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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Umbanda tem fundamento, Umbanda tem história…É preciso conhecer, é preciso estudar…

Todo Cristão conhece a história de Cristo e do Cristianismo, todo Judeu conhece a história de Moisés e do Judaísmo, todo Muçulmano conhece a história de Mohamed (Maomé) e do Islamismo, os três grupos têm em comum o patriarca Abraão também conhecido por todos; todo Budista conhece a história de Sidharta Gautama (Buda) e do Budismo, todo Hare Khrishna conhece a história de Krishna, e nós Umbandistas?
Conforme disse o Caboclo das Sete Encruzilhadas:
“Umbanda é a manifestação do espírito para caridade”
Muitos de nós entendem que basta a prática da caridade sem esclarecimento ou informação do que é a Umbanda enquanto religião. O esclarecimento religioso inclui no mínimo sua liturgia e base histórica. Estas informações são necessárias para dar ao praticante mais tranqüilidade e segurança da religião que assumiu, podendo falar mais sobre ela, desmistificando conceitos e assumindo o Orgulho de ser Umbandista. A Umbanda não é instituída, possui muitos órgãos representativos incluindo federações e associações, logo não há um histórico oficial e este nosso despretensioso ensaio servirá para esclarecer.
Longe de nós a pretensão de oficializar a história da Umbanda, queremos apenas compartilhar algumas informações que consideramos muito importantes ao estudioso de Umbanda, que tem a sede do saber. História é tudo aquilo que está registrado (escrito, fotografado ou filmado), assim iremos recorrer ao que os primeiros Umbandistas deixaram registrado em publicações, ou seja, os primeiros livros e relatos da Religião de Umbanda. Livros que são parte de sua história onde na maioria das vezes os autores foram umbandistas atuantes. Zélio de Moraes não escreveu nada sobre si ou sobre a religião que teve seu inicio em 15 de Novembro de 1908. Em 1904, o livro “As Religiões do Rio”, escrito por João do Rio, apresenta um estudo aprofundado dos cultos no Rio de Janeiro e em momento algum aparece a palavra  Umbanda, o que endossa que nem a religião de Umbanda, nem a palavra, eram presentes no Rio de Janeiro, onde nasceu a Umbanda.
Os primeiros textos sobre a Umbanda aparecem em um livro chamado “No Mundo dos Espíritos”, em 1925, uma coletânea de reportagens feitas pelo Jornalista Leal de Souza para o vespertino da época chamado “A Noite”, onde aparece, entre outras, uma reportagem do Centro Tenda Nossa Senhora da Piedade com o Médium Zélio de Moraes. Leal de Souza era médium na Tenda Nossa Senhora da Piedade e por orientação de Zélio de Moraes e do Caboclo das Sete Encruzilhadas, se tornaria o dirigente da Tenda Nossa Senhora da Conceição.
O primeiro livro de Umbanda foi publicado em 1933 por Leal de Souza e recebeu o nome de “O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda”, neste livro há um capitulo (Cap. 23) intitulado “O Caboclo das Sete Encruzilhadas”, onde o autor que conviveu muitos anos com o fundador da Umbanda fala um pouco sobre a entidade, veja abaixo:
“Se alguma vez tenho estado em contato consciente com algum espírito de luz, esse espírito é, sem duvida, aquele que se apresenta sob o aspecto agreste, e o nome bárbaro de Caboclo das Sete Encruzilhadas”
Sentindo-o ao nosso lado, pelo bem estar espiritual que nos envolve e sensibiliza, pressentimos a grandeza infinita de Deus, e, guiados pela sua proteção, recebemos e suportamos os sofrimentos com uma serenidade quase ingênua, comparada ao enlevo das crianças, nas estampas sacras, contemplando a beira do abismo, sob as asas de um anjo, as estrelas do Céu.
O Caboclo das Sete Encruzilhadas pertence à falange de Ogum, e, sob a irradiação da Virgem Maria, desempenha uma missão ordenada por Jesus. O seu ponto emblemático representa uma flecha atravessando um coração, de baixo para cima; -  A flecha significa a direção, o coração é o sentimento e o conjunto – orientação dos sentimentos para o alto, para Deus…
Entre a humildade e a doçura extremas, a sua piedade se derrama sobre quantos o procuram, e não poucas vezes, escorrendo pela face do médium, as suas lágrimas expressam a sua tristeza, diante dessas provas inevitáveis a que as criaturas não podem fugir…
A linguagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas varia, de acordo com a mentalidade de seus auditórios. Ora chã, ora simples, sem um atavio, ora fulgurante nos arrojos da alta eloqüência, nunca desce tanto, que se abastarde, nem se eleva demais, que se torne inacessível.”
Em Novembro 1971, por ocasião do 63 aniversário da Tenda Nossa Senhora da Piedade a Senhora Lilia Ribeiro, Diretora do “Boletim Macaia” e da “Tenda de Umbanda Luz, Esperança e Fraternidade” – TULEF – gravou a mensagem abaixo dada de viva voz pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. O texto foi colhido no livro “Umbanda Cristã e Brasileira” de Jota Alves de Oliveira / Ed. Ediouro. A mensagem reflete os conceitos estabelecidos, desde o princípio, 1908, pela Entidade Caboclo das Sete Encruzilhadas e por Zélio de Moraes, veja abaixo:
“A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade, e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que vão se vender e que serão, mais tarde expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo”.
O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao Pai de Terreiro, como ao coração do homem que fala à Mãe de Terreiro. É preciso ter muito cuidado e haver moral, para que a Umbanda progrida.
Umbanda é humildade, amor e caridade – essa é a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Este que vos fala, porém, é da falange de Oxossi, meu Pai, e não veio por acaso; trouxe uma ordem, uma missão.
Meus irmãos: Sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, que as vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda.
Meus irmãos: Este aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa.
Tenho uma coisa a vos pedir: Se Jesus veio ao planeta terra na humilde manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a Casa de um portentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser a sua mãe, esse espírito que viria a traçar a humanidade os passos para obter Paz, Saúde e Felicidade.
Que o nascimento de Jesus, a humildade em que ele baixou a Terra, a estrela que iluminou aquele estábulo, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento, por práticas e ações; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a Paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares.
Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a Paz entrará em vosso lar. È dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste Templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados e a saúde para sempre em vossa matéria.
Com um voto de Paz, Saúde e Felicidade, com Humildade, Amor e Caridade, sou e serei sempre humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas”.
Umbanda têm Fundamento, Umbanda têm História… É preciso conhecer, É preciso estudar…
√ POR ALEXANDRE CUMINO

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Beber ou Não Beber ? Eis a Questão…

​     No Ritual da Religião de Umbanda costuma haver o uso de fumo enquanto elemento indissociável deste mesmo ritual, portanto elemento ritualístico. Agora somos surpreendidos com a “Lei Seca”, onde não é possível comer nem ao menos um bombom de licor e dirigir, muito menos beber “marafo”, champagne, Vinho, cerveja e outras bebidas que fazem parte de nossa liturgia e depois ir dirigir. Assim reacendemos a velhas polêmicas: Até onde o uso de fumo e bebida é valido nos trabalhos de Umbanda? Existe ainda a questão de que “não sou eu quem bebe ou fuma”, pois os dois elementos são utilizados pelos espíritos guias mediunicamente incorporados. Não são poucos os médiuns que não bebem e nem fumam, mas que seus guias bebem e fumam. Inclusive aqueles que pararam de beber e fumar por orientação de seu mentor.
     Também não são poucos os que afirmam que seus guias levam tudo, não deixam nenhuma gota de álcool, nem resquício de nicotina em seu organismo, muito menos mau hálito ou cheiro desagradável em seu corpo. De um lado temos leigos, médiuns e sacerdotes que lutam para a extinção do fumo e bebidas nos terreiros, pois do ponto de vista farmacológico, médico e legal são drogas que afetam o organismo, podendo levar ao câncer de pulmão e ao alcoolismo e cirrose hepática. Em muitos terreiros é proibido terminantemente o fumo e a bebida.
     De outro lado temos os usos xamãnicos do fumo como “Erva Sagrada” enteógena (que leva a Deus) e “Erva de Poder” utilizada pelos nossos indígenas muito antes de ser profanada pelo branco. Tudo o que é sagrado quando profanado leva à dor e é assim que as mais conhecidas ervas sagradas e de poder foram profanadas e hoje são uma das maiores causas de sofrimento em nossa sociedade (“maconha”, “cocaína”, “fumo”, “café” e outros). Existe também o uso mágico e terapêutico do álcool e do fumo, que são elementos de magia por excelência, o fumo traz em si os elementos:  vegetal, terra (sua origem), fogo (quando aceso), ar (onde expende a fumaça) e água (sua umidade relativa).
     O álcool também traz os mesmos elementos: vegetal (de sua origem na cana), terra (que sustenta a cana), fogo (sua potencialidade para combustão), ar (por ser um tanto volátil) e água (pois se trata de um liquido). Por estas propriedades a bebida e o fumo se tornam elementos de poder para alcançar resultados em magia e rituais de umbanda. Ainda se levanta a questão de que se é meu guia que fuma e afinal ele cura tantas pessoas pode evitar os danos que estes elementos poderiam me causar. Se Caboclo e Exu zelam por minha saúde devem ser os primeiros a ter ciência de estar ou não nos prejudicando enquanto “fumam” ou “bebem”.
     Em tempo devo de minha parte esclarecer que guias espirituais não fumam no sentido vulgar da palavra e sim usam do fumo e da fumaça para fazer uma defumação direcionada, unindo o sopro, intenção e elemento para alcançar certo resultado. Também não bebem no sentido vulgar da palavra, muito menos têm apego á bebida, pois isso se caracteriza comportamento de obsessores, nossos guias manipulam a bebida. Realmente não há a necessidade em tragar a fumaça do fumo manipulado nem de se beber algo além de um ou dois copos ou doses. Os excessos devem ser evitados em todos os casos, a Lei Maior fala na consciência de cada um de nós, a Ética e o Bom senso devem ser a meta e a regra para o bom andamento dos trabalhos.
     De qualquer forma não podemos desrespeitar à leis, menores de idade não devem fumar nem beber, incorporados ou não, o que consiste uma atitude de respeito da entidade para com a situação emocional, psíquica e biológica daquele que é entendido como menor de idade. Quanto aos médiuns responsáveis por si mesmos, mesmo que sinta que seu mentor “levou tudo”, lembre-se: podemos ter esta sensação, onde realmente uma entidade pode levar boa parte do etílico, no entanto quimicamente, salvo exceções de fenômenos da desmaterialização, sempre ficam resquícios químicos no corpo, por menores que sejam. E assim sendo: ”se incorporou e bebeu, não dirija”.

√ POR ALEXANDRE CUMINO

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Quanto vale o seu dia?

E foi em uma conversa de bar dessas assim, de fim de expediente e descompromissada, que ouço a seguinte pergunta: ‘Quanto vale o seu dia?’
No modo automático, perguntei se o questionamento referia-se a valores monetários, horas trabalhadas ou algo do gênero. Não. Era além. O dia, a vida, o agora, aquele instante… para você, quanto vale?
Um entardecer na praia.
O toque sonoro de uma mensagem no seu celular.
O almoço em família com aquele tempero que só a mãe da gente sabe fazer.
Um reencontro. Mas aquele reencontro.
A vitória do seu time.
Uma chuva torrencial no meio da noite, no mesmo instante em que você se encontra afundado em suas cobertas.
Uma promoção, ou então, uma aprovação – no vestibular, em uma entrevista de emprego, na OAB, no exame de carta.
Um beijo. Um abraço demorado. Um sorriso.
Cinco minutos em silêncio. Você e mais ninguém.
Porque são essas coisas pequenas e aparentemente sem valor que fazem um dia valer a pena. Que fazem a vida ter sentido. Que fazem com que desejemos viver e não apenas existir ou atuar como figurantes de uma novela qualquer. Porém, mesmo aprendendo a encontrar meios de valorizar cada dia, ainda fica a pergunta: quanto ele vale?
Vale tão pouco a ponto de utilizar quinze das suas 24h em uma mesa de trabalho? Tão pouco que o faz não se importar em perder horas de um precioso sono mergulhado em ansiedade, preocupação, medo e projeções? O valor é tão banal que uma briga com amigo ou namorado é capaz de arruiná-lo por completo? Ou, se naquele tal teste você não for aprovado, ele é capaz de ser totalmente impactado?
A partir de hoje, pensem que um dia, seja ele qual for, jamais voltará a existir. Será hoje a sua oportunidade. Sendo assim, vivam. Acordem com vontade de ser o melhor que podem ser. Certamente, uma briga não vale seu dia. Um feedback negativo não vale o seu dia. Uma decepção, um término, um desentendimento, um erro, um adeus… nada disso vale o seu dia. Esse, que nunca mais irá se repetir.
Pensei, pensei e, para o meu amigo que me fez essa pergunta retornei com a única resposta que me parecia razoável: Meu dia? Não tem valor. Ele não está no ‘mercado’, não está à venda e não há nada nesse mundo que me tire essa oportunidade única de ser cada vez mais feliz.

Amor, luz e consciência. Sempre.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Exercícios com os Anjos



Aqui deixo duas “meditações” guiadas que nos ajudarão a aproximar-nos dos Anjos e a permitir que eles nos ajudem de uma maneira muito simples.
Para melhor nos concentrarmos devemos vestir roupas confortáveis.
Para aumentarmos a energia da sala, podemos acender uma vela, colocar alguns  cristais, plantas, flores e uma música suave e relaxante que nos ajude a aumentar as vibrações.
Antes de iniciamos a meditação, devemos estar conscientes de que tudo que acontecer será para nosso bem supremo.
Vamos então pedir aos Anjos da luz que se aproximem de forma a nos curarem e protegerem e iniciamos.

Para conhecer o seu Anjo

1- Sente-se ou deite-se de forma confortável;
2- Inspire devagar, mais profundamente que o habitual e descontraia-se quando expirar, até o corpo se sentir totalmente calmo;
3- Convide o seu Anjo da guarda a aproximar-se. Sinta a sua presença e a luz a envolvê-lo carinhosamente. Descontraia-se sentindo esta proteção;
4- Pergunte o nome ao Anjo e alegre-se com o primeiro nome que lhe vier à mente. Se não vier não tem que se preocupar;
5- Envolto no amor e na segurança do anjo da guarda, repare nos outros anjos que se encontram à sua volta e no amor que cada um tem por si;
6- Inspire todo o amor que eles lhe oferecem e lembre-se que precisa de ser amado;
7- Agradeça todo este amor que recebeu dos Anjos e quando estiver preparado abra os olhos.

Para limpar e curar o coração

1- Deite-se ou sente-se confortavelmente;
2- Inspire profundamente e quando expirar concentre-se. Depois, Sempre que expirar imagine um lugar tranquilo, até se sentir totalmente descontraído;
3- Sinta o exterior do coração. Verifique se está sereno e saudável ou se está violento, ferido ou magoado;
4- Sinta o interior
​​
 do coração. Verifique se está cheio de amor ou cheio de mágoa, raiva e inveja. O que precisa de ser curado?
5- Convide os Anjos da cura a curarem o coração e sinta quantos vêm ajudá-lo;
6- Deixe-os fazer o trabalho da maneira que quiserem;
7- Deixe tirar o seu coração para uma bonita cascata de água transparente. Quando o coração estiver na água, sinta e observe todos as mágoas a desaparecerem;
8- Deixe que os  Anjos levem o coração para ser abençoado e descontraia-se. Fique aberto a tudo que vier a acontecer;
9- Agradeça por tudo o que receber;
10- Permita que o coração purificado e abençoado volte a entrar no seu corpo;
11- Sinta os Anjos tocarem a sua aura, para que seja fechada. Agradeça.
12- Quando estiver pronto, abra os olhos e concentre-se em pensamentos carinhosos.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Exu Tiriri


Hoje quero falar de um grandioso mistério de Deus, o Mistério Exu Tiriri.
Sem a intenção de estabelecer verdades, mas com a intenção de que cada vez mais possamos cultuá-lo e conhecê-lo.
Os conhecimentos que compartilho, é o pouco do conhecimento que me foram permitidos receber através dos trabalhos espirituais e do contato com esse mistério de Deus.
O Mistério Tiriri é um mistério originado no Trono da esquerda da Lei, trabalhando na vibração de Ogum, portanto sua vibração original é a da vitalização da irradiação da Lei e da Ordem.
Porém, o Mistério Tiriri é um mistério que atua nas sete irradiações divinas, da mesma forma que os Mistérios "Sete" (Sete Catacumbas, Sete Caveiras, Sete Encruzilhadas, etc.) e, portanto, atua vitalizando a ordem e a retidão nos sete sentidos da vida.
Os Guardiões Tiriri atuam, principalmente, nas vibrações dos verbos-função "quebrador", "devolvedor" e "retornador", assim como, em grande parte dos casos são grandes especialistas em demandas e quebra de magias negativas.
Como atuam na esquerda da Lei, atuam também abrindo os caminhos daqueles que são merecedores dessa dádiva.
Muitos espíritos trabalhadores na Umbanda dentro da linha da esquerda carregam em seu nome oculto esse mistério.
Os guardiões que trabalham dentro desse mistério, atuam nos consulentes buscando ordenar seus negativismos, abrindo os caminhos e quebrando demandas quando permitidas pela Lei e, muitas vezes, devolvendo-os aos seus "donos".
Quando Tiriri se apresenta é por que a Lei já ordenou o fim de uma ação negativa.
Os exus que trabalham dentro desse mistério recebem suas oferendas nas encruzilhadas, principalmente as de terra e as das estradas de ferro, mas como mistérios sétuplos, podem solicitar suas oferendas em uma pedreira, cachoeira, campo aberto dependendo da sua necessidade de trabalho.
Salve o Mistério Devolvedor-Retornador de Exu Tiriri.
Salve o Mistério Quebrador de Exu Tiriri.
Salve o Mistério Abridor de Exu Tiriri!
Humildemente me reverencio ao Mistério Exu Tiriri e peço-lhe Sua Benção, Seu Amparo Divino e a Proteção de Todas as Suas Forças.

 Prece ao Mistério Exu Tiriri

Mistério Exu Tiriri

Tu que emanas o poder sétuplo de Deus

Tu que tens o poder de abrir os caminhos, de guardar as encruzilhadas, que domina o poder devolvedor, retornador e quebrador.

Pedimos vossas bênçãos em nossas vidas.

Quebre as demandas de nossos egos, de nossos pensamentos e sentimentos negativos.

Devolva-nos a alegria, a força, a vitalidade, a ordem e a Lei.

Devolva-nos a prosperidade, a saúde e a paz de espírito.

Que segundo nosso merecimento e necessidades possa nos fazer retornar tudo o que nos foi retirado pela maldade de outros ou pela nossa própria incapacidade.

Permita-nos receber vossa força para o trabalho, vitaliza nossa saúde e protege-nos dos ataques negativos.

Cubra-nos com vossa capa protetora vermelha e negra.

Coloque vossa lança tripolar, vosso tridente encantado para nossa proteção.

Laroiê Mistério Exu Tiriri.

Autor: André Gonçalves Santos 


Mensagem do Exú Tiriri Menino
Dialogo do livro o Retorno de um adolescente

Vocês têm ligação com o Diabo?
Rindo, seu Tiriri diz:
O mal está dentro de cada um que vive na sua terra. Cabe a vocês distingüi-los, trabalhando para combatê-lo. Não adianta você está dentro de uma igreja, centro ou qualquer templo, invocar o nome de Deus, e logo ao sair deste, agir com maldade para com seu semelhante. Muitos na terra seriam Exú, por viverem com o coração cheio de maldades.
Vêem nos pedir para fazer o mal, e eu te pergunto? Quem é o Diabo.
Acho que se deve contar e a fé. A essência que purifica e perfuma o coração dando a vida.
Alguns vivem a nos massacrar, por gostarmos de beber e fumar, quando deveriam verificar o trabalho realizado. Tantos em outros credos não bebem, não fumam, mas enganam e enrolam os humildes e carentes na fé.
Eu tenho certeza que meu trabalho é muito bem feito e copiado por tantos, vocês dificilmente irão ver um espírita criticar e atacar qualquer religião, porque aprendem a respeitar a liberdade de credo.
Antes de se atacar a religião por alguma coisa errada, deve-se procurar ver o caráter de quem a dirige. De falsos pastores a sua terra está cheia, tornando-se o grande inferno.
Somos massacrados por imagens e nomes que são puras palavras.
Pensem:
Quantos na terra receberam de seus pais nomes de santo e agem unicamente a serviço do mal.
A maldade existe não vinda conosco e sim com pessoas impuras e superficiais. Se um médium tem bom coração este jamais irá carregar um espírito sem luz a serviço do mal.
Alguns Dirigentes de credos diferentes, mas obviamente ligados a Deus, criticam se achando os donos da verdade por lerem a palavra de Deus, criticam imagens criadas pela mão do homem se esquecendo que a Bíblia também é feita pela mão do homem e hoje já se encontra dividida por credos, acho que Deus deixou uma única escritura. Será que eles mesmos agem por intermédio dela. Procure observá-los no dia a dia e não somente em dias de reuniões. Será que a palavra de Deus ensina seus filhos a impor ou ridicularizar, mesmo quando foi traído por Judas este sentiu piedade e amor. O perdoando.
Quem sabe estes são impulsionados com fanatismo e por esses espíritos sem luz que dizem vir dos Espíritas Umbandistas, ou do Candomblé.
Os que criticam geralmente passaram pelo espiritismo desejando algo que jamais mereceram.
Hoje enganando vão acumulando seus seguidores vão emprestando bens para impressionar e chamar mais e mais fiéis.
Eu recebo em minha casa várias pessoas também revoltadas e enganadas em seus credos, mais de que adianta brigar quando um dia de tudo tem que se prestar conta.
Espíritas não atacam, são atacados.
Alguns em seus credos atacam julgando-se melhores.
Jesus não atacou e foi castigado.
Quem é quem?
Os espíritas verdadeiros são serenos e evangelizados, não precisam defender-se, já que Deus é nosso juiz, auxiliado pelo nosso supremo advogado – O divino Mestre Jesus Cristo, no tribunal celestial.
Lembrem-se constantemente.
A vida tem seu começo, meio e fim para todos…

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Caboclo Pena Branca : O irmão universal, Um Caboclo sem fronteiras

   
Em 1929, o poderoso cacique Pena Branca, líder dos índios Yaqui do México, liderou uma revolta contra a opressão e a injustiça que vitimavam o seu povo.  Desde este momento, nas terras americanas, o mito desta grande entidade nasceu.  Pena Branca é hoje um símbolo de liberdade, autenticidade e fraternidade.
   Entrando em contato com muitos irmãos de cultos afro-indígenas do México, Caribe e Estados Unidos, fiz esta pergunta a mim mesmo :
-”Será nosso Caboclo Pena Branca, esta mesma entidade ou um representante dela ? “  
   Certa vez, perguntei ao irmão Alberto Salinas, curandeiro e médium de uma tradição espiritualista mexicana, quais as principais entidades que incorporavam em seu templo. O primeiro nome que ouvi foi : Pena Branca.  Em seguida, comentei que no Brasil, também incorporava um índio do mesmo nome.  Ele não se surpreendeu e disse que outros “penas” também frequentavam sua sessão de cura, nada impedindo que fossem as mesmas entidades.  
   Longe dali, no Caribe, existe uma religião chamada de Vinte e Uma Divisões (ou Vinte e Uma Linhas) que é muito parecida com a nossa amada Umbanda.  Nos terreiros deste culto, trabalham destemidos espíritos de índios, pretos velhos, exus (ali chamados de candelos) e outros espíritos familiares.  Na Linha de Índio Bravo, uma das Vinte e Uma Linhas, encontramos também nosso velho amigo : Pena Branca !
   Ali ele baixa, firme e elegante, dando brados e vivas imponentes.  Com ele, também incorporam Águia Branca, Índio da Paz e outros “penas” :  Pena Azul, Pena Negra, Pena Amarela, etc…    Coincidência ?
Nos estados sulistas dos Estados Unidos, existem algumas igrejas espíritas….        Coisa bem diferente, pois por fora parece um templo evangélico e por dentro um terreiro.  Os pastores são médiuns e bem íntimos com as manifestações do Mundo Invisível.
  O espírito principal que chefia estas igrejas, as vezes chamadas de Igrejas Espiritualistas Africanas, é o Chefe Índio Falcão Negro. Quando o Chefe Falcão se manifesta, ele puxa outros companheiros das aldeias do astral, como Nuvem Vermelha, Águia Negra (nomes de chefes indígenas que existiram) e entre eles está : Pena Branca !  Mais coincidência ?
  Algumas fraternidades esotéricas americanas, que cultuam os Mestres Ascencionados como Saint Germain, El Morya e outros bem conhecidos da Nova Era, conhecem um belo Mestre curador.  Ele aparece como um índio banhado em branca e luminosa luz, dando sábios conselhos e mensagens (veja uma imagem dele aqui reproduzida).  Seu nome ?  Mestre Pena Branca.  Olha ele aqui de novo….
   Em algumas ilhas do Caribe existe um culto chamado Obeah, de origem africana.  Dentro dele são celebrados os mistérios dos espíritos de origem indígena taino, etnia local.  Existem muitas entidades indígenas, a maioria com comportamento muito arredio e nomes de animais, como Cobra Verde, Pantera Negra, Jaguar Dourado e etc…
   Quando incorpora a Falange do Povo Alado, simbolizada pelos pássaros e morcegos, um deles tem um destaque especial.  Este espírito se apresenta sério, compenetrado, usa tabaco fortíssimo e uma pena branca na cabeça.  Como é chamado ?  Índio Pena Branca.  Pois então, novamente o encontramos.
Na Venezuela existe um culto belíssimo, semelhante em tudo com a Umbanda de nossa terra. Tem caboclo, preto velho, exu, marinheiro, Orixás e tudo de bom.  É a tradição de Maria Lionza, a Rainha Mãe da Natureza.  
   Na Linha Índia, comandada pelo famoso espírito do Cacique Gaicaipuro, incorporam centenas de caboclos venezuelanos e americanos.  Eles trabalham com pemba, bebidas diversas, água, cocares, maracás e todo o aparato ameríndio.  Chegam bradando e saudando o povo, que procura semanalmente os irmandades em busca de alívio, socorro material e espiritual.
   Certo dia em Bonaire, uma ilhazinha perto da Venezuela, eu participava de um culto de Lionza.  Perto do congá, estava um rapaz incorporado com um caboclo. Atento, o índio ouvia pacientemente uma velha senhora e a limpava com um maço de ervas perfumadas.  A senhora chorava muito e tremia.  No final da sessão, o semblante dela havia mudado.  Feliz, ela sentou-se no banco da assistência e orava agradecida.
   Curioso, eu me aproximei e perguntei o nome da entidade que a atendeu.  A velha irmã respondeu com reverência.  Adivinhem o nome do caboclo.  Ele mesmo, o grande índio Pena Branca !
   O tempo passou e a pergunta ainda batia dentro da minha cabeça. Será que é o mesmo Pena Branca ?  Terá este caboclo conhecido da Umbanda viajado tanto assim ?  Afinal, ele é mexicano, americano ou brasileiro ? Quem, afinal, nasceu primeiro, o Pena Branca daqui ou de lá ?  Inquietações de um pesquisador, pois os afilhados e médiuns de Pena Branca não ficam, creio eu, tão preocupados com a sua origem.
   Uma bela noite, em um modesto e tranquilo terreiro umbandista do interior paulista, acontecia uma gira de caboclo. A líder do terreiro abriu o trabalho e incorporou. Seu Pena Branca estava em terra, em todo o seu esplendor e força. Fiquei atento, lembrei-me do Caribe e pensava em tudo isso que agora escrevo aqui. O caboclo Pena Branca riscou seu ponto, pediu um charuto, deu algumas ordens ao cambono e olhou para onde eu estava.  Senti uma estranha energia percorrer minha espinha.  Ele continuou olhando e acenou.  Me levantei e acenei de volta.
Foi então que ele falou :
- Filho, era eu, lembra ?  Tem aí um maço de ervas bem cheiroso para mim ?  
 Salve Seu Pena Branca !
√ POR RAS ADEAGBO

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ogans na Umbanda

​​  
   A palavra Ogã vem do Yorubá e significa Senhor da Minha Casa. Não é para menos, pois o Ogã – médium responsável pelo canto e pelo toque – ocupa um cargo de suma importância e de responsabilidade dentro dos rituais de Umbanda, que é o de conduzir a Curimba – conjunto de vozes e toques do atabaque – ajudando nos trabalhos espirituais para que possamser fortes e bonitos. Os ritmos (toques) e cantos realizados pelo Ogã, pode-se dizer que nos dias de hoje, são parte integrante de um Centro de Umbanda.
   Os atabaques – instrumento de percussão – sempre foram alvos da polícia baiana e estavam terminantemente proibidos de serem tocados em Terreiros. Aproveitando uma viagem ao Rio de Janeiro a até então desconhecida Mãe Aninha, zeladora da casa de candomblé Ilê Axé do Opô Afonjá em São Gonçalo do Retiro, decidiu solicitar uma reunião com Getúlio Vargas, que na época ocupava o cargo da Presidência do Brasil.
   Nessa reunião foi discutido o assunto sobre os atabaques nos terreiros, pois como dizia Mãe Aninha, para dar originalidade e ritmo às festividades era preciso os instrumentos de percussão. Ela fora tão determinada que conseguiu “arrancar” de Getúlio Vargas um decreto que liberava o uso de atabaques em Terreiros. Este ato, foi considerado um grande passo para o Culto de Nação no Brasil, que de pouco a pouco ganhava espaço na sociedade brasileira. Esse acontecimento foi recebido com grande festividade pelo povo de santo, principalmente na Bahia, onde foi comemorado com a famosa festa da Lavagem da Escadaria do Senhor do Bonfim. O responsável pelo toque, o Ogã, tem de ser bem preparado e Coroado como Ogã para exercer tal função em um Terreiro, pois além de serem médiuns intuitivos, são Sacerdotes natos, aqueles que nascem com a função de falar por um Orixá, de serem um Instrumento puro dos Orixás e fazem isso através de suas mãos e cantos.
   O Ogã é um canal aberto para muitas linhas de trabalho da Umbanda que trabalham ativamente através dele, são linhas de caboclos, exus, pomba-gira, etc… que por motivos próprios trabalham nos “bastidores”, sem incorporarem ou tomarem a “linha de frente” dos trabalhos espirituais. Formam uma corrente de espíritos que auxiliam nos toques e cantos da curimba, são mestres na música de Umbanda, verdadeiros guardiões dos mistérios do “Som”.
   Muitas são as funções que os pontos cantados têm. Primeiramente uma função ritualística, onde os pontos “marcam” todas as partes do ritual da casa. Assim temos pontos para a defumação, abertura das giras, bater cabeça, chamada, subida, sustentação dos Guias e fechamento de gira. Uma outra função importante é de emitir ondas energéticas pelo som do atabaque e pelos cantos que servem para diluir algumas energias astrais negativas que não fazem bem ao médium.
   A curimba é um verdadeiro “pólo” irradiador de energia dentro do Terreiro, potencializando ainda mais as vibrações dos Orixás, ajudando os médiuns tanto na hora das incorporações, desincorporações e da firmeza de um trabalho. A curimba, por si só, emite energia suficiente capaz de descarregar um médium ou uma Casa.
Por isso a curimba deve sempre estar em sintonia com os Guias Espirituais, com os Orixás e com o Dirigente do trabalho. O Ogã deve estar sempre pronto e procurando aprender mais e mais.    Sempre com amor, pois quando vibramos de coração, os cantos atuam sobre nossos chacras, ativando-os, e deixando-nos em total sintonia com a Espiritualidade Superior.
  Os pontos transformam-se em “orações cantadas”, ou melhor, verdadeiras determinações de magia, com um altíssimo poder de realização, pois é um fundamento Sagrado e Divino. Poderíamos chamar tudo isso de “magia do som” dentro da Umbanda, pois não é simplesmente evocar uma Divindade, mas é chamado de magia por envolver toda uma “cadeia” onde o som da curimba atua nos médiuns positivando-os e equilibrando-os. Infelizmente, não temos visto nos templos de Umbanda uma preocupação com a qualidade da curimba, ou seja, com o conjunto de vozes e toques de atabaques.
   Há templos em que os atabaques são “tocados” com tanta força que parece que os Ogãs estão descarregando sua energia e sentimentos negativos nos couros dos instrumentos e não é possível ouvir as letras dos pontos cantados e, às vezes, nem mesmo a melodia. Em outros lugares, há uma preocupação com a afinação, mas há negligência quanto aos ritmos e instrumentos ou, então, os atabaques são muito bem tocados, mas o canto é completamente desafinado. Pior, ainda, é quando não se prioriza nem uma coisa nem outra, porque na verdade é o conjunto em que um completa o outro, formando uma grande Harmonia.
   É válido lembrar também, que esses problemas de musicalidade são percebidos por muitos frequentadores que, além do “stress” auditivo, saem comentando a desarmonia, o que pode desprestigiar a Casa e a comunidade umbandista, em relação ao nível de excelência que deveria ser alcançado. Axé Irmãos! Que possamos ter em nossa Umbanda uma religião digna de belos ritmos, com muita vibração, harmonia e irradiação Divina.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Obra de Deus

Desde os tempos em que a humanidade vivia em cavernas o homem admira-se perante a grandiosidade do Universo. Ernest Renan, um historiador e filólogo francês do século XIX, em sua magnífica obra A Vida de Jesus, afirma: "Desde que o homem se diferenciou do animal, tornou-se religioso, ou seja, ele percebeu que na natureza havia algo além da realidade e, em si mesmo, algo que estava além da morte". Por isso, o ser humano sempre buscou respostas sobre a origem das coisas e quis saber a respeito de quem teria sido o supremo arquiteto dos céus, dos montes, dos mares, da natureza etc. A Doutrina Espírita, como veremos, nos oferece seguras respostas a esses questionamentos.

Que é Deus?
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Criou tudo o que há. É o único princípio não criado. Sempre existiu. As leis da Física demonstram que um determinado efeito nunca é anterior à causa. No caso da Criação, pode-se concluir que ela é consequência da ação de um princípio lógico, que se encadeia de forma inteligente. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. 
O homem, observando o mundo que o cerca, pode deduzir através da razão, que aquilo que o criou deve ser inteligente e superior a tudo o que existe. A essa causa primária denominou-se "Deus". Podemos reconhecer Deus observando e estudando suas obras.

"Lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, observando a previdência, a sabedoria, a harmonia que preside a todas as coisas, reconhecemos que nenhuma há que não ultrapasse o mais alto alcance da inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são o produto de uma inteligência superior à humanidade, a não ser que admitamos haver efeito sem causa" - (Allan Kardec - A Gênese, cap. II, item 5).

Atributos da Divindade
Não é dado ao homem, dentro da impotência em que se encontra, atingir toda a magnitude da natureza íntima de Deus. Por muito tempo, o homem julgou Deus à sua imagem e semelhança, dando a ele a aparência humana, bem como suas imperfeições, moldando um Deus colérico, vingativo e ciumento. Entretanto a Divindade possui atributos próprios de sua natureza suprema. Deus não se mostra, mas afirma-se mediante suas obras, diz Kardec. Diante disso, pode-se afirmar que:

Deus é eterno: Ou seja, não teve começo e não terá fim. Se Ele tivesse tido um começo, teria saído do nada. O nada, sabemos, não existe. Deus é o ser absoluto, eterno, a própria eternidade.
Deus é imutável: Se Ele fosse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam estabilidade. Sua imutabilidade é o alicerce das leis físicas e morais.
Deus é imaterial: A natureza de Deus difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma Ele não seria imutável e suas leis estariam sujeitas às transformações da matéria.
Deus é único: Se existissem muitos deuses, não haveria unidade de vistas, nem de poder na organização do Universo. Se existisse um outro Deus, teria que ser igualmente infinito em todas as coisas, caso contrário nem um nem outro teria a soberana autoridade. Os povos antigos, por ignorância, acreditavam na existência de muitas divindades e associavam-nas às forças da natureza, às montanhas, aos mares, às matas, aos astros etc.
Deus é todo poderoso: Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto Ele, que assim não teria a supremacia sobre a Criação, deixando de ser Deus. Aquelas obras que Ele não tivesse feito, seriam obrigatoriamente feitas por outro deus. Portanto Deus é todo poderoso porque é único.
Deus é soberanamente justo e bom: A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas que cercam o ser humano, e esta sabedoria não permite que se duvide de Sua justiça nem da Sua bondade.
Deus é infinitamente perfeito: Conceber Deus sem essa perfeição infinita é ter que admitir que exista algo ainda mais perfeito. Se retirássemos a menor parcela de um de seus atributos, já não teríamos Deus, pois poderia existir um ser mais perfeito.
"Deus é, pois, a suprema e soberana inteligência; é único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições, e não pode deixar de ser assim. Tal é o eixo sobre o qual repousa todo o edifício universal; é o farol do qual os raios se estendem sobre o universo inteiro, o único que pode guiar o homem em sua pesquisa da verdade; ao segui-lo, não se extraviará nunca; e se tem se desencaminhado com tanta frequência, é por não ter seguido o caminho que lhe é indicado" - (Allan Kardec - A Gênese, cap. II, item 19).
Se é possível crermos na existência de um Ser superior que criou o mundo onde vivemos e o Universo que nos cerca, e que nos concedeu oportunidade de vida e progresso, seria lógico e racional nos esforçarmos no sentido de compreendê-Lo. Esta é a meta do aprendizado espírita. 
A Religião deveria se configurar numa instituição de grande importância para a humanidade, porém, seu sentido acabou sendo desvirtuado pelos homens. Sua função seria a de transmitir os ensinamentos divinos aos seres humanos, libertando-os da escravidão das idéias materialistas, que o atrelam a um mundo de ilusões transitórias, sem compreender o verdadeiro sentido da vida. 
Não existe ainda na linguagem humana, palavras que possam definir a verdadeira natureza de Deus. O Espiritismo nos faz analisar isso com muito mais racionalidade, porém ainda não é o ideal. Quando o Espírito atinge o estágio de Espírito Puro, ele compreende o Criador de modo mais amplo. Até lá, sua idéia a respeito do Pai é apenas relativa ao seu grau de adiantamento.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O mistério do corpo de Jesus

Jesus pegou um pão, uma totalidade, e o quebrou dizendo: “Tomai e comei deste pão, é o meu corpo e o deu a seus apóstolos”. Jesus deu um pedaço de pão, uma porção do seu corpo, (do corpo do Cristo; o Cristo é a luz que Ele representa) a cada um de nós. E uma vez um uma vez um, uma vez um é sempre um. Ou seja, o corpo do Cristo Universal que Jesus personifica é um e flameja latente também em nosso coração. É uma semente de luz, amor e sabedoria esperando o desenvolvimento que virá através de nosso trabalho.
Jesus não veio para condenar, mas para que o mundo, através dele pudesse ser salvo.
Quando o indivíduo purifica sua mente e emoções, seu corpo e alma, ele começa a expandir sua própria luz e a elevar sua consciência crística.
Com o auto-aperfeiçoamento ele passa à reconhecer seu Cristo Interior, reconhece também o Cristo em Jesus e em seus próprios irmãos.
Jesus disse: “Àqueles para quem eu vim não me reconheceram e àqueles que me reconheci eu os tornei filhos de Deus.”
Vemos assim, que as crianças de Deus que percebem a cristicidade, passam pela iniciação para tornar-se Filhos de Deus. Isto nada tem a ver com idade cronológica; é uma questão de maturidade e evolução da alma.
Uma pessoa de sessenta anos pode ser criança de Deus, enquanto outra de doze pode ser filho de Deus. Existe uma Senda Iniciática pela qual você pode caminhar, para receber a iniciação diretamente de Jesus.
Jesus revelou ensinamentos secretos para àqueles que estavam preparados para receber e serem moldados. Deus só transmite a compreensão de seus mistérios àqueles que ao receberem, aceitam ser transformados e assimilam o mistério, que comem e bebem do corpo do Pai, que irão tornar-se neste corpo, e transformar-se através desse conhecimento.
Em outras palavras, aqueles que aceitam a alquimia de Jesus Cristo, recebem os mistérios de Deus.
Jesus prometeu que o confortador viria e ensinaria todos os mistérios. Não há limite para esta promessa. A salvação não é conquistada somente através da fé, mas sim do conhecimento e do trabalho.
“A Fé sem o trabalho é morte”, diz a Escritura. Por isso dizemos que aquela frase “aceite Jesus em seu coração e será salvo” é um grande equivoco. Não basta isso, é preciso conhecer a lei, seguir os mandamentos, orar, servir a vida.
É preciso seguir os ensinamentos de Jesus, seu exemplo de trabalho, fé e humildade. Perdoar como Ele perdoou. Amar como Ele amou. Respeitar ao próximo, assim como ele respeitou.
O livro “Imitação de Cristo” ajuda imensamente a seguir seus passos. Ele dizia Siga-Me. Devemos fazer o que Ele fez e chegar a Ascensão como Ele chegou, passando antes por todas as iniciações que Ele passou.
Querendo ou não, nós passamos por estas iniciações. O importante é acelerar nosso desenvolvimento espiritual ao invés de ficarmos entalados no mesmo nível, por resistência à mudança ou por falta de um pouquinho de esforço. Resistência à mudança é sinal de dor. É melhor adaptar-se rapidamente a cada nova situação.
Quando sofremos dor física, emocional ou mental é hora de refletirmos:
" - O que esta dor está querendo me dizer? Preciso mudar minha forma de pensar, reformular conceitos, mudar padrões de pensamento, de comportamento; Preciso evoluir, dar um passo à frente. "
" - Amado EU Superior, mostre-me exatamente onde, e o que, mudar"
Jesus disse: “Sem mim você nada pode fazer”. Ele é a encarnação do Filho de Deus. Ele é a Palavra encarnada. Ele é a encarnação do EU SOU O QUE EU SOU. Ele atingiu a totalidade de todos os níveis.
Assim quando Jesus afirma: “Eu”, Ele não está falando de Jesus como um ser humano, mas sim do divino, do Cristo, pois todo o divino está integrado com ele, ele fala da luz que está nele. Esta mesma luz, embora embrionária, está em você também.
Ele diz: “O homem não pode viver só de pão, mas de cada Palavra que procede da boca de Deus”.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Mulheres nos Terreiros

​     Irmãos leitores, houve época em que as médiuns eram proibidas de serem dirigentes espirituais, sacerdotisas, mães, etc, mesmo que elas já estivessem preparadas. Nesta época  elas não podiam ser ogãs, ou seja, aquelas que tocam ou assumem a responsabilidade da curimba (atabaques) do terreiro.
A mulher assim que soubesse da sua gravidez era afastada, pois a mesma não poderia trabalhar na corrente. E quando essa mulher incorporava, guias masculinos, precisava amarrar-lhe um pano em seu corpo para bloquear as energias femininas.
   As mesmas não podiam “trabalhar” no seu terreiro, quando estavam menstruadas, justificando que seu corpo estava aberto e, assim sendo, impuro.
As indiferenças, os preconceitos, pressões e humilhações foram atitudes  vindas de uma sociedade machista que julgava-se superior, que refletiam na época, na vida espiritual, social e afetiva. Mas, mesmo assim, a mulher confiou na dualidade de  Pai/Mãe Olorum e, principalmente, tempo/evolução.
    Quero acreditar que os tempos mudaram, evoluíram, e que as mulheres estão sendo consideradas médiuns independente do seu estado; que fazem parte do corpo mediúnico de um terreiro em igualdade com os demais.
   Desde os primórdios da Umbanda, as mulheres podiam incorporar Orixás masculinos e também guias como Caboclo, Preto Velho, Baiano, Boiadeiro, Marinheiro, Ciganos, Exu e Exu Mirim, e já tinham como guia chefe, mentor ou guia de frente uma entidade masculina. São tantas as mulheres, senhoras, meninas, moças, idosas que trabalham, e se formos analisar, hoje a maioria dos terreiros  é composta por um número maior de mulheres médiuns.

     Muitas mulheres são tão guerreiras, líderes, inteligentes quanto os homens. Não há diferença para Pai/Mãe Olorum, pois na sua dualidade gerou de seu interior seres masculinos e seres femininos, com o mesmo princípio e genética, os criou e os dotou com qualidades, atributos e atribuições iguais.
   Tem pai sacerdote, dirigente espiritual que até hoje não incorpora Orixás femininos, como também não incorpora Cabocla, Preta Velha, Cigana, Erê feminino, Pomba Gira e Baiana.
   Muito raramente você encontra em terreiros um dirigente masculino tendo como mentora, guia chefe ou guia de frente uma entidade feminina. Nós umbandistas reclamamos da discriminação, do preconceito, da falta de respeito com as nossas práticas religiosas, porém falta entendimento mútuo para os próprios umbandistas.
   E quando um dirigente espiritual, rompe estas barreiras preconceituosas e pratica a doutrina umbandista com igualdade, é considerado no próprio meio um inconsequente, e  passa a ser visto como um adversário. Os fundamentos umbandistas e as leis que regem a base ritualística, não ditam que homens e mulheres tenham atitudes diferenciadas dentro dos terreiros.
    Apesar de tudo, e graças ao Divino Trono do Tempo, tudo na vida renova-se e evolui, pois é uma lei natural gerada e criada pelo Divino Pai/Mãe Olorum. Enquanto houver pessoas que acreditam na igualdade do ser humano e sabem que a dualidade de Pai/Mãe Olorum é infinita, continuarão praticando e respeitando as suas leis imutáveis que são eternas. Enquanto os seres humanos acreditarem na sua igualdade e na dualidade de Pai/Mãe Olorum, continuarão  a  manifestar de seu íntimo o amor incondicional. Parabéns Pai/Mãe Olorum.

√ POR MÔNICA BEREZUTCH

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Depressão e suicídio

Todo ser humano apresenta periodicamente depressão mental, 
dentro de uma resposta normal do cérebro.



   Cerca de 20 % da população adulta apresenta durante sua vida, episódios depressivos com manifestações clínicas significativas que precisam ser controlados com um tratamento especializado e medicamentos. A depressão, assim como a ansiedade, pode ser resultante de problemas de desenvolvimento (distúrbios da personalidade), traumas de infância ou de problemas psicossociais (divórcio, desemprego). Há uma relação entre a depressão e a auto-estima (amor próprio), sendo que a depressão normal esta relacionada positivamente com a auto-estima, isto é, uma depressão discreta aumenta com a auto-estima, mas caso a depressão se torne exagerada e anormal, a auto-estima começa a diminuir até atingir um nível zero, onde o risco de suicídio é grande, pela perda total do amor-próprio, levando o indivíduo a esse ato.O sintoma depressivo é uma forma de reação altamente evoluída do cérebro humano na escala animal e serve para proteger o excesso de individualismo do homem, que pode prejudicar sua integração na sociedade. Também serve para evitar que o indivíduo quebre normas estabelecidas. Todo ser humano apresenta periodicamente depressão mental, dentro de uma resposta normal do cérebro. Apenas quando ela aparece sem uma causa desencadeante ou permanece por tempo e intensidade demasiados, o indivíduo pode necessitar de ajuda. Tristeza, angústia, medo, saudade e sofrimento são formas de depressão.
   Muitas vezes, as manifestações de depressão podem ser do tipo "irritabilidade" ou através do consumo excessivo de álcool ou outras drogas. Nos Estados Unidos a depressão atinge 20 milhões de pessoas, com prejuízos anuais de 43,7 bilhões de dólares, contabilizando falta ao trabalho, queda de produtividade, gastos com salários, tratamento médico e despesas com casos de suicídio. Estima-se que 10 milhões de brasileiros são atormentados pela doença. Uma entre cada quatro pessoas adultas apresenta diversos episódios depressivos durante a vida. A pessoa sofre de um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida levando a uma fadiga aumentada e atividade diminuída. Retardo motor, sonolência permanente e idéias suicidas refletem casos graves, embora alguns pacientes possam apresentar ansiedade e agitação. O relato de episódios anteriores de depressão reforça o diagnostico. A depressão maior é duas vezes mais comum em mulheres, na faixa dos 35 aos 45 anos, com prevalência de até 3 % em homens e 9 % em mulheres, sendo a duração de um episodio sem tratamento geralmente de um ano.
   O alcoolismo é uma complicação freqüente. A distimia aparece como um distúrbio depressivo caracterizado por um estado de ânimo constantemente pessimista e sombrio. A pessoa considera o sentimento de infelicidade, uma parte integrante de sua personalidade. Remédios antidepressivos podem fazer desaparecer completamente estes problemas. O quadro da distimia é diagnosticado em todo o paciente que apresenta no mínimo dois anos (um ano nas crianças e adolescentes) uma depressão do humor na maior parte do dia (indivíduo comumente triste ou deprimido), juntamente com no mínimo dois dos seguintes achados :
 1) pouco apetite ou bulimia, 2) insônia ou hipersonia, 3) fadiga ou falta de energia, 4) auto-estima baixa, 5) dificuldade de concentração e de tomar decisões, 6) pessimismo. O paciente nunca fica mais de dois meses sem os sintomas e não há evidências claras de um episódio importante de depressão durante os primeiros anos do distúrbio. É importante, num desses casos, que pessoas de extrema confiança, como um orientador religioso, por exemplo, sejam notificados, para que, devidas providencias, sejam tomadas.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Se é amor, tenta, insiste, reinventa!

​     E eu aposto que você conhece alguém que com seus vinte e poucos anos já teve 10, 15, 20 namoros subsequentes. Confesso que fico me perguntando como é possível mudar o disco tão depressa, limpar a casa, arrumar as gavetas e organizar os sentimentos. Nesse vai-e-vem de relações, o amor-próprio vai se perdendo e, quem sabe, a pessoa que iria te fazer feliz entrou, passou e você nem percebeu. E, é sobre essa falta de ‘insistência’ que quero falar.
    Duas vidas, duas vontades, duas histórias distintas: não é simples sincronizar tudo isso e muitos desistem no caminho. Não acredito no amor redondo, perfeito, feito sob medida, mas acredito que se é amor, amor mesmo, vale a pena tentar, “retentar”, repensar e  insistir.
    E é sobre isso que Danielle Daian também discorre. Assim como ela, concordo que, se ainda há uma fagulha, vale o esforço para fazer a chama brilhar novamente. Vamos à leitura?
  “Sou de uma geração em que as pessoas consertam as coisas ao invés de simplesmente jogar fora.”
  Disse ele parado ali, completamente estarrecido pela brisa fria da porta enquanto ela se preparava para fechar definitivamente os trincos e deixar um capítulo inteiro da sua vida para trás. Os olhos marejados de angústia e abandono não sabiam mentir o passado de brigas, mágoas e tormentas. É que às vezes a gente machuca o outro mesmo sem saber, assim, nas pequenas indelicadezas do cotidiano. Quando se vê, a embarcação já está avariada demais para continuar a travessia. Os pedaços se desconstroem ali mesmo, numa imensidão de sentimentos, palavras e reticências. E como é fácil abandonar os destroços daquilo que um dia fez viagens tão extraordinárias. O desamparo hoje vive lado a lado com a solidão. Em uma sociedade carente de cuidados, os relacionamentos muitas vezes são tratados como objeto descartável e jogados no lixo com a mesma facilidade com que se despreza uma folha de papel rabiscada.
   Manter uma dança a dois é quase tão difícil quanto encontrar alguém para subir ao palco. Se tudo fossem flores se chamaria jardim e não relacionamento. Confesso achar extremamente complicado essa história de colocar alguém com uma trajetória de vida, criação e valores completamente diferentes dos nossos dentro das páginas do nosso livro. A gente veio por um caminho e o outro por uma trilha completamente diferente, sendo assim, é mais do que esperado que ambos se comportem de formas distintas frente a possíveis contratempos. Pela falta de tato em compreender as andanças do outro, surgem as brigas e discussões que instigam um dos dois a abandonar o navio mais cedo. É tão comum a gente jogar tudo para o alto por tão pouco. Tanto sentimento bonito que demorou deliciosos parágrafos para ser construído. Uma divergência de opiniões, um desacordo momentâneo, verde ou rosa, calabresa ou quatro queijos, Paris ou São Paulo, direita ou esquerda, norte ou sul, passado ou futuro.    Tudo, dos mínimos aos maiores percalços, quando a relação não está bem consolidada, parece ser motivo de renúncia. É muito mais fácil terminar uma parceria que não está dando certo do que simplesmente tentar acertar os pontos de discordância para que o “tique-taque” do relógio seja encantadoramente o mesmo. No mundo da facilidade, quando algo se quebra, na medida do possível, se troca por outro. Premissa que infelizmente desancora muitos romances por aí.
   De fato, à primeira vista, pode parecer muito mais fácil ficar à deriva. Afinal de contas o mar está abarrotado de peixes. Mas se a cada turbulência for necessário recomeçar o fluxo de novo e de novo e de novo, a terra nunca será vista. Imagine os grandes navegadores voltando ao porto na primeira turbulência. Embarcar no caminho do outro também faz parte de uma viagem duradoura. Descompassos sempre existirão aqui, ali ou acolá. O que importa mesmo é o quanto de você está de fato entregue nesta parceria, e só. Caso contrário, é apenas um círculo vicioso de troca de protagonistas. Não existem relacionamentos, pessoas ou momentos perfeitos. O que existem são pessoas realmente dispostas a velejar não importa as condições do tempo. O amor é um vento poderoso. Quando a gente deixa, quando o coração tá cheinho de permissividade ele consegue ser brisa, ventania e furacão na proporção certa, só direcionar as velas que o amor faz o resto.
  Relacionamento exige muito mais que disposição, demanda constância e perseverança. Uma vez que os rumos da embarcação são estabelecidos, na maioria das vezes uma boa conversa e respirar (bem fundo) são capazes de fazer milagres. Não é porque sua xícara preferida lascou que ela perdeu todo o simbolismo afetivo ou o aroma doce do café da sua mãe. Vai dizer que a comida da vovó na panela que mal se aguenta no fogão não é muito melhor do que muita massa de restaurante requintado?!
   Se não tem jeito mesmo, pule da prancha e continue a nadar. Mas se ainda resta um pontinho que seja de vontade e bem querer, reparar as arestas, por mais complexo que possa parecer, pode ser muito mais prazeroso e recompensador do que começar o jogo do amor do zero. Um brinde aos recomeços e outro tintilar de taças ainda maior para as permanências.
   Saiu pela porta porque o livre arbítrio a permitia. Voltou, porque sabia que alguém a esperava pacientemente segurando as chaves deixadas impetuosamente para trás.
- Trouxe a cola – disse ela. E um coração novinho em folha também.”
Amor, luz e consciência. Sempre.

Cíntia Michepud

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Meios para encontrar a harmonia interior




O equilíbrio ecológico é apenas a fraternidade, a harmonia, e a relação de causa e efeito unindo as diferentes formas de vida nos vários reinos da natureza. Mas sou humano, tenho muito por aprender, e é correto que me pergunte:
“Será possível viver de fato a fraternidade no dia-a-dia da sociedade que me rodeia hoje? Como posso viver uma ecologia interior, harmonizando-me com a vida humana em geral, aqui e agora, por meu próprio mérito e esforço e sem impor condições prévias aos outros?
Algumas idéias básicas podem ser úteis na tentativa de viver a ecologia da mente e de ser igualmente fraterno para com todos.

1 ) Em primeiro lugar o erro alheio não deve fazer com que eu me sinta autorizado, nem remotamente, a errar da minha parte. Perceber um erro não justifica outro. A verdadeira auto-estima não surge da comparação em que se atribui desvantagem aos outros. A satisfação com o erro alheio é muitas vezes uma fuga de nossas próprias frustrações, e deve ser vencida pela observação atenta do mecanismo da inveja e da competição.

2 ) O erro alheio não deve causar excessiva indignação. Pode-se combater o erro alheio, especialmente quando ele tem conseqüências negativas sobre os  inocentes. Mas a indignação excessiva nos cega e tira a serenidade. É preciso combater o erro, não a pessoa que errou. E a indignação exagerada diante do erro pode ser um disfarce da inveja. Perde-se muita energia com indignação emocional diante dos erros alheios. Em alguns casos, estes erros são inclusive imaginários, no todo ou em parte. O excesso de indignação é uma energia que seria melhor empregada no nosso próprio auto-aperfeiçoamento. Esta última tarefa é algo que ninguém pode fazer por nós.

3 ) Saber ouvir a crítica aos nossos próprios erros. Ouvir os outros, em geral,  já é difícil. Ouvir uma crítica a nós é mais difícil ainda. Inconscientemente, gostamos de supor que somos infalíveis. É preciso ouvir de fato as críticas dirigidas a nós. São verdadeiras? Então é preciso coragem para mudar. São falsas? Depois de um exame honesto, neste caso, devemos deixar que a crítica injusta entre por um ouvido e saia pelo outro.

4 ) Não devo enxergar erros alheios onde eles não existem. Muitos erros alheios são miragem e alucinação. É cômodo transferir para fora pontos fracos nossos, ou exagerar as falhas dos outros para poder chegar à conclusão de que somos perfeitos, e apenas o mundo é que (injustamente) não nos compreende

5 ) Devo fazer o bem. Não basta manter-me livre tanto do mal quanto do sentimento de raiva contra o mal. É preciso também fazer coisas boas, duráveis, equilibradas. E isto não só no aspecto pessoal, como também na dimensão familiar, social e política. Porque não há muros dividindo um setor e outro da nossa vida. Não é a crítica que elimina o mal, mas a prática firme e paciente do bem, por parte de quem procura ter o máximo de discernimento diante da vida.

6 ) Devo tornar acessível aos outros a prática do equilíbrio e da harmonia. Em casa, no trabalho, na convivência com pessoas e animais, devo colocar ao alcance de todos alguns mecanismos simples, pelos quais a fraternidade humana possa manifestar-se. Isto será eficaz na medida da simplicidade pessoal com que for feito. Deve ser algo natural. Se não estiver ocorrendo, todo o processo precisa ser repensado, porque está faltando algo importante.

7 ) Ter uma meta e um programa definidos para minha vida. A vida de uma pessoa é algo demasiado importante para perder-se em meio aos problemas e ilusões diárias, lembranças de ontem e esperanças para a semana que vem. Quais são os meus objetivos existenciais? De que forma pretendo fazer da minha vida algo realmente significativo e útil? O que desejo aprender e realizar até os 90 anos de idade? São perguntas importantes. E não é por casualidade que, quando enfrentadas, acabam conduzindo aos outros seis pontos abordados anteriormente. O sétimo ponto é, de certa forma, o primeiro.
Assim, a ecologia da mente está presente em nossos relacionamentos e vida diária, em nossos pensamentos e emoções. Antes de olharmos o ecossistema  externo, é bom olharmos para o nosso conteúdo interior. Estaremos sendo ecologicamente corretos nos campos das relações humanas?
 
Carlos Cardoso Aveline