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quarta-feira, 7 de junho de 2017


terça-feira, 6 de junho de 2017

Casa de Exu, Porteira ou Tronqueira


Sempre que entramos em um Centro Espírita nos deparamos com uma casinha ao lado esquerdo da entrada, tal qual desperta a curiosidade de alguns e o medo de outros... Essa casinha ou quartinho é chamado de Casa de Exu, Tronqueira ou Porteira. Todo Centro de Umbanda deve possuir esse local de culto aonde é resignada a morada dos Exus e Pombo-giras os Guardiões dos Grandes Portais da espiritualidade.
Exu e Pombo-Gira são os Seguranças de um terreiro, se bem cuidados e tratados fazem de um simples portão de madeira uma grande fortaleza.
A Porteira exerce diversas funções dentro de um terreiro, mas com o principal objetivo de proteção a ele. Ela é um ponto de força firmado no terreiro, ou seja, toda essa energia que emana dela é usada para os trabalhos dos Exus e Pombo-giras, os quais a utilizam para se reenergizar para os trabalhos de limpeza ou proteção da casa. Essa energia tem também como finalidade ser a fonte que alimenta um campo de força energético que se mantêm no astral, numa vasta área em torno do terreiro (equivalente a mais ou menos um quarteirão), área que é protegida pelos Exus e Pomba-giras.
Sendo essa energia que os Exus e Pomba-giras manipulam mais densa (mais próxima a nossa), a porteira é utilizada como um pára-raios, evitando que energias deletérias entrem na casa para prejudicar o andamento dos trabalhos. Nesta mesma função a porteira serve como uma área de retenção, mantendo ali alguns dos espíritos trevosos que acompanham os consulentes até o terreiro, e até mesmo algum destes seres que foram capturados durante os ataques espirituais que a casa sofre perante os trabalhos. Onde estes seres que ficaram retidos durante os trabalhos, serão socorridos, esclarecidos e encaminhados para os tribunais da justiça divina.
No astral ou na terra, os Exus e Pombo-giras, utilizam-se dos elementos dispostos na porteira para beneficiar os trabalhos que são realizados dentro
do templo.

Dentro de uma porteira encontramos vários tipos de ferramentas (objetos ritualísticos), como tridentes, punhais, assentamentos, imagens, velas, bebidas e cigarros. Cada instrumento com sua finalidade e tanto os Exus quanto as Pombo-giras ativam seus mistérios nestes elementos com a finalidade de realizarem seus trabalhos espirituais.
Existem vários tipos de elementos, que são velados, isso se faz necessário, para manter o devido resguardo dos trabalhos dos templos, evitando até que pessoas dêem mal uso a forças tão importantes.
É importante que os médiuns e os assistidos saibam da importância de uma porteira e que todos saibam que este ponto de força está sobre as ordens da Lei maior. Quando alguém deturpa este ponto de força, usando-o de forma negativa, este se torna um portal negativo. Este tipo de procedimento não é da Umbanda e sim de seitas que muitas vezes se utilizam do nome da nossa religião.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Tô Menstruada... Posso Participar da Gira?


Vamos falar sobre um assunto que ainda nos dias de hoje causa inúmeras divergências filosóficas entre casas de umbanda, a menstruação e a prática umbandista.
Ao falar sobre menstruação, falamos sobre mais uma infeliz herança, mal fundamentada do candomblé e dos cultos de nação e da lamentável mania de algumas casas de umbanda misturarem em seus trabalhos, fundamentos que não são nossos, lendas que afirmam que mulher menstruada se torna impura e imprópria ao trabalho mediúnico e infelizmente muitas casas retrógadas afirmam que durante este período elas atraem espíritos negativos e vampirizadores, também se cultua a lenda que certos exús, por não resistirem ao cheiro de sangue podem atacar, atrapalhar e ou possuir a adepta que esteja no culto...Ó meu Deus...
Prá quem me conhece, sabe que eu ignoro e abomino qualquer culto ancestral mal fundamentado ou embasado em superstições e lendas.
Mas vale lembrar que não estou questionando se há ou não proibições ou mitos nos cultos africanos, mas é de total certeza que estes sofreram influências e modificações no decorrer dos tempos e todo ensinamento repassado de forma oral, fica a mercê de determinadas interpretações e boatos, fato que degrada veementemente todo o conhecimento original né?
Algumas opiniões:
* Se uma mulher atrair espíritos ruins e vampirizadores durante um trabalho ou gira, é porque a segurança da casa falhou e a egrégora não estava ideal, não porque ela estava menstruada.
* Se um exú de lei ou guardião vier á atrapalhar uma médium por ela estar menstruada e ele não resistir ao cheiro de sangue, cuidado, existe um ‘’Conde Drácula’’ ao invés de exu em seu terreiro.
Dizer (como eu vi um pai de santo explicando num grupo do Facebook esses dias...) que ela se tornará alvo de exus...ora me faça o favor, não misturem crenças nem fundamentos, somos umbandistas e qualquer ligação ou sacrifício com sangue para nós é irrelevante, afinal não condiz com o nosso culto original.
Concordo que, para alguns procedimentos internos, auxiliar em determinados ritos ou mesmo tocar em alguns objetos ritualísticos do terreiro a mulher possa não estar apta, afinal está ‘’eliminando impurezas de seu corpo’’ mas quanto aos demais trabalhos e obrigações, está totalmente apta.
Se há atrapalhos para a mulher durante o período menstrual?; obviamente que sim, dependendo de como está o fluxo menstrual pode vir á ter uma saia ou calça manchada e demais desconfortos atrelados á essa situação, pode sentir algum tipo de mal estar, tontura ou enjôo durante os trabalhos por ficar de pé durante algumas horas e estar perdendo sangue e por ter uma certa quantidade energética sendo utilizada por seus guias e mentores, mas daí a se dizer que ela se torna imprópria ao trabalho mediúnico e á prática caritativa é no mínimo absurdo, obsoleto, arcaico.
Não existe impureza, quizila, castigo , proibição e nenhuma outra bobagem ligada ao fato de uma médium estar em seu ciclo menstrual e trabalhar com seus guias.
Lamentável, deprimente e de certa forma machista é o fato de algumas escolas umbandistas ainda se apegarem a lendas infundadas, sem embasamento filosófico e proibirem as mulheres de participar dos giras durante este período.
Portanto macumbeiras de todas as vertentes, trabalhem á vontade em seus períodos menstruais, apenas se alimentem corretamente antes de ir ao gira...

domingo, 4 de junho de 2017

O Mistério das 13 Almas


 Quem seriam as 13 almas tão chamadas para prestar auxílio? Mas elas seriam realmente espíritos que estão auxiliando os seres encarnados? Existem vários “grupos” das “13 Almas” dentro da sabedoria popular, dentre eles:

13 Almas Santas (ou santas almas);
13 Almas Benditas;
13 Almas Sedentas;
13 Almas do Purgatório;
13 Almas Sedentas do Purgatório;
e tantas outras mais.
Seriam elas agrupamentos de diferentes almas? Por quê do número 13? Tantas perguntas se desdobram quando falamos desse mito popular, alguns até mesmo agora me olham torto porque insinuei que é um mito, porém não é o caso, chamo de mito tudo aquilo que encerra uma moral em suas histórias, não me atenho se são verídicos ou fictícios. Para mim importa muito mais as questões práticas e de como são utilizadas essas sabedorias do povo.

Há quem diga que tiveram doenças curadas pelas 13 almas, outros dizem que foram perturbados pelas mesmas e ainda muitos outros vão as igrejas e cemitérios levar água para os mortos, chamando-os de sedentos. Como é algo que pertence ao imaginário popular, fica difícil precisar a data de início das histórias e a fundamentação da mesma, ainda mais quando encontramos esse mesmo termo sendo usado em livros bem antigos, como o Livro de São Cipriano (e não estamos avaliando sua veracidade aqui) e também quando são reformulados e modernizados para o mito das 13 almas do incêndio do Edifício Joelma.

Segundo o blog Eutanásia Mental, as 13 almas são uma lenda perpetrada pelo infame Livro de São Cipriano, que conta que Deus deu as chaves do Paraíso a São Pedro e afirmou que a cada sete anos, 13 espíritos mortos em catástrofe apareceriam. Essas almas não seriam nem boas o suficiente para irem para o Paraíso e nem más o suficiente para irem ao Inferno, além de não contarem com pecados que as colocariam em expiação no purgatório, pois não teriam do que ser arrepender. Então essas almas são condenadas a ficarem na terra, vagando e ajudando aqueles encarnados que precisam de seu auxílio.

Apesar da Igreja Católica rezar pelas almas do purgatório, a lenda das 13 almas não é reconhecida oficialmente. Se formos levar ainda em consideração o exposto pelo  blog acima, seria ainda pior imaginar que são almas vagantes, ou em outras palavras, Almas Penadas.

Sabemos que quando uma alma está penando, literalmente, ela está em sofrimento. Como vemos na pergunta número 1015 do Livro dos Espíritos.

1015. O que se deve entender por alma penada?

     — Uma alma errante e sofredora, incerta do seu futuro, à qual podeis proporcionar um alívio que freqüentemente ela solicita ao vir comunicar-se convosco. 

Ainda mais se considerarmos que associamos as 13 Almas com almas que morreram na tragédia do Edifício Joelma. Podemos pensar de várias formas:

1 – Não há efeito sem causa, logo os espíritos que lá desencarnaram de forma violenta, estavam expiando de forma coletiva suas faltas pretéritas e estavam cientes (espiritualmente) do que ocorreria. Então não podemos dizer que eram almas sem pecados e muito menos que foram acometidas de algo acidental sem merecimento, por mais triste que isso seja.

2 – Levando em consideração que elas morreram em desassossego, irão penar e muitas se tornam revoltadas. Por que auxiliariam os encarnados? A primeira intenção do espírito em desequilíbrio e em sofrimento é que outros partilhem da sua dor.

Existe até uma oração feita para as 13 Almas para evocá-las e pedir seu socorro. Mas até que ponto isso é seguro? Vejamos na pergunta 664 do Livro dos Espíritos, algo sobre as preces:

664. É útil orar pelos mortos e pelos Espíritos sofredores, e nesse caso como pode as nossas preces lhes proporcionar consolo e abreviar os sofrimentos? Têm elas o poder de fazer dobrar-se a justiça de Deus?

—A prece não pode ter o efeito de mudar os desígnios de Deus, mas a alma pela qual se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de interesse que se lhe dá e porque o infeliz, vê sempre consolado, quando encontra almas caridosas que compartilham as suas dores. De outro lado, pela prece provoca-se o arrependimento, desperta-se o desejo de fazer o necessário para se tornar feliz.  É nesse sentido que se pode abreviar a sua pena,  se do seu lado ele contribui com a sua boa vontade. Esse desejo de melhora, excitado pela prece, atrai para o Espírito sofredor os Espíritos melhores que vêm esclarecê-lo, consolá-lo e dar-lhe esperanças. Jesus orava pelas ovelhas transviadas. Com isso vos mostrava que sereis culpados se nada fizerdes pelos que mais necessitam.

Então ao orar por um espírito em sofrimento ou uma Alma Penada, não devemos rogar-lhes nada. Quando pedimos algo a uma alma em sofrimento, estamos assinando um cheque em branco: Ajude-me em troca do quê?

São muitas as questões que podemos levantar aqui. Levando em consideração ainda, por que Deus iria imputar uma pena tão severa para todo o sempre para essas Almas, sendo que elas de nada teriam culpa? Isso entra em contradição com a lógica espírita. Ao afirmar isso deveríamos acreditar que Deus é injusto, o que não é o caso. Ainda sobre orar para qualquer alma, peço mais uma vez atenção para o Livro dos Espíritos, na resposta dada a pergunta 666.

666. Podemos orar aos Espíritos?

       — Podemos orar aos bons Espíritos como sendo os mensageiros de Deus e os executores de seus desígnios, mas o seu poder está na razão da sua superioridade e decorre sempre do Senhor de todas as coisas, sem cuja  permissão nada se faz; eis porque as preces que lhes dirigimos só são eficazes se forem agradáveis a Deus.

Dentre essas almas em sofrimento, chamadas de 13 almas santas, encontramos a mística também das 13 almas sedentas ou as 13 almas sedentas do purgatório. São almas que estão entre o céu e o inferno, que não foram tão bondosas, mas não erraram a ponto de serem mandadas ao inferno, que esperam seu indulto para ascender aos céus. Contudo ainda sofrem por demais no plano do Purgatório, sendo que muitas sentem sede. Aqui faço uma observação, sobre as almas que se evocam (ou invocam) nos trabalhos de Finados da Umbanda.

Alguns dizem que essas almas são incorporadas para encontrarem o seu local de passagem, porém pergunto: Por que essas almas incorporariam? São almas que sofrem pela falta da matéria, mas ao incorporarem sentem a matéria. Não seria isso cruel demais com estas almas, que já sofrem? Não é o mesmo que dar ao dependente químico mais uma dose da sua droga, só para lembrá-lo de como era a sensação?

Santas Almas Benditas (São os Pretos-Velhos)
Santas Almas Benditas (São os Pretos-Velhos)
Vou além, essas almas geralmente incorporam se arrastando e gemendo, lamuriando, gritando de dor. Qual é o propósito por detrás disto?

Elas não trazem mensagens, não são doutrinadas ou evangelizadas e nem sequer encaminhadas? Por que permitir isso? Não há sentido. Aqui só a mente do médium em desequilíbrio é que me vem a tona.

Porém com essas almas também vem espíritos que chamamos de Omulus (não confundir com os Exus Omulus ou Omuluns), que se manifestam bastante no arquétipo do Orixá, pedindo para que lhe cubram a cabeça com um pano branco (mortalha) e com uma vela na mão acesa, caminham pelo terreiro. Cremos que isso é uma simbologia para o trabalho que esses espíritos fazem, o de colher as almas. Seria o que conhecemos por aí de Ceifadores. Porém, tanto em uma manifestação (almas penadas), quanto na outra (Omulus), alguns Pretos-Velhos (que se mantém incorporados durante a manifestação destes) pedem que se dê bastante água para os médiuns, após a desincorporação.

Qual é a lógica disto? É simples! Nosso duplo-etéreo é mineralizado ainda e na incorporação perdemos muito dessa vitalidade. A água (principalmente a pura e mineral) é a forma mais rápida de se recuperar os eflúvios perdidos, trazendo equilíbrio ao sistema energético e orgânico do médium. Os sedentos nesse caso somos nós e Kardec recebe dos Espíritos a instrução de que o verdadeiro purgatório é a Terra.

Em minha visão mexer com espíritos em desequilíbrio, fazendo rogativas é mexer em vespeiro. Então não recomendo isso a ninguém. Para se ter uma ideia disso, de como é equivocado, basta substituir o termo Almas pelo seu equivalente Eguns e veja só, você rezaria para os 13 Eguns?

Quer pedir ajuda, peça as SANTAS ALMAS, que são os Pretos-Velhos e Pretas-Velhas, esses sim, são espíritos já evoluídos e que podem te atender da melhor forma. Também é possível rezar direto para as almas dos Santos! Que tal?

Vou compartilhar aqui uma história da qual fui testemunha, mas vou preservar a identidade das pessoas em sigilo, por motivos óbvios. Acompanhe:

As 13 Almas (ou Eguns).

A moça acabara de conhecer um moço, estava feliz pelo que a vida lhe colocara. Novos projetos, novas oportunidades e uma companhia, que ela sabia dessa vez em seu íntimo – sem dúvidas – de que era a correta. O namoro não demorou a engatar e ambos viviam um relacionamento muito sincero, chamada a morar com o rapaz, a moça de pronto aceitou e então começaram a acontecer coisas estranhas.

Começou apenas com um leve incomodo, um zumbido baixo e persistente que crescia com o passar dos dias e a sensação de aperto e de aprisionamento. Era óbvio que ela estava se sentindo pressionada, mas não entendia o porquê, pois nunca fora cobrada de nada. Seu sono era interrompido por diversas vezes, sentia presenças e vultos a atormentarem a sua paz, sua cabeça sempre ficava cheia de ideias que não paravam de surgir mesmo quando dormindo.

Os efeitos físicos começaram a se manifestar, pessoas se afastavam, a televisão ligava e desligava sozinha. Sentia presenças agora a sentar-se na cama e sentia a depressão no colchão, causada por um corpo que não estava ali fisicamente. Foi quando se percebeu que as plantas da morada estavam todas secas e mortas, seja quais fossem, em vasos de terra ou água, todas morreram.

Certo dia a mãe da moça, ajudando-a com a mudança, diz que irá sozinha até sua casa para preparar as roupas, lavá-las e passá-las, acompanhada do pai da moça. O pai da moça ao entrar na casa do casal se sente mal, muito impactado por uma energia que não entende de onde vem, se sente tão incomodado a ponto de pedir para ir embora, porém a mãe da moça ainda tinha afazeres, mas se depara com uma criatura deformada, tentando alcançar uma garrafa de espumante, que estava na lavanderia, sem êxito.

A figura nefasta ao perceber a presença da mulher e também que estava sendo vista, desaparece correndo. A mãe da moça liga imediatamente para sua filha e relata tudo, que por sua vez conta tudo para seu companheiro. No terreiro pedem auxílio das forças do lugar para ajudar, então é executado um trabalho de limpeza na residência. Fora pedido 7 dias de preceitos para o casal e para o corpo mediúnico envolvido. Após isso, com todas as liberações da espiritualidade e da chefia da casa, partiu-se para a limpeza, onde após breve defumação um Exu se manifesta, nervoso, bravo e contrariado.

O exu saca seu charuto e com a outra mão pega uma Pemba branca e sai riscando pontos (sigilos) em todas as portas da casa. Esbravejando contra forças invisíveis que lá estavam, após tudo terminado, o Exu já muito nervoso e esgotado, se vai e dá passagem a um Preto-Velho, que calmamente disse: ” – Perdoe o homem de capa, ele estava cansado, pois foram retirados daqui 13 eguns!”…

O trabalho se encerra e o casal percebe que a harmonia voltou ao local, recuperam-se em seu relacionamento e nunca mais essas manifestações ocorreram. Passado alguns dias, a irmã da moça liga procurando-a na casa dela, porém não a encontra e acaba falando com o companheiro da mesma, contado como estava interessada em um rapaz e que agora estava trabalhando (espiritualmente) para tê-lo. O rapaz fica meio preocupado, com uma intuição alertando-o para o fato e questiona a irmã de sua companheira de como isso estava sendo feito.

Ela começa a contar que seu pai-de-santo ensinou-a uma oração muito forte, para que ela fizesse por 13 dias seguidos, após terem acendido 13 velas e ofertado 13 copos de água na Igreja das Almas. Que ela iria fazer essa oração para que o rapaz – objeto de seu amor – ficasse perturbado a ponto de só conseguir pensar nela e que fosse atrás dela. Por fim disse: ” – É a oração das 13 Almas de São Cipriano”.

Então tudo começava a fazer sentido, pois o pai-de-santo da irmã era o mesmo da companheira do rapaz. Porém a companheira do rapaz, decidiu deixar o terreiro que frequentava, assim como o pai de santo, ao conhecer o Rapaz, pois este ia em outro local e também pois o pai-de-santo anterior havia dito a ela, supostamente incorporado de uma Pombagira, que ela tinha três dias para se entregar (se deitar) com o Ogã dele.

Agora tudo fazia sentido, a demanda supostamente partiu do mesmo lugar, usando a mesma oração e as mesmas entidades.

Viram como mexer com as almas sem saber o que faz não é algo interessante? Fica a dica…

sábado, 3 de junho de 2017

Incorporação Fora do Terreiro

Nós, umbandistas de coração, temos uma necessidade quase fisiológica de auxiliar alguém quando o encontramos em dificuldades. Quem de nós já não teve vontade de auxiliar alguém necessitado, ansioso por fazer o bem, a ponto de não aguentar esperar o dia da gira para isso? Quem nunca pensou em incorporar as suas entidades em casa, ou na casa da pessoa necessitada ou até mesmo em outro lugar a fim de auxiliar o mais breve possível?
Atire o primeiro pó de pemba quem nunca pensou assim.
A intenção é ótima, não resta dúvida. Mas nem sempre as boas intenções são sinônimo de bons resultados. Conheço inúmeros relatos de casos em que a tentativa de ajudar foi desastrosa para ambas as partes: para o que buscava ajuda e também para o médium.
“Ah, minhas entidades são fortes e minha fé é firme” – dirão alguns. Não tenho dúvidas quanto a isso. Mas pergunto: e os eguns e quiumbas que você (e suas entidades) vai encarar são fracos? Você tem noção da força deles? Lembre-se que não são apenas os “bonzinhos” que têm força e firmeza.
Outro detalhe para refletir: se fosse para incorporar as entidades em casa (ou na casa do consulente), qual a necessidade de existir um terreiro, com tronqueira, congá e corrente mediúnica firmada? Se temos tudo isso num terreiro é porque lá é o lugar da incorporação e do atendimento acontecer. Se pensarmos o contrário – salvo casos de extrema necessidade – vamos fechar os terreiros e abolir os fundamentos da Umbanda, pois tudo isso passa a ser desnecessário.
Mas vamos ao que realmente interessa. Dar atendimento e incorporar fora do terreiro equivale a nadar em um rio de piranhas famintas. Imagine as falanges de espíritos sofredores, zombeteiros, trevosos, malfeitores, quiumbas e energias nefastas que o acompanharão e, provavelmente ficarão em seu lar. Sensações desagradáveis como mal estar, doenças, desarmonias não tardarão a surgir. E quem é o culpado disso? As suas entidades que se deixaram incorporar em qualquer lugar? Não, elas estão sempre dispostas a ajudar, independente da hora ou lugar. O culpado é você, que abriu as portas da sua vida e da sua casa para essas energias.
Mais que isso… você levará problemas não apenas para sua vida, sua casa e sua família. Levará problemas também para os seus irmãos-de-fé no terreiro, pois quando lá chegar, em dias de gira, estará carregado com essas energias. E bem sabemos que uma gira funciona como uma grande engrenagem. Quando uma das peças apresenta defeito, todo o mecanismo tende a falhar. Em outras palavras, todos os seus irmãos-de-fé sentem a baixa energia que chega na casa, e a gira tende a não correr da forma esperada.
E não adianta dizer que antes de fazer o antedimento domiciliar você firmou vela para seu anjo da guarda e para sua esquerda. Terreiro é terreiro. Ambiente familiar é morada de espíritos encarnados e não pronto socorro espiritual. Pense em tudo isso. Pense nos prejuízos que você pode levar a si próprio e à sua família. Lugar de manifestação de orixás e entidades é no terreiro, salvo exceções. como casos de saúde, em que o doente está totalmente impossibilitado de se locomover. O resto é vaidade do médium. E é justamente a vaidade que costuma derrubar os melhores médiuns.
Respeitar essa regra é respeitar a si mesmo, é respeitar a hierarquia da sua casa, é respeitar o consulente (pois você não é detentor da verdade e não tem a certeza de que irá resolver os problemas dele), é respeitar seus irmãos-de-fé, é respeitar o nome do terreiro que frequenta e é respeitar, acima de tudo, os seus orixás e as suas entidade."
Douglas Fersan

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Laroiê Seu Meia Noite

Um Exu muito conhecido em todo o meio espiritualista, seja Umbanda, Quimbanda e até mesmo no Candomblé, isso é devido a sua grande importância no decorrer dos trabalhos. Uma coisa que deve ser entendida é que nosso dia tem quatro horários importantes: Meia noite, seis horas da manhã, meio dia e seis horas da tarde, pois em cada hora dessas ocorre uma grande troca de energia, não sendo propicia ou auspiciosa para muitos trabalhos. Concentremos na meia noite ou "Hora Grande", é o momento em que trocamos de dia, em que a Terra completa seu movimento de rotação, muitos espiritualistas não trabalham com nada durante essa hora aguardando um tempo depois para começar suas tarefas. Esta falange de Exus ganhou esse nome porque na meio noite, abre as portas do nosso mundo para os demais, lembrando que são nove de acordo com os Iorubás, até mesmo por isso temos Iansã (A mãe dos nove Oruns), ou seja, essa entidade durante essa faixa de hora vibracional conecta os mundos, interligando nos as entidades.
Lembrando que a palavra Exu tem o significado de "A beira de, na margem", não que eles sejam marginais, mas que sim estão mais próximos de nos, por isso tem a função de mensageiros, pois interligam se tanto na Aiê ( Terra) quanto no Orum (céu, morada dos Orixás), então Exu da Meia Noite ou Exu da Hora Grande, é um mensageiro que durante essa hora exerce maior função nos trabalhos, abrindo e fechando caminhos, tanto os nossos quanto das outras entidades.
Atua muito bem como feiticeiro, dizem até ter tido ligação com São Cipriano, trabalha muito bem em encantamentos e feitiços, vale ressaltar que vai da indol e do consulente pedir, não é culpa da entidade que nos pedimos o mal, desmancha trabalhos e abre nossos caminhos. Trabalha juntamente com Exu da Capa Preta, em alguns terreiros são até mesmo confundidos, pois trabalham de forma parecida. Durante a incorporação assume caráter brincalhão porém respeitoso, elegância e bom porte, boa comunicação, no entanto gosta de ser direto, preferindo resolver os problemas no ato. Exige bom comportamento do médium, que cumpra todas as suas obrigações preparatórias para ir ao terreiro, até mesmo por isso existam poucos que o incorporam. Utiliza da Capa assim como seu companheiro de trabalhos, fuma bons charutos e seu Otim (bebida) é o conhaque, porém gosta de um bom Whisky, além de beber cerveja branca como os demais. Devido a forte ligação com passagens entre mundo e resgate de Eguns (espíritos desencarnados) tem ligação com Iansã, mas também é um Exu de Ogum, ou seja, um Exu de caminhos, sua companheira é a Bombo- gira Dama da Meia noite que tem certo laço com a falange de Maria Padilha.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Oferendas e Pontos de Força na Natureza

...Nossos amados Orixás são Divindades que irradiam as qualidades do criador e podemos encontra-los em tudo e em todos os lugares com maior ou menor intensidade. Sobre os locais da natureza onde predomina certo Orixá costumamos dizer que pertence a ele, ou seja, é sitio consagrado, templo natural e ainda ponto de força da natureza.
...Vamos a um exemplo : a irradiação mineral e o amor de nossa amada Mamãe Oxum predominam nas cachoeiras, estabelecendo um contato, como que um portal, com as dimensões regidas por esta Mãe e onde estagiam milhões de elementais, encantadas da natureza e naturais (muitas destas encantadas e naturais são exatamente as “Oxuns” que incorporam em nossos terreiros de Umbanda).
...O fato é que quando estamos carentes neste sentido , precisando harmonizar com esta vibração, nos dirigimos à cachoeira de frente para a Mãe e fazemos religiosamente a nossa oferenda. No lado astral, somos recebidos com todo o amor que uma Mãe pode ter com seu filho, uma encantada “recolhe” nossa oferenda, recebe licença para ali atuar em nós visando o reequilibro e por um mistério Divino recebemos ali as bênçãos da Mãe Maior Oxum .
...Também podemos notar a presença de um Ogum e uma Iansã das cachoeiras como guardiões deste ponto de força bem como os intermediários dos outros Orixás para com Oxum desempenhando suas tarefas junto a este templo natural.
...Outras vezes ainda nos dirigimos a tais sítios consagrados afim de colaborarmos de maneira ativa com a captação de certos axés por parte dos espíritos guias que nos assistem em nossos “trabalhos”.

...Da mesma forma acontece com os demais Pais e Mães, onde podemos citar seus pontos de força:
...Oxalá - pode ser oferendado em todos os sítios da natureza , costumamos dar preferência a campos abertos e floridos ou mirantes onde se costumam erigir as estátuas de Jesus Cristo;
...Oxum e Oxumarê - cachoeiras ;
...Oxóssi - matas ;
...Obá - matas e em contato com a terra;
...Xangô - montanhas ou pedreiras (montanhosas);
...Iansã - pedreiras;
...Ogum - caminhos;
...Obaluaiyê e Omulú - cemitérios ;
...Yemanjá - mar ;
...Cosme e Damião - nos parques , praças ou cachoeiras;
...Oiá - em qualquer lugar aberto no “tempo” .

...Isto não quer dizer que não possam ser oferendados em outros lugares, certo? Por exemplo se tenho um Ogum Megê como Orixá individual a me amparar , posso oferenda-lo no cemitério já que Ogum Megê e Iansã de Bale são também guardiões do campo santo, fora isso ouça e confie no seu guia , se ele manda oferendar Omulu na frente do mar está certíssimo, se manda entregar uma maçã e uma vela para determinado Orixá em um lugar que não imaginava, não pense duas vezes eles sabem muito mais do que nós (claro são nossos guias) e o pouco que conhecemos aprendemos com eles.
TEXTO EXTRAÍDO DO JUS – JORNAL DE UMBANDA SAGRADA (Alexandre Cumino)