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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

NUNCA peça desculpas por essas 15 coisas (mesmo que ache que deva)!

Pedir desculpa, não é feio, pelo contrário, quando erramos, o ato de reconhecer um erro, é nobre.

Porém, quantas vezes pedimos desculpas por algo que não éramos culpados ou errados?

Abaixo, listamos 15 itens, que você nunca deve se desculpar, nem carregar peso na consciência por isso.

1. Nunca peça desculpas por amar alguém.
São poucos capazes de amar genuinamente alguém, comemore. Não importa quem você ama, mesmo se for platônico, o fato de que você tem essa capacidade de amar, é o que importa.

2. Nunca peça desculpas por dizer não.
Auto-respeito e conhecer suas limitações são muito importantes. Se você não puder dedicar-se completamente do seu tempo para algo, você não deve sentir-se culpado por dizer não. Grandes líderes tem enorme capacidade de dizer ”não”.

3. Nunca peça desculpas por seguir um sonho.
Seguir nossos sonhos é o que nos torna vivo. Não existe idade para ir atras de seus objetivos, são os sonhos que nos moldam. Se você contentar-se com o que tem e não com o que deseja, você será um eterno infeliz.

4. Nunca peça desculpas por tirar um tempo para si.
Cuidar de si é muito importante para a vida, tirar um tempo e ser feliz, dedicando-se apenas a suas necessidades.

5. Nunca peça desculpas por escolher suas prioridades.
Nunca deixe ninguém fazer você se sentir culpado por escolher suas próprias prioridades. Sempre cuide do que realmente importa em primeiro lugar. Se é importante para você, então é importante e o assunto dispensa maiores explicações. As pessoas que realmente importam respeitarão a sua decisão.

6. Nunca peça desculpas para terminar um relacionamento tóxico.
O único arrependimento que você deve ter por terminar um relacionamento tóxico é por não ter feito isso antes. Uma relação não prazerosa impede-o de alcançar seu potencial. Abrir mão dela não é algo para sentimento de culpa e sim para alívio.

7.  Nunca peça desculpas por suas imperfeições.
É o que nos torna originais. Abrace-as e aceite.

8. Nunca peça desculpas por lutar.
Não abra mão de suas crenças, defender valores, moral e ética é sinal de determinação e liderança.

9. Nunca peça desculpas por não saber a resposta.
Todos estamos em busca constante por conhecimento, é isso que mantém nosso cérebro jovem, porém, infelizmente, nunca iremos alcançar o conhecimento pleno. E nesses momentos, em que não sabemos a resposta, devemos ser capazes de admitir, pois isso é um sinal de força e humildade

10. Nunca peça desculpas por ter grandes expectativas.
Ter grandes expectativas em alguém, não é motivo de culpa, apenas significa que você se importa o suficiente para empurra-los para frente.

11. Nunca peça desculpas por gastar dinheiro consigo mesmo.
Nunca peça desculpas por tratar-se de maneira especial. Comprar algo agradável para si melhora a auto-estima. As pessoas felizes e bem-sucedidas sabem que, se as compras forem algo saudável e não compulsivo, realizar seus próprios desejos pode ser um bom ingrediente para uma vida plena. O único cuidado é não se perder na sociedade consumista em que vivemos hoje.

12. Nunca peça desculpas pelos atos de outra pessoa.
Cada um é responsável por suas próprias ações e comportamentos. Você não precisa se desculpar por algo outro alguém fez, mesmo se você sentir que as ações de outra pessoa refletiram em cima de você através da associação.

13. Nunca peça desculpas por dançar mal.
Nunca diga que sente muito por não saber uma dança, ou por dança mal. Apenas dance! A alegria que a dança traz, vale qualquer constrangimento.

14. Nunca peça desculpas pelo atraso em sua resposta.
Nós não vivemos apenas para responder os outros, temos nossas obrigações, demora na resposta, não é sinal de não dar importância, as vezes existem outras prioridades ou emergências que devem ser cuidadas de imediato.

15. Nunca peça desculpas por dizer a verdade.
Pessoas brigam pela verdade, mas vivem constantemente na mentira, e quando o que falamos não é de seu agrado, nos acham rudes. Pessoas fortes dizem a verdade, por mais dolorosa que seja.

Reserve o “Sinto muito” para quando você realmente cometer um erro.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Exunização da Umbanda


A Umbanda sofreu uma mudança nas últimas décadas. Trouxe grande volume de informação a um ambiente onde geralmente as informações eram veladas e passadas, muitas vezes, com algumas deturpações. A Umbanda não se foca em uma só manifestação ou culto, como é o caso de várias religiões por todo o globo, como exemplo: A figura de Jesus e Maria para os Católicos, o mesmo Jesus para os evangélicos, a figura do profeta Mohammed para o Islã e etc.
Assim não temos um pilar central para determinar as diretrizes que seguem a religião de Umbanda. Possuímos várias influências.
Como uma religião agregadora – e “inclusivista” – traz referências e influência de diversas culturas e práticas religiosas de todo o planeta, mesmo que algumas já tenham desaparecido da face da terra ou ido ao esquecimento. Com essa característica acaba por trazer também algumas polêmicas, dentre elas a figura controversa de EXU.
Exu na África é um Orixá – que não é cultuado na Umbanda, apesar do que algumas vertentes promulgam – responsável pelas mensagens e comunicação dos demais Orixás com o mundo terreno – Aiye. Mas na Umbanda a sua figura foi adaptada para uma linha de trabalho, logo não temos o EXU se manifestando nas giras mas sim a linha dos EXUS.
Esses espíritos já tiveram vivências encarnados no plano material – salvo algumas exceções – que se desvirtuaram em algum aspecto da vida e que depois da recuperação e resgate nos planos inferiores, acabou por servir a Lei Maior, sendo útil em um local onde a Luz muitas vezes não consegue se aproximar. Eles através das suas experiências e vivências conseguem manipular os espíritos negativos para que os mesmos sejam auxiliados e possam dar continuidade em suas evoluções.
Todo esse preâmbulo foi dito para demonstrar algo: Tudo é Equilíbrio!
A Umbanda tem sua manifestação central nas figuras dos Caboclos, Pretos-Velhos e Crianças. As demais linhas de trabalho atuam em paralelo e em concordância com essas três manifestações da pirâmide de forças primária da Umbanda, inclusive as linhas de esquerda e dos próprios Exus.
O que ocorre é que nessa modernização ocorrida na Umbanda muito do conceito original foi perdido ou deturpado. Vemos agora muitas manifestações da linha de esquerda e em alguns casos uma total prevalência dessas linhas em detrimento das demais. O Caboclo acabou sendo calado, o Preto-Velho esquecido e a Criança abandonada, sobrando para o Exu todas as forças, atribuições e valores. Podemos notar isso na literatura romanceada umbandista, onde se encontra muitos títulos sobre os Exus e poucos sobre a vivência de caboclos, pretos-velhos ou qualquer outro espírito, independente da sua linha de ação.
Isso quando não vemos nas giras a grande necessidade das “VIRADAS”. Atendimento ocorrendo normalmente com determinada linha e de repente, tudo se vira para os Exus! Desculpem-me se estou sendo ácido nas minhas opiniões, mas onde aprendi a cultuar e praticar Umbanda, os Exus não operam desta forma. Eles se manifestam em suas atribuições primárias, tais como: Desmanche de Magias Negativas e Demandas, Aconselhamento mais direto e Desobsessões. Claro que eles fazem muito mais coisas, mas não consigo conceber um Exu eternamente alegre e feliz com tempo para fazer festa toda semana em terra. Parafraseando o sr. Exu Tiriri: “De onde venho, vejo a miséria de muitos semelhantes. Não há um momento sequer para o descanso, sequer para um sorriso  em meio a tanto sofrimento. Você acredita mesmo que viria até aqui, deixando minhas obrigações, se não fosse extremamente necessário? E ainda sorrindo o tempo todo ou apenas para jogar conversa fora enquanto outros precisam da intercessão dos meus e de mim? Exu é trabalho! E trabalho não se faz conversando…”
Então o que é essa mania de chamar Exu pra tudo? É claro que é desvirtuamento dos fundamentos e da tradição. Pois Exu na cultura popular é uma figura de poder e carisma inegável. Mas também assim o é o preto-velho e o caboclo.  Chamar Exu pra tudo é o mesmo que passar trote pra polícia, pois é a última alternativa e como sabemos, a maior parte dos nossos problemas são causados por nós mesmos, pois não trabalhamos em nossa reforma íntima. Então por que um Exu deveria vir em terra pra dizer simplesmente que precisamos repensar nossas atitudes? Qualquer guia poderá fazê-lo e alguns até com mais sabedoria e propriedade, pois atingiram (não que os Exus não tenham atingido) um grau elevado de evolução moral, intelectual e espiritual.
Vamos deixar as linhas trabalharem como foram concebidas para trabalhar. Isso de ficar tentando demonstrar poder pelo vigor e força já deveria ter sido sobrepujado. O verdadeiro poder está na elevação do pensamento e superioridade moral e não em quão “bad-boy” é a manifestação.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Exú Veludo:


É assistente imediato do Exu Tranca-Ruas.Obedece á Ogum com ligação com Xangô. Trabalha muito com Exu Meia-Noite que obedece a Xangô com ligação a Ogum.
Sua forma astral é na forma de um cavalheiro ricamente vestido, aparecendo entretanto como característica dissonante de sua personalidade.
Veste-se elegantemente de vermelho e preto, também com capa nessa cor.
Bebe todos os tipos de bebidas finas e fortes e fuma charutos de boa qualidade.
A origem do nome é bem antiga, do tempo em que as pessoas de fala mansa, calma, tranquila, eram lembradas como: "tal pessoa é um veludo no falar".
Portanto, a onomatopeia da voz desse Exu se confunde com uma qualidade de voz aveludada.
É comum a lembrança sempre da última encarnação, num espírito caído e renascido das trevas. Mas seria impossível contar esta história sem lembrar de duas últimas reencarnações... Vamos chamá-lo de Veludo, desde já, pois não fui autorizada a revelar sua verdadeira identidade. Ocupava um dos mais altos postos entre os soldados de Roma, tinha trinta anos quando presenciou a Paixão e Morte de Cristo. Pena? Quase nenhuma, tinha um ódio sem razão que crescia a cada dia do povo judeu. Não se abalou com a comoção e nem com o sofrimento do Inocente.
Durante vários anos continuou a perseguição implacável aos cristãos, matava por prazer, sentia o gosto do sangue em sua boca e isto lhe fazia chegar ao ápice da glória. Morreu aos setenta e cinco anos, sozinho e leproso. O corpo totalmente deformado, mas a mente sempre perversa. Ficou por muitos séculos, pagando em outras esferas, seus débitos aqui contraídos. Sofreu muito, se redimiu e por volta de 1900 teve a oportunidade de reencarnar na Alemanha, filho de um Oficial do Exército e de uma dona de casa. 
Veludo sempre foi muito calado e tímido, extremamente inteligente, tinha uma paixão por armas de fogo, confeccionava-as com pedaços de madeira, galhos de árvores e depois com pedaços retorcidos de metal. Passava horas admirando as antigas armas do pai. Assim que pode se alistou no Exército, era apaixonado por isto. Se tornou um dos mais fiéis e dedicados membros da Corporação. Seu comportamento agressivo foi se aflorando. Matava animais com muita vontade, seus olhos brilhavam de prazer. Estoura a II Guerra Mundial. Veludo, agraciado por seu comportamento exemplar torna-se o homem de confiança de Adolf Hitler. 
Estava casado há quatro anos e tinha três filhos. A partir deste momento, a violência e a revolta contra os judeus explodiram na mente do soldado. Cometeu todas as espécies de barbárie.. Praticava tiro ao alvo da janela de seu quarto com crianças e mulheres judias presas nos campos de concentração. Estourava miolos de pais na presença de filhos, mulheres na presença de maridos e sentia o prazer de matar crescer a cada dia. Vibrava com cada vítima que chorava, esperneava e implorava pela vida. Até que entre as mulheres que iriam para a câmara de gás, um par de olhos muito azuis, chamaram sua atenção. 
Era uma judia russa que estava prestes a morrer. Sem conseguir explicar o porque, Veludo se apaixonou. E se odiou por isto, amava e odiava com a mesma intensidade. Ele simplesmente não conseguia ser bom. Separou a moça nua das outras e levou-a para seus aposentos. O amor era violento, selvagem, misturava-se com o ódio que sentia por aquela mulher ser judia. Por dez dias, alegando estar adoentado, recolheu-se com a moça judia. Quanto mais a amava, mais seu ódio crescia. 
Seviciou, abusou, e fez com que a moça sofresse toda a sorte de humilhações, até que a matou. Corroia-se de amor, de ódio e de remorso. Ficou mais violento mais amargo e mais cruel. Com o fim da II Guerra os militares alemães foram perseguidos e capturados. Veludo conseguiu fugir, pediu ajuda a sua esposa que o escondeu em uma velha casa da família. Informada das atrocidades praticadas pelo marido e da traição, cega de ciúme entregou-o aos soldados inimigos. Juntamente com outros oficiais alemães, foi colocado em um paredão e recebeu vários tiros, depois foi jogado em uma vala muito funda, porém não morreu imediatamente, ficou muitos dias, coberto com os outros mortos, se asfixiando aos poucos, quanto mais força fazia para respirar, mais sentia a podridão humana, o sangue fétido e o cheiro de morte. 
Morreu. A sensação que tinha era que se afogava no lodo, que cheirava forte, e quase o impedia de respirar. Bem...Este sofrimento na esfera mais negra da existência vamos deixar para uma outra parte da história. Passado mais de quarenta anos, Veludo foi resgatado de seu sofrimento por Sr. Ogum Rompe Mato.
Tem muitos conhecimentos sobre feitiços que se fazem utilizando panos,tigelas, agulhas, pembas e outros ingredientes.
Abre os caminhos e limpa trabalhos negativos feitos nos cemitérios.
Gosta de um bom whisky e grossos charutos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Todos são Médiuns ou Não?


A grande falácia que é propagada sem resguardos no meio espiritualista é: “Todos são médiuns.”.

Apesar do codificador do Espiritismo afirmar isso em suas obras básicas, não é bem assim que funciona. A questão não é que os Espíritos estavam errados quando deram essa afirmativa, mas sim que os espíritas e espiritualistas a entendem de forma incorreta.

Primeiramente precisamos entender o que significa a palavra Médium. Este é um termo utilizado por Allan Kardec para descrever o meio de manifestação, logo médium, é o intermediário entre o mundo dos Espíritos e o mundo material. Porém, a questão se complica ao assumir a afirmativa sem ressalvas, ser médium todos realmente somos, mas não da forma como muitos entendem a mediunidade.

A mediunidade pode ser dividida em várias faculdades diferentes sendo as mais conhecidas de psicografia, incorporação, intuitiva, auditiva e a vidência. Mas podemos ainda subdividir em muito mais. Quando dizemos que todos são médiuns, queremos dizer que todos são pontes que podem transmitir mensagens vinda do mundo espiritual para os encarnados, mas geralmente isso vêm em forma de intuição, inspiração, etc.

A maioria acredita que ao se considerar médium logo estará incorporando espíritos, falando por eles, servindo de transporte, fazendo viagem astral, vendo o mundo espiritual e seus habitantes, ouvindo espíritos por todo lado e até mesmo escrevendo romances ditados mediunicamente ou psicografados por desencarnados.

Realmente, somos inspirados a todo momento através dos mentores espirituais, muitas vezes sugestionados, guiados e até mesmo obsedados. Porém nem todos se tornam médiuns Ostensivos ou de Trabalho, um termo que eu utilizo para designar médiuns com faculdades mediúnicas ativas.

Isso não diminui em nada a qualidade do ser. Na verdade, a mediunidade não é apenas um dom para dotados. Já ouvi de alguns guias que os médiuns de trabalho geralmente pedem para vir com essas faculdades para dar uma acelerada na evolução deste, já que ele carrega algumas pendências a mais. Seja verdade ou não, nos faz tirar um pouco esse glamour todo que é colocado em cima dos medianeiros.

O trabalho mediúnico pede uma constante reflexão sobre si mesmo, sobre suas paixões, sobre seu meio de vida e o que está fazendo nessa existência. Pede também comprometimento com os dias de gira e sessão de trabalho, ater-se as regras e preparações pro trabalho mediúnico e acima de tudo ter a ciência de que somos seres falhos.

Não é necessário ter uma mediunidade ostensiva para ser um trabalhador espiritual, existem muitas funções para todos dentro dos terreiros e casas espíritas. Os Cambones, Assistentes, Passistas e outros, são muito necessários na assistência aos médiuns incorporados e as entidades, auxiliando-o naquilo que eles pedem, anotando as mirongas passadas, trazendo o consulente até ao guia, mantendo a fiscalização em cima dos procedimentos gerais da casa e se o médium está o seguindo, de ajudar na organização do ponto de trabalho, etc. Também temos os Ogãs e a Curimba, os porteiros e diversas outras funções. Mas seja cavalo, cambone ou ogã todos precisam possuir uma qualidade maior que a mediunidade, o Amor pelo que se está fazendo.

Foque-se no trabalho espiritualista e evangelizador que é a pregado através das palavras dos Espíritos. Não se preocupe se você vai ou não ter contato com as entidades extra-corpóreas ou se será um médium de incorporação. Ao invés de perder tempo da sua vida – extremamente preciosa – tentando manisfestar e desenvolver algo que não possui, pois parece que é mais elitizado, procure desenvolver os dons e faculdades que foram conferidos a ti. Se eles existem em seu aparelhamento mediúnico é por algum motivo, tente utilizá-lo da melhor forma.

Há uma grande promoção de super-médiuns nos dias de hoje. Grande missionários que não cumprimentam sequer o porteiro e tem em seu discurso um tom carregado de preconceito. Para viver a espiritualidade é necessário vivenciar os ensinamentos deixados também. Nada adianta se dizer médium de Jesus, sendo que nem sequer você consegue perdoar as falhas dos irmãos. Somos seres em desenvolvimento ainda, assim como nossa mediunidade.

Não acredite em locais que querem te colocar para girar ou manifestar a mediunidade de forma rápida e sem esforço. São enganações que você está sendo levado a crer. Se desprenda dessa vaidade e saiba que mediunidade e trabalho mediúnico são sim exigentes. Precisam de dedicação, de esforço e estudo.

Somos todos médiuns? No sentido literal da palavra: Meio e intermediário, sim! No sentido que se colocou como porta-voz dos espíritos: NÃO! E isso não invalida ou diminui em nada sua missão na terra e junto aos Espíritos-guias.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Contos de Terreiro – Nem tudo queima


A noite estava perfeita para a gira da esquerda, onde os Exus e Pombagiras iriam se manifestar. Como era de costume naquele terreiro, essas sessões eram fechadas, apenas para os trabalhadores e convidados. Os preparativos estão todos prontos. A toalha vermelha está estendida diante do Congá, as flores estão colocadas em seus devidos lugares, os charutos, cigarrilhas, perfumes e o padê – farinha com dendê – estão disponíveis para as entidades que viriam a se manifestar.

Há uma prece inicial, evocando as forças do Criador e das divindades que lhe auxiliam, seguido de cânticos saudando os Exus e Pombagiras.

“Seu Tranca-Ruas me cobre com sua capa,

A sua Capa é um manto de caridade,

sua capa cobre tudo, só não cobre a falsidade.”

Enquanto todos se harmonizam em um só coro, os atabaques continuam a retumbar. A dirigente do terreiro pede então para que todos comecem a assobiar, enquanto a curimba continua a chamar o “povo da tronqueira”.

“De vermelho e preto vestindo,

a noite um mistério traz.

De colar de conchas,

De brincos dourados

a promessa faz.”

Então começa-se a ouvir gostosas gargalhadas, graves e agudas, os médiuns se curvando e suas mãos tomando a forma de garras. As médiuns, com um sorriso faceiro no rosto se pões a dançar. Todos se cumprimentam e se põem a trabalhar:

“Boa noite para quem é de boa noite!”

Um dos Exus a se manifestar, chama um cambone, pega seu charuto de uma marca cubana, olha pra ele e diz:

– Mas esse burro não entende nada de fumaça mesmo! Onde tá o cortador de charuto?

O cambone procura em tudo, mas o Exu impaciente diz:

– Deixe, ele não tem. Não sabia sequer que precisava de um pra cortar esse charuto! Deixe comigo!

Então morde uma das extremidades do charuto, tirando um naco de folhas secas de tabaco, criando assim seu próprio corte. Tão preciso quanto feito com um cortador.

O cambone se aproxima com três nomes escritos em papel, cada um em um pedaço separado. Entrega nas mãos do exu e lhe informa:

– Pai, salve suas forças! Esses nomes foram pedidos para serem entregues pro senhor. Disseram que estão cheio de macumba e com a vida empacada. Que fizeram demandas contra eles.

O Exu, olha de canto de olho, com uma cara de poucos amigos e pega um pequeno recipiente feito de latão. Pede o fumo picado, que se usa pra charuto. Enche a vasilha de latão com fumo, pega um pouco de álcool misturado com arruda, guiné e alecrim e despeja por sobre o fumo. Então um a um ele vai pegando os nomes e olhando. Enrola os mesmos como pavios e o enfia dentro do fumo com uma parte para fora. Quando pega o terceiro nome diz:

– Esse aqui disse que tem demanda contra ele? Tem não! Mas vou colocar aqui de qualquer jeito e tu vai ver com os olhos que tem que nada tem contra ele! – Disse ao cambone.

Enrola como os demais e coloca no meio do fumo. Embebedando os papéis um pouco mais com o preparo de álcool e ervas.

Então taca fogo e acende uma bela pira!

O exu pega no ombro do consulente e vai correr a gira dele. Passa por alguns cumprimentando, a outros ignorando, mas a todos dando seu axé do seu jeito.

Passado um tempo ele pede para o cambone ir até o fogo que já havia se extinguido. O Cambone olha atônito e percebe que um dos papéis – apesar de estar junto, embebido de álcool e ter sido beijado pelo fogo – estava intacto. O exu olha com um sorriso no canto do lábio e diz:

– Abra e leia o nome!

Então o cambone ao abrir se choca mais ainda, pois era o nome exato da pessoa que nada tinha contra ela, que o mesmo – exu – havia dito.

– Quando não há, não há! E a prova tá aí pra quem quiser ver. Isso é magia, isso é Quimbanda, isso é Umbanda! – diz o Exu, finalizando com uma gargalhada que pode ser ouvida até hoje ao fechar os olhos e relembrar a cena.

Laroyê Exu! Exu Omodjubá!

“Deu meia noite em ponto e o galo já cantou

Deu meia noite em ponto e o galo já cantou

Cantou pra anunciar que seu Tiriri Chegou,

Cantou pra anunciar que seu Tiriri Chegou.”

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Mediunidade e tudo que ela envolve


Mediunidade não é uma palavra bem-vinda em qualquer ambiente. Muitas pessoas têm medo, outras têm preconceito, algumas acreditam no tabu que se criou ao redor dela, outras não sabem por onde começar, ou sofrem por não saberem lidar com a própria mediunidade.

Mesmo que haja opiniões, crenças, visões e abordagens muito distintas sobre a mediunidade, ela é algo natural a todos os seres humanos. Sim, mesmo que você não tenha consciência da sua mediunidade, ela está aí com você. Pode estar dormente, quietinha, desequilibrada (e você nem saber disso até ler este artigo), bloqueada, em desenvolvimento...

Há muitas pessoas sofrendo hoje em dia, seja por causa de ansiedade, estresse, depressão, doenças físicas, emocionais, mentais. Todas as pessoas poderiam melhorar suas vidas por meio da mediunidade, mas não sabem disso. Temendo que algo muito ruim lhes aconteça, as pessoas não procuram entender ou saber a respeito. A mediunidade impressiona as pessoas.

Algumas religiões ortodoxas e conservadoras/tradicionais veem esse tema como algo negativo, um tabu, uma distorção espiritual. Mas ele está presente nas escrituras e na própria prática espiritual, seja ela qual for. Se tomarmos como exemplo algumas passagens da Bíblia, podemos identificar facilmente a presença da mediunidade na vida de Jesus e na de seus seguidores e apóstolos.

Veja só pelo exemplo de como a Bíblia foi escrita: por “inspiração” divina, ou seja, os escritores dos evangelhos do Novo Testamento, como João, Mateus, Lucas, Marcos (Maria Madalena e outros que escreveram os evangelhos considerados apócrifos pelos cristãos), eram médiuns. Além de terem escrito sobre a vida de Jesus e seus ensinamentos, eles recebiam mensagens de seres divinos que foram registradas na Bíblia.

No Antigo Testamento, há muitos profetas, como Daniel, Ezequiel, Isaías, Moisés... Todos recebiam mensagens por meio de sonhos, por uma voz que vinha da montanha, a voz do Senhor, pela aparição de um anjo... Isso só para ficar no contexto do Cristianismo.

Apesar de o estudo e a prática da mediunidade estarem muito ligados à religião, a mediunidade por si só não tem nada a ver com isso, mas com a nossa origem e nossa função na Terra. Por esse motivo, não há necessidade de estudá-la apenas se professarmos ou fizermos parte de um grupo religioso.

Cada religião surgiu para interpretar as leis naturais e dar um norte para as pessoas. Mas estamos em uma época em que podemos nos nortear a partir da nossa intuição e do nosso coração, desde que nossas intenções e nossa conduta estejam direcionadas para a nossa evolução e o bem de todos. Essa é a espiritualidade livre.

Nosso intuito aqui é o de olhar e trazer informações sobre a mediunidade de um ponto de vista universalista. Amamos e respeitamos todas as religiões, e seguimos o melhor de cada uma delas para a nossa evolução espiritual.

O que é mediunidade
Mediunidade é uma sensibilidade ao extrafísico, ou seja, é por meio dela que se percebe a realidade extrafísica, aquilo que nem sempre os olhos veem. Ela também é a sensibilidade a tudo o que está ao nosso redor, sejam pessoas, família, filhos, amigos, trabalho, plantas, animais etc.

A mediunidade é como um músculo que devemos desenvolver; é como respirar, andar, uma capacidade inerente ao ser humano. É o sexto sentido. Querendo e acreditando ou não, a mediunidade existe, e todos nós temos esta faculdade da alma. A mediunidade de cada um é intransferível.

Como já dissemos no inicio do artigo, há seguidores de religiões ortodoxas, tradicionais, que costumam ver a mediunidade com maus olhos. No entanto, é possível fazer da mediunidade um canal de ações positivas e bênçãos no mundo.

No Brasil, basicamente, o estudo da mediunidade foi desenvolvido, estruturado, organizado pelo Espiritismo, e essa doutrina sempre teve de conviver com olhares tortos, ceticismo e desconfiança de boa parte da sociedade e das religiões eu já mencionamos. É por isso que ainda existe medo.

Médium
Mediunidade é um termo utilizado pelos espíritas e codificado por Allan Kardec. E médium é uma palavra de origem grega, que quer dizer intermediário. Isso significa que a pessoa que se dispõe a desenvolver e trabalhar sua mediunidade se torna um canal, um porta-voz, trazendo para o mundo físico as mensagens que recebe do mundo extrafísico.

Os médiuns estão em todos os lugares, não são só aqueles frequentam centros espíritas ou seguem a doutrina espírita. Há médiuns em todas as religiões e grupos espirituais, ou seja, a sua presença ultrapassa os limites das crenças humanas.

Ser médium é apenas uma consequência da nossa condição humana, e isso não é bom, nem ruim. Todos nós somos médiuns, e vemos por aí pessoas escolhendo fazer o bem ou fazer o mal. Portanto, o que torna a mediunidade boa ou ruim são as nossas ações. Por meio do livre-arbítrio, nos tornamos médiuns da luz ou da sombra. Somos influenciados mediúnica e energeticamente para fazermos o bem ou o mal no dia a dia, durante toda a nossa vida.

Essas influências vão depender do padrão e da qualidade de nossos pensamentos, emoções e sentimentos, que direcionam nossas ações. Todos nós somos feitos de energia e estamos em constante interação com outras energias, vibrações que nos fazem bem ou mal. Leia os artigos sobre chakras e aura para entender melhor esse assunto.

O que distingue um médium das sombras de um médium da luz?
Um médium de sombras está inspirado por forças e energias negativas, densas. Isso acontece porque o médium não está dando atenção para a sua mediunidade e para o cuidado com a sua energia pessoal; suas emoções, pensamentos e sentimentos não estão saudáveis e equilibrados, não há uma elevação nem uma prática espiritual; se há, é inconstante; pode ser que o médium não a leve sério e só se importe com ela em momentos de necessidade maior. Dessa forma, a pessoa torna-se uma presa fácil para obsessores e energias inferiores.

Quando o médium serve à luz, é sinal de que está conectado com o Bem Maior, com Deus, com seres de luz, com o Amor. A pessoa tem vontades elevadas, o desejo de servir, colaborar com outras pessoas, evoluir, crescer espiritualmente e cuidar de si mesmo (das suas emoções, sentimentos e pensamentos).

Esse comportamento é influenciado por mestres espirituais, mentores, santos, anjos e guias que lhe transmitem elevadas vibrações e inspirações para melhorar a sua vida e de outras pessoas, melhorar o mundo.

Certamente conhecemos pessoas que se encaixam nas duas descrições. E o desejo de muitos de nós é nos tornarmos médiuns alinhados com o amor e o bem. No entanto, até que vençamos o medo e deixemos de lado as crenças populares, os tabus e os preconceitos, percorremos um caminho em direção ao nosso desenvolvimento. E, ao longo desse caminho, podemos ter de lidar com o desequilíbrio de nossa mediunidade.

Sintomas da mediunidade desequilibrada
A mediunidade desequilibrada é como um carro desgovernado. Para um médium que ainda não começou a desenvolvê-la, pode ser muito desconfortável todos os sintomas abaixo:

   - Mal-estar em ambientes com muitas pessoas;

   - Mal-estar próximo a pessoas específicas;

   - Transtorno de humor e bipolaridade constante;

   - Forte vazio no peito, sentimento de angústia, de não ser compreendido pelas outras pessoas, de que as coisas não estão certas, de que está fora dos trilhos;

   - Agitação, hiperatividade e animosidade;

   - Raiva, estresse e chateação desproporcional;

   - Antipatias injustificáveis;

   - Transtornos de ansiedade;

   - Pensamentos autodestrutivos, inferiores ou fixos;

   - Bloqueio mental e criativo;

   - Desmaio sem causa aparente;

   - Insônia;

   - Fobias emocionais;

   - Inquietação sem motivo e falta de saciedade emocional;

   - Perturbações espirituais;

   - Sentimentos fortes de menos-valia e baixa autoestima;

   - Dores, crises, conflitos, vícios e hábitos nocivos;

   - Desequilíbrio mental, hipersexualidade, distúrbios alimentares (muita fome ou pouca fome), irritação, fobia social.

O mais importante é compreender que, a partir da aceitação e da construção de um bom relacionamento com a própria mediunidade, é possível minimizar e até eliminar muitos desses sintomas. Um bom começo é passar a observar os sintomas e as sensações para ter indícios de qual tipo de mediunidade você manifesta.

Tipos de mediunidade

Antes de falar dos tipos de mediunidade em si, vamos ver alguns aspectos que se confundem com os tipos, mas que são importantes de serem entendidos e estudados para o bom desenvolvimento do médium:

A boa e a ruim:

Conforme falamos antes, não há mediunidade boa ou ruim. Esses aspectos dependem mais da conduta moral e do estilo de vida do médium do que da mediunidade em si, que sempre é neutra.

A desenvolvida e a escondida (ou a consciente e a inconsciente – a ostensiva e a oculta):

Algumas pessoas nascem com um nível de mediunidade que permite ser facilmente identificada logo na infância. Por outro lado, há pessoas que apenas ao longo da vida vão perceber sua mediunidade, seja pelos sintomas de desequilíbrio ou por situações em que ela se revela. Seja qual for a época em que ela se manifestar, trata-se de uma mediunidade que se caracteriza por fenômenos marcantes, sendo também chamada de mediunidade ostensiva.

Dessa forma, há duas formas de tomar consciência da própria mediunidade: pelo estímulo da família, do ambiente e dos grupos em que a pessoa está inserida, tornando-a consciente desde cedo ou ao longo do tempo; e pelas circunstâncias e situações as quais a pessoa vivencia, trazendo a mediunidade, antes inconsciente, à tona.

A mediunidade inconsciente pode ser sutil e se manifestar esporadicamente, e a pessoa pode, a princípio, ficar sem entender o que acontece com ela. Ao contrário de uma mediunidade ostensiva, essas manifestações mais “fracas” são características de uma mediunidade oculta.

As pessoas podem ser orientadas desde pequenas a desenvolverem a sua mediunidade. Quando estão mais crescidas, essas pessoas já têm muito mais consciência dos fenômenos e das influências extrafísicas, e passam a ter a capacidade de se protegerem de interferências nocivas e de trabalharem como canais de auxílio divino, ajudando outras pessoas e se ajudando. Essas são pessoas com a mediunidade desenvolvida e equilibrada.

A desequilibrada e a bloqueada:

Uma pessoa com a mediunidade desenvolvida e que, por algum motivo, desanima ou deixa de ter disciplina e compromisso com sua evolução, tem grande chance de sofrer com os sintomas de desequilíbrio depois de algum tempo.

Esses mesmos sintomas também afetam as pessoas que nem sequer sabem que possuem mediunidade e tampouco acreditam nela, ou até as pessoas que têm consciência de que sentem “coisas diferentes”, mas, por medo, preferem sofrer com as consequências do não desenvolvimento, buscando ajuda em locais e em maneiras que não pode lhes ajudar completamente.

Mediunidade Bloqueada
Infelizmente, muitas pessoas recorrem ao uso de medicamentos alopáticos, por exemplo. Qualquer remédio alopático só atua no nível físico, mas não consegue ajudar a amenizar os efeitos energéticos de uma mediunidade mal trabalhada.

A mediunidade, quando é bloqueada ou está inconsciente, pode causar doenças como sonambulismo, depressão e compulsões de todo tipo. O tratamento delas deve ultrapassar os limites de tratamentos médicos convencionais, trazendo para a pessoa uma nova abordagem e um novo olhar sobre si mesma. A mediunidade pede para que olhemos para nós com comprometimento, que nos engajemos com a própria evolução.

As diversas manifestações da mediunidade
Os tipos de mediunidade estudados até hoje estão registrados n’O Livro dos Médiuns, canalizado por Allan Kardec. Eles foram catalogados e divididos de acordo com os sentidos do nosso corpo. Ou seja, o desenvolvimento da mediunidade depende do desenvolvimento dos nossos sentidos.

Em outras palavras, ainda, cada tipo de mediunidade se caracteriza pela sensibilidade aflorada por canais diferentes e pelo efeito que produzem. Há duas categorias de acordo com o efeito: os efeitos intelectuais e os físicos.

Os efeitos intelectuais são aqueles que atuam diretamente sobre o intelecto do médium ou são percebidos pelo cérebro por meio das sensações. Os efeitos são sentidos pelo médium apenas.

Já os efeitos físicos atuam no ambiente ou nas coisas materiais, e são percebidos por qualquer pessoa presente no ambiente. Podem ocorrer fenômenos como movimento de objetos, pancadas, sons, materializações, odores, luzes, transfigurações, curas.

Abaixo, veremos alguns tipos de manifestação mediúnica.

De um ponto de vista mais livre, a mediunidade de cada pessoa tem a ver com a sua personalidade e com a sua missão, com o seu propósito de vida. Está relacionada às necessidades e aos aprendizados de cada um, a algo que está mais desenvolvido em si mesmo. A mediunidade se liga a:

   1. Necessidade de evolução do seu espírito;

   2. Capacidade de desenvolvimento do seu espírito; e

   3. Potenciais latentes de cada espírito.

Vidência
Essa capacidade consiste em ver seres, espíritos, energias, cenas e ambientes do mundo extrafísico. É uma visão que vem do espírito do médium e não do seu corpo físico. Há um grande número de videntes que são pessoas cegas no mundo material, pois a visão física não interfere nessa habilidade. Também já se sabe que os cegos não se encontram num mundo em plena escuridão.

Há divergência entre algumas correntes de pensamento que estudam a mediunidade. A descrição acima consta no Livro dos Médiuns, mas há outras escolas que entendem a vidência como a visão física.


A clarividência
Normalmente, no senso comum, a clarividência é entendida como o que descrevemos acima sobre vidência. Na verdade, a clarividência ela é uma capacidade anímica, parapsíquica, ou seja, não se origina do espírito do médium, mas de sua alma.

Como habilidade, ela permite enxergar coisas, ambientes e pessoas do mundo material, mas que estão distantes. Também permite ver pessoas, cenas, ambientes através de objetos opacos. Novamente, é uma faculdade que independe da visão física. O seu desenvolvimento depende da atividade do chakra frontal, e não da mediunidade em si.

Mediunidade de Efeitos Físicos
Os médiuns de efeito físico, a partir da produção de ectoplasma, são canais de seres e energias que causam fenômenos materiais como movimentos (transporte, deslocamento), suspensão no ar (levitação), ruídos, giros, pancadas em objetos, escrita e sons.

Como dissemos antes, os efeitos físicos são percebidos por qualquer pessoa presente no ambiente. Podem ocorrer também fenômenos como produção de odores, luzes, transfigurações, curas.

O médium de efeito físico tem a capacidade de produzir ectoplasma por alguns processos do seu organismo físico, que veremos logo abaixo. A partir dessa substância, os seres e as entidades podem se manifestar. Na mediunidade de materialização, os seres utilizam ectoplasma cedido pelo médium para materializar a si mesmos ou objetos e outros elementos que estejam presentes na aura das pessoas.

Ectoplasma
O ectoplasma é uma substância semimaterial gelatinosa produzida pelo fígado do médium. Ela se mantém estável no escuro e se dissolve na presença de luz. Normalmente ela sai do corpo do médium pelo nariz, boca e ouvidos.

Quando um médium de materialização não se desenvolve, o ectoplasma pouco a pouco preenche a sua aura e passa a prejudicá-lo, trazendo doenças como artrite, artrite reumatoide e outras ligadas à falta de flexibilidade do corpo físico. O desencadeamento de sintomas também é chamado de síndrome ectoplasmática.

Além disso, uma dieta alimentar em que o médium consome muito açúcar, carne, farinha branca causa desequilíbrio da produção de ectoplasma, aumentando-a consideravelmente.

Mediunidade Intuitiva
O médium intuitivo sente ou recebe intuições de seres espirituais, como guias, mestres, anjos, santos, mas não os vê e nem os ouve. As intuições se aproximam muito das inspirações, que são intuições mais sutis.

Por haver tanta sutileza na manifestação desse tipo de mediunidade, os médiuns inspirados não muito experientes podem ser alvo de entidades malfeitoras, ou até mesmo podem confundir suas próprias intuições com mensagens extrafísicas. Há uma linha muito tênue, e vamos falar mais sobre isso adiante.

Mediunidade sensitiva
Também são pessoas impressionáveis (na verdade, a impressionabilidade, em alguma medida, é característica de qualquer médium). Os sensitivos, como o nome já diz, sentem as vibrações energéticas, a presença de seres, sem vê-los ou ouvi-los, como os intuitivos. No caso dos sensitivos, pode haver uma sensação em seu corpo físico, algo vago e inexplicável pela razão.

O desenvolvimento da percepção sutil é fundamental para este médium, tanto quanto se torna para uma pessoa cega adquirir a habilidade de reconhecer a que distância se encontram objetos e pessoas ao seu redor.

Mediunidade auditiva
Pelo nome dado, o médium ouve as mensagens dos seres espirituais. Isso pode acontecer de duas formas: por telepatia (com aquela impressão de que está escutando “dentro do cérebro”), ou pelo som que é percebido pelo corpo físico do médium (o seu aparelho auditivo).

A clariaudiência
Assim como a clarividência, é uma faculdade anímica (não é mediunidade) que possibilita à pessoa ouvir, com seus ouvidos físicos, sons que estão que ocorrem fora do alcance da audição biológica.

Por meio dessa faculdade, é possível escutar a grandes distâncias ou através de obstáculos.Um médium pode ser clariaudiente ou clarividente, mas essas habilidades têm a ver com o desenvolvimento do seu espírito, e não depende da interferência ou amparo de outros seres.

Mediunidade de cura
A mediunidade de cura se dá pelo contato do médium com o enfermo ou com uma pessoa que recebe energias e fluidos curativos. Essa mediunidade também atua a distância, e é praticada por técnicas terapêuticas de cura energética como Reiki, Karuna, Seichim, Cura Prânica, Magnified Healing etc. Essas energias atuam na aura e nos chakras da pessoa tratada.

Mediunidade de incorporação
Cientificamente, é chamada de psicofonia. Passou a ser chamada de incorporação porque, quando o médium permite a atuação dos seres e espíritos, ele muda seu comportamento e seu jeito próprio, dando passagem à expressão do ser através do seu corpo físico. Isso fica evidente pelos gestos e modo de falar.

Muitos pensam que o espírito entra no corpo do médium, mas, na verdade, o que ocorre é o seguinte: por meio da aura e dos chakras do médium, o ser que se comunica acessa o sistema nervoso do médium e passa a controlar, em maior ou menor grau, algumas funções do corpo físico do médium, como a fala e os movimentos.

A incorporação pode ser consciente, semiconsciente ou inconsciente. Isso depende do grau de desenvolvimento mediúnico da pessoa, assim como do nível e da natureza da mediunidade que possui.

Psicografia
Esse tipo ficou muito conhecido pelo trabalho do médium espírita Chico Xavier. Por meio dela, os médiuns são conduzidos pelos seres espirituais a escrever e registrar a mensagem transmitida em papel; é uma forma muito importante de mediunidade, pois através dela é possível expandir ainda mais o seu estudo e o desenvolvimento pelos seres humanos.

São conhecidas três formas de psicografia: a mecânica, a semimecânica e a intuitiva. Todas elas têm a ver com o grau de controle do ser espiritual sobre o processo mediúnico.

Na mecânica, o ser espiritual toma conta do braço do médium, e a mensagem não passa pela sua consciência, ou seja, o médium não faz ideia do que está escrevendo, e escreve muito rápido; na semimecânica, o ser espiritual tem domínio parcial do braço, o médium tem conhecimento da mensagem à medida que escreve; e na intuitiva, os seres transmitem suas ideias pela intuição do médium, que serve como intérprete da mensagem, ou seja, o médium sabe da mensagem antes de escrever.

Outras mediunidades
Até agora, falamos das manifestações mais comuns. Há outras formas como a que se manifesta pela execução de músicas por meio de instrumentos musicais que se encontram no ambiente; existe mediunidade pelo pensamento, pela mobilização da energia mental do médium; outra se manifesta pelo sono, também chamada de sonambúlica; a que o médium fala e entende outras línguas sem ter estudados nenhuma delas, e pinta quadros sem nunca ter feito aulas de pintura, entre muitas outras.

Mediunidade na Umbanda
Na Umbanda, são seguidos e praticados os mesmos conceitos e condutas estudados pelo Espiritismo. Há a presença de todos os tipos de mediunidade citados e a base de estudo é a mesma. A diferença maior está no ritual e nos costumes, no uso de instrumentos musicais que conduzem o trabalho mediúnico, nas canções e nos procedimentos.

A mediunidade que as pessoas de fora da Umbanda mais conhecem é a incorporação. O médium de incorporação é carinhosamente chamado de “cavalo”, pois ele é o canal, o veículo de manifestação dos guias espirituais, orixás e entidades que fazem parte do trabalho. É necessário ter os mesmos cuidados de todo médium em desenvolvimento.

Nesse processo de entrar em contato, conhecer e desenvolver a mediunidade, também é muito importante ter conhecimento de que usamos a nossa aura e todas as suas camadas para contatar e canalizar mensagens extrafísicas. Essa interação energética abre a possibilidade de o médium usar suas capacidades e habilidades pessoais no processo. Abaixo vamos ver como lidar da melhor forma com isso.

Animismo versus Mediunidade
É quase impossível haver mediunidade sem animismo. Uma coisa é confundida com a outra, e é isso que, em grande parte das vezes, gera os tabus na sociedade.

Um bom médium é alguém que recebe forças, energias, informações, orientações, ideias de outros seres, outras energias, e consegue transformar todas essas vibrações em uma mensagem fidedigna e que não passa pela sua própria consciência.

Como saber se o processo é mediúnico ou anímico? Um processo e uma mensagem mediúnica acontecem quando não representam o que o médium pensa ou acredita. Não há qualquer interpretação ou interferência do médium. É algo transferido de uma força extrafísica para o plano físico.

Já o processo anímico consiste em captar coisas “do ar”, em intuir coisas, colocar a opinião do médium nesta captação. Na verdade, é um processo que não depende da mediunidade, mas de habilidades energéticas da pessoa que também tem a mediunidade desenvolvida.

É um processo muito delicado o de apenas canalizar uma mensagem. Apesar disso, o médium com uma conduta moral elevada se esforça e se educa ao máximo para não colocar sua opinião ao captar as mensagens de outros seres.

Se você já trabalha com sua mediunidade ou a desenvolve diariamente, há duas perguntas que podem te ajudar a reconhecer um processo anímico e um mediúnico:

- As mensagens que recebo são minhas ou eu as sinto como se fossem um conselho de alguém?  Se forem como mensagem de outra pessoa, em que você até ouve uma voz diferente da sua, é mediúnico. Se você “ouve” a própria voz, sente que vem de você, é anímico.

- Quando recebo mensagens, eu simplesmente ouço e as repito, ou coloco minha interpretação e minhas palavras? Se apenas ouve e repete, é mediúnico. Se você coloca suas próprias palavras, é anímico.

Mediunidade: capacidade de intermediar
Animismo: capacidade de ter ideias próprias, captar suas próprias ideias e dar sua opinião.
Como dissemos antes, é muito difícil um processo ser puramente mediúnico. Existe um “desvio padrão” da interferência anímica aceitável e compreensível quando canalizamos os fenômenos.

Esse desempenho e essa percepção mais sutil se aprimoram com a prática e o desenvolvimento da mediunidade. Faz parte desse desenvolvimento os questionamentos e a racionalização da fé e da prática. Quando encontramos respostas, também encontramos sentido para o que fazemos. Assim conseguimos acompanhar as experiências, entender o que se passa com a gente, e seguir adiante no processo e aprendendo a distinguir cada fenômeno.

Desenvolver a mediunidade e seus desafios
A mediunidade é desenvolvida como qualquer outra habilidade humana e pode ser desenvolvida sem excessos, sem rigidez, sem medo excessivo – aquele que nos paralisa, e não aquele que nos traz cautela. Não é necessário estar vinculado a uma religião para isso. Requer apenas prática e comprometimento.

Por causa do grande preconceito que ainda existe, as pessoas que buscam desenvolver a mediunidade acabam fazendo isso escondido, ou o faz de forma incorreta, incompleta. Ainda existe uma forma equivocada de ver e cuidar da mediunidade. Mas, felizmente, isso está mudando aos poucos.

Hoje as pessoas procuram e encontram qualquer tipo de informação pela internet. Com o estudo da mediunidade não é diferente, mas as pessoas continuam sem saber em que acreditar e como começar, o que fazer em relação à própria mediunidade.

Há muitas escolas espirituais que antes eram fechadas, e estão divulgando seus ensinamentos. O conhecimento está disponível para todos. Antes, muitos desses conteúdos estavam acessíveis para poucas pessoas, pois dessa forma era possível protegê-los de assédios e distorções.

Podemos ter muitos problemas com a mediunidade quando ela é mal interpretada e mal compreendida. A mediunidade pode ser causa de doenças, mal-estar, desequilíbrio, mesmo quando já está aflorada, desenvolvida. Se a pessoa não se comprometer, a capacidade de crescimento se torna um fardo e um potencial fator de estagnação.

Por isso, ao desenvolver a mediunidade, abre-se um canal para a sua evolução, e não uma obrigação que te fará perder tempo. Além de nos aperfeiçoarmos, ajudamos outras pessoas e o mundo a evoluir junto com a gente. É essa a função da mediunidade.

Quando estamos alinhados com energias positivas, como quando falamos sobre o médium de luz, a mediunidade é facilmente desenvolvida. Conseguimos melhorar nossa qualidade de vida em todos os sentidos. À medida que nos tornamos íntimos e conscientes da nossa mediunidade, mais fácil fica de se desenvolver.

Estando com as emoções, pensamentos e sentimentos nessa frequência elevada, podemos ver com clareza a nossa missão. Aliás, mediunidade tem tudo a ver com ela, pois as nossas melhores habilidades pessoais se relacionam com o canal mediúnico que estabelecemos com o mundo extrafísico. Ou seja, a gente se comunica com os seres espirituais a partir das habilidades que mais são naturais para nós.

Até chegarmos nesse ponto, podemos dar os primeiros passos. Podemos nos abastecer com conhecimento genuíno e imparcial sobre a mediunidade, compreendendo as leis naturais que regem a nossa vida, como a lei de causa e efeito, e a partir disso compreender que a criação e todos nós estamos aqui por algum motivo, algum propósito.

Depois, podemos conhecer e estudar sobre a realidade extrafísica, sobre a influência dos nossos pensamentos, emoções e sentimentos na nossa vida cotidiana, e a lei da atração. E, ainda, como todas essas vibrações atraem para o nosso redor a presença e a atuação de outros seres alinhados com essas vibrações.

Além de tudo isso, é preciso também desenvolver os valores pessoais como o amor, a paciência, a confiança, a fé, desenvolver a autoestima, a capacidade de perdoar, o desapego, e compreender a missão da sua alma. Praticar o altruísmo por meio da sua doação para outras pessoas com seu tempo, atenção, dedicação e carinho é uma forma muito intensa de desenvolvimento de tudo o que mencionamos antes.

É PRECISO OLHAR PARA A MEDIUNIDADE COM NOVOS OLHOS!

A mediunidade é de todos, não de uma religião ou outra. É preciso compreender que há muito mais além das crenças, dos dogmas e dos preconceitos: a realidade extrafísica com ambientes e milhares, milhões de seres que servem à luz, ao bem de todos os seres que existem, incluindo nós que estamos aqui vivendo uma experiência no plano físico.

Somos constantemente amparados por uma legião de anjos, mentores, que se desloca e não mede esforços para nos ver bem. Por esse motivo, a mediunidade é uma aliada que nos conecta a esses amigos e guias, que nos permite entender ainda mais o que podemos fazer para tornar nossa vida mais simples, harmoniosa, com mais amor e paz.

A mediunidade não existe apenas para as pessoas que já a possuem de forma ostensiva ou aflorada. Ela também pode ser desenvolvida por pessoas que não são espíritas ou que nunca a trabalharam.

Enfim, como fazemos com toda habilidade que queremos aprimorar, é preciso ter disciplina, comprometimento, paciência e vontade de fazer o melhor possível com a mediunidade. Para que você se sinta confortável com a nova ideia, converse com pessoas que já desenvolvem sua mediunidade, entre em contato. O momento para chega quando menos se espera. E pode ser que já tenha chegado, pois você está aqui lendo este artigo.