por fazer.
Não esperes os resultados:
o fruto das tuas ações colhem-se dentro, não fora.
Mas recorda que o que se colhe dentro, acaba sempre manifestando-se fora.
Vive o Amor, que há em ti, entrega-te a esse amor e quando for teu poderás dá-lo aos outros.

Louise Hay

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Que História estamos escrevendo???


Engraçado como as coisas são, vemos pessoas com suas vidas altamente enroladas, cheias de doenças, com tristezas profundas, sem trabalho, sem equilíbrio e sem alegria indo os Terreiros de Umbanda. Lá são atendidas pelos Guias Espirituais e passam por passes, por consultas, por descarregos, por energizações e por transformações extremas. Se equilibram, se harmonizam, se enchem de Fé e Esperança, e aos poucos os caminhos vão se abrindo. Surgem as primeiras oportunidades e quase que automaticamente acontecem as promessas, com juras de amor eterno, com emocionantes discursos cheios de convicções e real aceitação de sua missão mediúnica.
Tudo quase perfeito se não fosse a imaturidade tão inerente no íntimo dessas pessoas, que acabam por colocar suas “Histórias de Fé”, aquelas escritas semanalmente e diariamente, diante e junto de um Caboclo, de um Exu e ou de um Preto Velho, no “Nada”, no “Pra Nada” ou “Por Nada”.
Esquecem o fato de que são as “Histórias de Fé” que constroem o importante Livro chamado VIDA.
Esquecem que essas “Histórias de Fé” caracterizam o lado Humano, o lado Gente, o lado Verdade do Ser.
Esquecem que uma “História de Fé”, assim como qualquer outra história, para se tornar real, verdadeira, coerente e com capacidade de compartilhar, precisa de princípio, meio e fim. Portanto não dá para começar escrevê-la tomados de empolgação e deixar a última frase sem nexo, sem um fim, sem uma conclusão, envolvida por tristeza e lamentações. Mesmo porque, esse Livro reflete a Vida – história sem nexo é reflexo de vida sem nexo.
Afirmo essa situação por ver, durante tantos anos, pessoas cheias de energia, alegria e determinação, cheias de compromissos espirituais, assistenciais e internos, SIMPLESMENTE deixarem de lado suas histórias de terreiro e suas histórias de fé para viverem o Nada. Médiuns que, ao terem suas vidas melhoradas, com mais oportunidades e opções, deixam de lado seus compromissos e voltam a viver uma vida infantil cheia de querer e ilusão.
E pensando numa vida infantil, aquela quando não tem capacidade de pensar nas consequências dos atos, acredito ser importante conhecermos, mesmo que de forma bem simplificada, o que é uma PESSOA MADURA. Para um dos mais importantes psicólogos do século XX, Gordon Willard Allport – doutor em psicologia formado em Harvard em 1922, a pessoa madura se caracteriza em seis critérios:

1 – Aquela que sai do seu egocentrismo e entra para o eterocentrismo, portanto consegue fazer uma ampliação do sentido do EU. Allport afirma: “se uma pessoa não cria intensos interesses fora de si mesma… vive mais próxima do nível animal que do nível humano de existência”.

2 - Aquela que conquista relação afetuosa do eu com os outros. São as relações de amor, amizade, fraternidade capaz de criar “vínculos”, o que é fundamental para qualquer pessoa.

3 - Aquela que tem segurança emocional e auto-aceitação. Aliás, para Allport uma forma de medir a maturidade é pela capacidade de “tolerância da frustração”, ou seja, é capaz de passar por aborrecimentos, irritações, frustrações sem grandes descontroles ou, mesmo que aconteça, conseguem voltar ao equilíbrio rapidamente. Os imaturos “estão ainda preocupados com partes e pedaços da experiência emocional” afirma Allport.

4 - Aquelas que conseguem ter uma visão realista da realidade, um contato real. Allport resume esse aspecto da seguinte forma: “a pessoa madura estará em contato muito estreito com o que denominamos o “mundo real”. Verá objetos, pessoas e situações como o que são. E terá trabalho importante para fazer”.

5 - Aquela com capacidade de avaliar-se com objetividade e realismo, mantendo-se ligada no passado e pensando no futuro. É a capacidade de aceitação de si com seus limites sem perder sua auto-estima e a capacidade de rir, de manter o humor mesmo percebendo suas próprias bobagens.

6 - Aquela com uma filosofia unificadora da vida, portanto têm princípios com modo de ser e de pensar comum ao grupo.

Sabedores desses critérios podemos então avaliar nossos atos e pensar melhor antes de tomarmos atitudes significativas em nossas vidas, não é mesmo? Inclusive, podemos avaliar se somos maduros suficientes para lidar com o livre arbítrio fazendo escolhas.
Enfim, agora podemos olhar para nós mesmos com mais clareza e refletir, estamos deixando de lado nosso eu para pensar no outro? Estamos conseguindo criar vínculos com relações de amor e fraternidade? Somos seguros conosco mesmo a ponto de aceitar nossos erros? Conseguimos ter uma visão real dos fatos sem criar imagens torcidas e percepções induzidas entendendo que ‘fato é Fato e diante dos fatos só nos resta aproveitar com bom humor’? Pensamos no futuro levando em conta as promessas do passado e as necessidades do presente? Estamos pensando em um Todo e no bem de todos???
Se as respostas foram positivas então estamos escrevendo um lindo Livro da Vida onde as “Histórias de Fé” estão dizendo o quanto somos maduros e verdadeiros diante daquilo que é mais importante na vida de qualquer médium e qualquer Ser, o ESPÍRITO. Reafirmando a grandiosa frase do teólogo Pierre Teilhard de Chardin: “Não somos seres humanos que estão passando por uma experiência espiritual, mas nós somos seres espirituais que passamos por uma experiência humana”
Se as respostas foram positivas então a Umbanda não terá mais histórias “engraçadas”, mas sim HISTÓRIAS DE AMOR, GRATIDÃO, FIDELIDADE E VERDADE.

Fonte de pesquisa e estudo:
Personalidade (1966), Desenvolvimento da Personalidade (1966) de Gordon Willard Allport

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Responsabilidade dos Médiuns


As reuniões espíritas de intercâmbio espiritual prestam o valioso serviço de possibilitar o equilíbrio psicofísico de certas criaturas que, devido à sua faculdade mediúnica de alta sensibilidade psíquica, sofrem assédio constante por parte dos espíritos desencarnados que desejam comunicar-se para expandirem os seus males ou queixas e serem esclarecidos das dúvidas e confusões que ainda se encontram.
Esses espíritos desencarnados encontram-se na mesma situação confusa do indivíduo que, na Terra seja transferido, de repente, para um país estrangeiro, cujo idioma, hábitos, costumes e ambientes são completamente diversos daquele onde ele viveu durante toda a vida. Ou seja: embora não sendo cego, nem surdo ou mudo, ele encontra-se impossibilitado de manifestar as suas emoções e entender o que lhes dizem os habitantes desse outro país. Faz-se, pois, mister serem esclarecidos ainda mediante a palavra humana e no ambiente do próprio mundo onde viveram.
Então, os trabalhos das sessões espíritas devem ser ampliados cada vez mais, pois além de constituírem um veículo de socorro eficaz aos espíritos que se encontram perturbados, é também uma forma de desenvolver a mediunidade dos assistentes ou participantes que possuem essa faculdade.
No tocante ao médium, devemos lembrar que ele não é um missionário, na acepção exata da palavra. Salvo raras exceções, o médium é um espírito devedor, comprometido com o seu passado. Assim, a sua faculdade mediúnica é um ensejo de reabilitação concedido pelo Alto, no sentido de acelerar a sua evolução espiritual. Portanto, além de dar cumprimento aos deveres inerentes à dita faculdade, terá de enfrentar também as contingências que a vida impõe a todos, pois os problemas que lhe dizem respeito só podem ser solucionados e vencidos mediante a luta e não pela ajuda dos seus guias, pois estes somente ajudam os seus pupilos quando eles fazem jus pelo esforço próprio.
A sua faculdade mediúnica não é privilégio, nem o isenta das vicissitudes e das exigências educativas da vida humana. Em conseqüência, a saúde ou a doença não dependem especificamente da pessoa ser ou não ser médium. O espírito que já renasce na Terra comprometido com o serviço mediúnico, que o ajudará a reduzir o fardo cármico do seu passado delituoso, deve cumprir o programa que ele mesmo aceitou no espaço.
Quando o médium se empenha em dar fiel cumprimento à sua tarefa mediúnica e enfrenta as adversidades da vida com estoicismo e resignação, neste caso, no plano espiritual há sempre uma equipe de espíritos beneméritos que o amparam a fim de lhe tornar mais fácil vencer os obstáculos da sua jornada. Porém, quanto a sua função de “ponte viva” entre o setor invisível e o mundo material, é grande a sua responsabilidade, pois além de tratar-se de um encargo que ele mesmo aceitou antes de reencarnar, a mediunidade é um ministério ou contribuição de esclarecimento destinada a esclarecer as consciências, sendo, pois, um serviço a favor da própria humanidade.
A função do médium assemelha-se à do carteiro, o qual, embora seja a peça de menor destaque na correspondência entre os homens, caso ele se recuse a cumprir a função de entregar as mensagens aos destinatários, semelhante negligência constitui uma falta bastante grave. Em tais condições, desde que se rebele contra a sua obrigação ou se escravize a vícios e paixões que prejudiquem e inutilizem a sua tarefa mediúnica, então será vítima dos espíritos das sombras e, por sua culpa, enfraquece o serviço libertador do Cristo.
No entanto, o médium laborioso e desinteressado, disposto a vencer todos os obstáculos, conseguirá transpor "todos os empecilhos do mundo" e até os que estão em si próprio.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Umbanda é pé no chão! Mas, por quê?

Todo Umbandista já deve ter ouvido a frase “Umbanda é pé no chão”. Mas será que todos sabem o porque de ficarmos descalços em nossos terreiros? São três motivos principais. O primeiro é que o solo representa a morada dos nossos antepassados e quando estamos descalços tocando com os pés no chão estamos entrando em contato com estes ancestrais e, consequentemente, com todo o conhecimento e a sabedoria que esse passado guarda. O segundo motivo pelo qual tiramos os calçados é o respeito ao solo sagrado do terreiro. Imagine que vir da rua com os sapatos sujos e entrar com eles onde nossos trabalhos espirituais são realizados seria como alguém entrar em nossa casa carregando uma montanha de lixo que vai caindo e se espalhando por todos os cantos. Diante desta situação você diria o quê? No mínimo que essa tal pessoa não tem respeito por você ou pela sua casa. O terceiro motivo é o fato de que naturalmente nós atuamos como “para-raios” e ao recebermos qualquer energia mais forte, se estivermos descalços sem nenhum material isolante entre nosso corpo e o chão, ela automaticamente se dissipa no solo. É uma forma de garantir a segurança do médium para que não acumule ou leve determinadas energias consigo. Além de tudo isso podemos dizer também que realizar nossos trabalhos espirituais descalços é uma forma de representar a humildade e a simplicidade do Rito Umbandista.
Vale lembrar que no início este costume, nos cultos de origem africana, tinha outro significado. Os pés descalços eram um símbolo da condição de escravo, de coisa,uma vez que o escravo não era considerado um cidadão e estava, por exemplo, na mesma categoria do gado bovino das fazendas. Quando liberto a primeira coisa que o negro procurava fazer era comprar sapatos que eram o símbolo de sua liberdade e, de certa forma, faziam com que ele fosse incluso na sociedade formal. O significado da “conquista” dos sapatos era tão profundo que muitas vezes eles eram colocados em lugar de destaque na casa para que todos os vissem. No entanto, ao chegar ao terreiro, espaço que havia sido transformado magisticamente em solo africano, os sapatos tornavam-se novamente apenas um símbolo de valores da sociedade branca e eram deixados do lado de fora. Ali os negros sentiam-se de novo na África e podiam retornar à sua condição de guerreiros, sacerdotes, príncipes, caçadores, etc.
Tenho certeza que agora entrar descalço no terreiro terá um outro valor e sentido. Não é mesmo?

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dedico esse vídeo à memória de minha mãe: Eunice de Oliveira Marçal


Só Deus sabe a falta que você me faz...
Saudades eternas!!!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Hoje é dia de Santo Antônio

Falar de Santo Antonio na Umbanda, não é tarefa fácil, ainda mais de Santo Antonio de Pemba , de Lisboa, de Ouro fino, de Pádua. Mas seja lá qual for o Santo Antonio, Uma coisa é certa, Zé Pelintra trabalha muito com ele,e é o Santo em que Zé Pelintra deposita seus pedidos. 
De casamenteiro à Guerreiro, Santo Antonio às vezes é confundido com Ogum. Temos consciência que Ogum é Ogum, e Santo Antonio é Santo Antonio. Antonio, que largou tudo pelo sacerdócio da caridade e luta justa pelos valores dos humanos, seja o padre, ou o padeiro, o padre que alimentava seus fiéis pela palavra de Deus ou o padeiro que matava a fome dos pobrezinhos da aldeia de Pádua. Antonio, que quando vivo já era um Santo para o povo, após sua passagem se transforma em Santo Antonio Milagreiro. Zé Pelintra, em tudo que faz, homenageia Santo Antonio, inclusive, no dia 13 de junho, benze os pães de Santo Antonio, distribuindo-os aos filhos de fé, para colocarem no açúcar, e durante um ano inteiro, o pão permanece sem estragar. Isto para que não falte a fartura . Santo Antonio de Pemba, na Umbanda, que é o Patrono de Exú, que rege as legiões desses espíritos guerreiros e mensageiros dos Anjos Superiores (orixás), que preside as batalhas navais e terrestres. Santo Antonio que protege as pessoas dos espíritos malignos e que traz o que estava perdido. Zé pelintra do Catimbó, ora muito a Santo Antonio. Em uma das suas cantigas, pergunta-se: - Zé Pelintra, cadê Santo Antonio; Estava rezando e fazendo oração; Santo  Antonio que gira e retira que quebra as demandas de toda a nação. e assim, Zé Pelintra, invoca ao Santo, trazendo sua força, inspiração e proteção à Umbanda e aos seus filhos de fé. SALVE SANTO ANTONIO.

domingo, 12 de junho de 2011

Uma prova de amor...



Há muito tempo atrás, um casal de velhinhos que não tinham filhos morava em uma casinha humilde de madeira, tinham uma vida muito tranqüila e alegre, a qual ambos se amavam muito, eram felizes.
 Até que um dia aconteceu um acidente com a senhora.
 Ela estava trabalhando em sua casa quando começa a pegar fogo na cozinha e as chamas atingem todo o seu corpo.
 O esposo acorda assustado com os gritos e vai a sua procura, quando a vê coberta pelas chamas imediatamente tenta ajuda-la e o fogo também atinge seus braços e mesmo em chamas consegue apagar o fogo.
 Quando chegaram os bombeiros já não havia mais fogo apenas fumaça e parte da casa toda destruída.
 Levaram rapidamente o casal para o hospital mais próximo, onde foram internados em estado grave.
 Após algum tempo aquele senhor menos atingido pelo fogo saiu da UTI e foi ao encontro de sua amada.
 Ainda em seu leito a senhora toda queimada, pensava em não viver mais,pois estava toda tormada, as chamas queimaram todo o seu rosto.
 Chegando no quarto de sua senhora, logo ela foi falando:
- Tudo bem com você meu amor?
 Sim respondeu ele, pena que o fogo atingiu os meus olhos e eu não posso mais enxergar, mas fique tranqüila amor que a sua beleza esta gravada em meu coração para sempre.
 Então triste pelo esposo, disse-lhe:
- Deus vendo tudo o que aconteceu meu marido, tirou-lhe a visão para que não se presencia esta deformidade em que eu fiquei.
 As chamas queimaram todo o meu rosto e estou parecendo um monstro.
 Passando algum tempo recuperados, voltaram para casa onde ela fazia tudo para seu querido esposo e ele todos os dias dizia-lhes, como eu te amo!
 E assim viveram 20 anos até que a senhora veio a falecer.
 No dia de seu enterro quando todos se despediam então veio aquele senhor sem seus óculos escuros e com sua bengala nas mãos, chegou perto do caixão, beijando o rosto e acariciando sua amada disse em um tom apaixonante:
 - "Como você é linda meu amor, eu te amo muito".
 Ouvindo e vendo aquela cena, um amigo que estava ao lado perguntou se o que tinha acontecido era um milagre, e olhando nos olhos dele o velhinho apenas falou:
 "Nunca estive cego, apenas fingia, pois quando há vi toda queimada sabia que seria duro para ela continuar vivendo daquela maneira".
 Foram vinte anos vivendo ambos muito felizes e apaixonados!
 Felizes são aqueles que conseguem amar com essa intensidade!

sábado, 11 de junho de 2011

Pedras e Ciladas

A mediunidade, assim como qualquer outro caminho espiritual, é um caminho que deve ser trilhado com passos firmes, discernimento e esforço, para que ele realmente possa ser aproveitado e contribua para o engrandecimento do espírito. Muitas dificuldades assolarão o médium, desde seu desenvolvimento, até o fim de seu mandato mediúnico. Mas não esqueça, que são essas pedras e ciladas, verdadeiros professores da escola física.

A pedra da descrença, que testará sua fé e seu amor dentro do mediunismo. Que te ensinará a não esperar por milagres e fenômenos, mas sim, buscar o desenvolvimento interno, a evolução e melhoramento da consciência dentro dos trabalhos mediúnicos.
Essa pedra que muitos atirarão sobre você, e que fará você desenvolver o sorriso e a paciência verdadeira. Mais do que isso, fará você desenvolver confiança em si mesmo e no seu trabalho, passo primordial para o despertar da fé viva. Apenas com a descrença, aprendemos a confiar. Não mais com a mente, mas ouvindo e vivenciando o coração.

“Acredite em seu coração!
Nesse congá interno;
Jacutá lindo e belo,
As flores dos Orixás desabrocharão...”

A cilada da vaidade, que desmascarará o tolo ego, expondo-o ao ridículo do individualismo. Mediunidade é um trabalho coletivo, uma ação universal, que visa o Todo, nunca o eu. É vencendo a vaidade que o médium dá provas de maturidade dentro das lidas de intercâmbio espiritual. É atravessando esse pântano do orgulho humano, que desenvolvemos a simplicidade, qualidade tão negligenciada em dias de materialismo tão ferrenho, onde mais vale o que se vê e o que se tem, do quê, o que se sente e o que se é.

“Ego, ego, que quer dominar,
Ego bobo, que a realidade gosta de enfeitar.
Nego véio senta no toco,
Pra simplicidade ensinar.”

A pedra da crítica maldosa, que lhe mostrará como nossos olhos devem ser bondosos em relação ao semelhante e como palavras duras, impulsionadas pela imaturidade dos sentimentos, podem gerar grandes tristezas.

São as pedradas críticas que lhes farão compreender o valor do respeito em relação ao semelhante. Tranqüilo, vença essas críticas, não com força bruta, mas com a serenidade de Oxalá. Lembre-se, elas estão aí para te ensinar.

“Limpa os olhos meu filho,
Pra verdade você ver.
Limpa a boca menino,
Pra maldade perecer.”

A cilada do conhecimento, que se é muito bom e pode acabar com a ignorância, não santifica ninguém. Conhecimento não é um fim em si mesmo, mas um pequeno passo para a escola da sabedoria. Quando o conhecimento nos mostra que nada sabemos, faz com que sejamos mais tolerantes com a ignorância alheia e, muito além de ser material teórico, ganha forma prática em nossa vida. Mas, quando a arrogância faz morada nas palavras e a soberba nas posturas diárias, então o conhecimento será um grande empecilho para a realização espiritual.

“Aprender, estudar e conhecer,
Trilhar o caminho com valentia...
Mas afinal, que livro poderá conter,
A divina e verdadeira sabedoria?”

A pedra da ingratidão, que nos ensina o serviço desinteressado em recompensas, o agir pelo bem, puro e simples. A mediunidade é um milagre, uma dádiva amorosa dos Orixás, mas que não premia ninguém. O trabalho mediúnico é abnegação, desprendimento, altruísmo, caridade, mas não é uma cruz a ser carregada, ou uma missão sofrida. O mediunato deve ser cumprido com um sorriso alegre e uma expressão de felicidade no rosto. Ele é uma dádiva. Nada se ganha com ele, mas ele faz um bem danado!
Trabalhar, trabalhar e trabalhar...
Sorrir, sorrir e sorrir...
O que mais você quer?
O que mais a mediunidade pode lhe dar?

A cilada do lobo, disfarçado em pele de cordeiro. A negação da sombra psicológica, com posturas superficiais. O falso pregar, o agir hipócrita e doentio. Lembrem-se: Toda palavra que sair da sua boca, deve ganhar forma em sua vida. Caso contrário ela não tem razão de ser. É uma pérola jogada fora.

“Palavras e palavras...
Todas jogadas ao vento.
Mais vale as ações concretas,
Tomadas no meio do silêncio.”

Muitas outras pedras serão atiradas, ou vocês mesmos atirarão no semelhante. Mas são dessas ações imaturas que nascerá a reflexão séria que leva a maturidade. Não se julgue mal e perdoe seu irmão de jornada. A mão que atira a pedra é a mesma que lhe ensina. Já quando for a sua mão a criminosa, pense por mil vezes a respeito disso. Nesse caso, é o alvo que lhe ensina.

Ciladas, também serão constantes. Algumas tentadoras, outras misteriosas, mas todas perecíveis à luz do coração. Ele é seu guia. Acenda-o e guia-te pelos caminhos tortuoso da Terra. No amparo espiritual estará sua maior força. Confie, ore, vigie e acredite!

Pedras e ciladas não faltarão!
Mas é na dificuldade,
Que aprendemos a ouvir o coração...”

Pai Antônio de Aruanda
– Mensagem recebida por Fernando Sepe
em 22 de novembro de 2006.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O que é Religião?


Houve um tempo em que os descrentes, sem amor a Deus e sem religião, eram raros. Todos eram educados para ver e ouvir as coisas do mundo religioso e a conversa cotidiana confirmava que este é um universo encantado que esconde e revela um poder espiritual.

A exigência de um sentido para a vida trazia às religiões uma certa identidade e lhes dava vida.

Apesar do encanto ter sido quebrado, a religião não desapareceu. Mudou de foco e de moradia. Enquanto no mundo sagrado, a experiência religiosa era parte integrante de cada um, no mundo das ciências fora colocada para fora. No entanto, ela resistiu, surge forte quando se esgotam os recursos diante de um coração arrasado pela dor e insegurança.

A religião surge na vida humana como tentativa de transubstanciar a natureza e dar espaço aos seus desejos em busca dos horizontes. Enquanto o animal é o seu corpo, sempre produzindo a mesma coisa, os homens se recusaram a ser aquilo que o passado lhes propunha. Na sua inquietação e busca, produziram cultura e educaram. Criaram mundos imaginários e passaram de geração em geração através da cultura que se estruturou a partir de seu desejo.

Sendo o desejo sintoma de privação, a cultura cria exatamente o objeto desejado na busca de um mundo que possa ser amado. No entanto, a cultura não é garantia de que o desejo foi alcançado, mas é externalização do desejo em meio à sua ausência. Enquanto o desejo não se realiza, resta cantá-lo, dizê-lo, celebrá-lo.

Nascem então os símbolos, testemunha das coisas ainda ausentes, saudade de coisas que não nasceram, no ponto em que a cultura fracassou, como horizontes direcionadores. Nenhum fato, coisa, ou gesto, entretanto, é encontrado já com as marcas do sagrado. Eles se tornam religiosos quando os homens os batizam como tais. A religião nasce quando os homens dão nomes às coisas, atribuindo-lhes valores e dependurando neles o seu destino. Ela não está preocupada com os fatos, mas com os objetos que a imaginação pode construir em busca do esperado.
As entidades religiosas se identificam com as imaginárias que tornam o mundo humano uma realidade.
A natureza não depende da vontade humana para existir. Mas a cultura é diferente. Tudo que surgiu com a atividade humana (adornos, linguagem, etc) quando o homem desaparecer desaparecerá.

As coisas culturais foram inventadas, no entanto, aparecem aos nossos olhos como se fossem naturais pelo processo de reificação, ou, como prefere Rubem Alves, coisificação.

Isso se aplica de maneira peculiar aos símbolos. De tanto serem repetidos e compartilhados com sucesso nós os reificamos, passamos a tratá-los como se fossem coisas. Os símbolos que se mantêm vitoriosos recebem o nome de verdade, enquanto os derrotados são ridicularizados como superstições ou perseguidos como heresias.

O universo religioso encantado não poderia ser manipulado ou controlado pela burguesia que encontrou na previsibilidade da matemática, instrumento ideal para a construção de um mundo vazio de mistérios e dominado pela razão. O mundo religioso e seus símbolos foram lançados nas chamas.

Alinhada aos interesses da burguesia, a ciência se apresenta vitoriosa.

Determina que o conhecimento só pode ser alcançado através do método científico.

E o discurso religioso? Só pode ser classificado como engodo consciente.

Estabeleceu-se um quadro simbólico no qual não havia lugar para a religião.
Deus ficou confinado aos céus, dividindo-se áreas de influência:
aos comerciantes e políticos foram entregues a terra, os mares, as fábricas e até os corpos das pessoas.

A religião foi aquinhoada com a administração do mundo invisível, o cuidado da salvação, a cura das almas aflitas.

No entanto, os julgamentos de verdade e de falsidade não podem ser aplicados à religião, pois no mundo dos homens podem ser encontrados dois tipos de coisas: as coisas/símbolo, aquelas que significam outras e as coisas que são elas mesmas, não significam outras. Enquanto os símbolos carecem que comprovação as coisas são elas mesmas e não precisam passar pelo crivo de falso ou verdadeiro. A religião se apresenta como coisa e sua realidade não pode ser negada.

As religiões se estabelecem e subsistem a partir da divisão bipartida do universo entre o sagrado e o profano. Sagrado e profano não são propriedades das coisas. Eles se estabelecem pelas atitudes dos homens perante coisas, espaços, tempos, pessoas, ações. Enquanto o mundo profano se resume ao círculo do utilitário, o sagrado avança para o ideal. Se o homem é senhor do mundo utilitário, no sagrado ele é servo. O sagrado é apresentado como centro do mundo, a origem da ordem, a fonte das normas, a garantia da harmonia que se manifesta na e pela sociedade.

A religião como fato social não está completamente à mercê da análise sociológica, pois os sentimentos religiosos se encontram numa esfera de experiência indiferente à análise sociológica, por ser íntima, subjetiva e existencial.

A religião é o clamor daqueles que sofrem e sonham para acalentar a alma, definindo o mundo sagrado como um grito que ecoa a essência humana.

A religião tem um caráter ambivalente:
ela pode prestar a objetivos opostos, tudo dependendo daqueles que manipulam os símbolos sagrados. Ela pode ser usada para iluminar ou para cegar. Mas, na figura dos mártires tem sido expressão das dores e das esperanças dos que não têm poder, apresenta um Deus que é o protesto e o poder dos oprimidos dando o toque e o sentido para a vida, declarando que vale a pena viver.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Não faça nada no terreiro sem autorização


A Umbanda é considerada uma crença tipicamente brasileira, apesar de suas origens africanas. Na verdade, ela é uma variante do Candomblé e pode-se dizer que não existe em nenhuma outra parte do mundo, o aprendizado constante faz parte dos terreiros responsáveis, o sagrado envolvimento dos dirigentes somente poderão elevar a doutrina tendo filhos conhecedores e dedicados.
O comando de um rito, deverá sempre estar sob o comando do Pai ou Mãe da casa, e quando não estiver presente, deverá ser autorizada pelos mesmos, neste caso deverá ser conduzido pelo maior grau mediúnico e coroado pela casa, ou seja sem a presença do chefe da casa assume os Pais pequenos, quando também na falta deste deverá ser efetuado os trabalhos sobre orientação dos médiuns mais antigos, nunca inicie um trabalho ou gira sem observar os preceitos da casa, nunca modifique algo que foi assentado ou mesmo não cruze qualquer tipo de energia que poderão modificar o curso dos assentamentos e firmesas existentes na casa, poderá trazer transtornos a todos ou mesmo derrubar as energias que duraram anos para serem efetuadas e alinhadas, locais sagrados somente podem ser manipulados por entidades, a incorporação deve ser feita pelos donos deles, saiba que quando a chegada posterior em um rito de alguém com grau superior aos presentes devem ser obrigados a reverenciar e dar-lhe o comando e assento que lhe cabe.


Saiba que somente desta forma os trabalhos poderão surtir o efeito desejado, pois em caso de descumprimento desta forma ou mesmo efetuar algo escondido do Pai ou Mãe da casa, poderá ser muito perigoso ou mesmo poderá surtir efeitos contrários ao princípio do terreiro.


Além do sincretismo clássico entre a herança religiosa africana e o Catolicismo, a Umbanda absorveu elementos do Espiritismo Kardecista, uma vez que há a comunicação dos encarnados com espíritos desencarnados. O sincretismo entre orixás e santos católicos é muito forte e é o mesmo atribuído no Candomblé. Por exemplo, Oxalá representa Jesus; Iemanjá representa a Mãe de Jesus (mais precisamente, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora dos Navegantes), e assim por diante.
Aqueles que incorporam as entidades são denominados de "médiuns ". Durante a incorporação, o médium permanece inconsciente ou semi inconsciente, e quem fala através dele é seu guia, ou seja, a entidade espiritual a ele associada. Para auxiliar os médiuns , existem os cambonos, que ocupam papel relevante na hierarquia do terreiro. Mas a posição mais elevada cabe à mãe ou ao pai-de-santo, que é a pessoa responsável pelos trabalhos espirituais, a exemplo do Candomblé.
Nos terreiros umbandistas, o ponto focal é o congá, altar profusamente enfeitado com flores, velas acesas e colares de contas coloridas, que simbolizam os diferentes santos e orixás. No congá, imagens de Jesus, Nossa Senhora e santos católicos dividem espaço com estatuetas de pretos-velhos, caboclos, ciganos, marinheiros e outras entidades espirituais, que deverão ser acendidas pelo maior grau da casa, ou por alguém autorizado por este
.
A hierarquia do terreiro:

>Babalorixás ou Pai ou Mãe de Santo (Babalaô, quando homem, e Ialorixá, quando mulher) - São os dirigentes.
>Pais e Mães-Pequenas (Baba Mindim) - Assistentes do dirigente. Em geral, ajudam no trabalho de desenvolvimento da mediunidade dos filhos de fé, na falta ou mesmo quando o dirigente autoriza assume as funções de Pai de Santo e dirigente espiritual, é a segunda pessoa na hierarquia do terreiro.
>Médium (aceitos) - São aqueles que trabalham na casa hierarquia conforme tempo de sacerdócio ou autorização do chefe da casa.
>Zeladores (jibonã e sidagã) - Auxiliam os dirigentes.
>Ogã e Sambas - Tocam os atabaques e observam a disciplina.
Cambonos e coroados (feitos e / ou confirmados) - Prestam assistência aos cavalos, durante a gira.
>Filhos de fé (em observação) - Freqüentam os trabalhos para o desenvolvimento de seus dons mediúnicos, devem ser sempre observados e corrigidos pelos graus superiores, não podem de forma alguma exercer cargos ou manipular objetos sagrados sem autorização do Pai ou Mãe da casa.

As sete linhas da Umbanda:

A Umbanda se divide em sete linhas, ou bandas, sendo que cada uma delas é consagrada a um orixá. Cada uma dessas divindades, por sua vez, comanda sete falanges. Uma dessas falanges corresponde à vibração original do orixá (por exemplo: linha de Ogum). As outras seis falanges do orixá significam o cruzamento da energia original do orixá com as dos outros seis orixás (exemplo: a linha de Ogum Beira-Mar é o cruzamento da linha de Ogum com a de Iemanjá). Temos assim um total de 49 falanges.
Como o orixá nunca incorpora no ritual da Umbanda, a função das entidades pertencentes às falanges é justamente descer à Terra e executar o trabalho ordenado pelo orixá. Elas são portadoras da força da divindade.
Existe ainda uma outra subdivisão, que diz respeito à faixa etária das entidades. Desse modo, temos as crianças, os adultos e os velhos. Por exemplo: podemos ter uma criança de Xangô, um Caboclo de Oxossi e um Preto Velho de Oxalá.
Os orixás que comandam as falanges são Iansã, Iemanjá, Ogum, Oxalá, Oxossi, Oxum e Xangô.

A seguir, os orixás e as entidades que integram as falanges da Umbanda:

>Oxalá Cor: Branca; Domínios: Todos os campos da natureza.
>Oxossi - Cor: Vermelha; Domínio: As matas.
>Xangô - Cor: Marrom; Domínio: As pedras.
>Ogum - Cor: Verde; Domínio: As estradas.
>Iemanjá - Cores: Rosa e branco cristalino; Domínio: O mar e as águas em geral.
>Oxum - Cor: Azul; Domínio: As águas doces.
>Iansã - Cor: Amarela; Domínios: Ventos e Tempestades.
>Nanã - Cor: Lilás; Domínio: Lama.
>Obaluaiê - Cores: Preto e branco; Domínio: As cavernas.
>Oxumaré - Cor: Azul claro; Domínio: As chuvas leves.
>Tempo - Cor: Branco perolado; Domínio: As montanhas.
>Exu, Exu-mirim e Pomba-Gira - Cores: Preto e Vermelho; Domínio: Os descampados.
>Marinheiro - Cores: Azul e branco; Domínio: As emoções.
>Boiadeiro - Cores: Marrom e Vermelho; Domínio: A força bruta.
>Cigano - Cores: Todas do arco-íris; Domínio: A liberdade.
>Baiano - Cores: Variadas; Domínios: A esperança e a coragem.
>Caboclo - Cor: Verde; Domínio: A simplicidade.
>Preto Velho - Cor: Branco; Domínio: A sabedoria.
>Criança - Cores: Variadas; Domínio: A pureza. 

Eementos básicos da Natureza, ou seja, Ar, Terra, Fogo e Água. É devido a essa particularidade que, muitas vezes, essas entidades solicitam cigarros, bebidas, alimentos. Cada item pedido corresponde a determinados elementos naturais. Veja os exemplos:
Água e bebidas não alcoólicas: Servem para a cura, pois simbolizam a força, o remédio e o poder gerador.
Bebidas alcoólicas: Pertencem ao elemento Fogo e permitem a troca de energias.
Cachimbo, charuto ou cigarro: Une o Fogo, a Água, a Terra e o Ar, sintetizando, assim, os elementos de todas as linhas.

Dessa forma, é preciso ter bastante conhecimento e, principalmente, discernimento, para lidar com essas forças, que dependem sempre do livre arbítrio de quem as manipula.